segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A muito custo continuo a ouvir o Augusto


O Record online de hoje publica mais uma pequena caixa de texto, onde Augusto Inácio comenta a actualidade....do Porto.
Título: «Derrota foi uma grande pancada»!!
Habituado que estou a ler fóruns e blogs leoninos, sei que o ex-jogador/treinador sportinguista tem uma miríade de admiradores, nas nossas hostes.
Imagino que instado a comentar a actualidade azul e branca não se coíba de o fazer mas, convenhamos, para um ex-tudo-o-que-já-disse e ainda ex-apoiante de uma ex-candidatura à presidência do Sporting nas últimas eleições, parece-me que já devia começar a evitar estar tão conotado com os nossos rivais.
Ainda me recordo de entrevistas onde disse que o título estava bem entregue ao Porto (num campeonato onde lutámos com eles até ao fim), já disse outras tantas vezes que "naquela casa" (como tantos gostam de apelidar o cesto da fruta) trabalha-se de maneira mais profissional...e até é possível voltar a ouvir os comentários de Inácio na final da Taça de Portugal (onde vencemos por 2-0) e onde a sua (im)parcialidade contra as nossas cores chega a ser irritante.
Com a quantidade de figuras emblemáticas dos apaniguados de Pinto da Costa, porque diabos terá que estar um "sportinguista", semana sim-semana não, a comentar a actualidade.
No campo oposto já não há essa vergonha, nem para manipular jornais, rádios e televisões na tentativa de ofuscar o que por vezes salta à evidência, nem sequer de tentar disfarçar a sua preferência clubista.
O exemplo de Manuel Queirós que AQUI recordo serve só para ilustrar a que ponto chega a sem-vergonhice jornalística. Já não bastava  a que, semana após semana, grassa nos relvados portugueses, ainda temos que aturar os comentários despudorados e os auto-censurados.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Onyewu 2 Beira Mar 0


Depois de 6 jogos que a mim me pareceram 6 anos sem vencer, a insonsa vitória chegou. Dada a qualidade do futebol praticado e dos indícios que o ciclo negativo só teve um pequeno intervalo, ainda pensei em ficar melancólico, desgostoso, acabrunhado mas, vou mas é aproveitar a ocasião e deleitar-me com o feito.
Apesar do deprimente espectáculo, devo confessar que trocaria este resultado e exibição por todas as vitórias morais. Espero que no próximo jogo, com o colosso Gil Vicente, para a Taça da Liga, mesmo que a exibição seja patética o resultado sirva os nossos interesses.
Ainda que o futebol que pratiquemos não lembre ao diabo, não me parece que estejamos em condições de pedir o céu e a terra.
Mesmo que a muito custo, tentarei fazer um resumo de alguns momentos que me intranquilizam.
Logo à cabeça, devo realçar os deficientes índices físicos que os nossos jogadores apresentam. Já referi em anteriores jogos que qualquer equipa que defrontemos parece ter mais jogadores que nós. Hoje, uma vez mais, cheguei a ver momentos de pressão aveirense junto à linha de meio campo, em plena 2ª parte, com 6 jogadores num palmo de terreno. Dirá a lógica que...restam 4 jogadores para o resto do campo, mas na cabeça dos jogadores não impera a lógica e este reparo tem mais a ver com capacidade física do que com opções tácticas e de gestão do jogo.
Além disso, o reincidente e irritante fetiche de atacar este tipo de pressing com iniciativas individuais, além de não conseguirem abrir linhas de passe e/ou ter capacidade de passe que permitam criar desequilíbrios, redunda numa posse de bola inócua e inconsequente.
Domingos saberá melhor que ninguém o estado actual dos seus jogadores, mas apesar de não querer bater mais no ceguinho, continuo sem perceber como João Pereira (apesar de um início de época prometedor) continua a ser dos que mais compromete, actualmente, e Arias nem sequer é opção no banco. O problema do trinco continua a ser tão central e nuclear quanto a posição que ocupa no terreno. Hoje Renato Neto esteve a um nível quase tão baixo quanto os seus antecessores, desde a lesão de Fito. 
O ataque continua sofrível, mas nem o melhor avançado do mundo sobreviveria a um meio campo incapaz de gerar oportunidades e cadência de jogo ofensivo.
Salvaram-se os golos de Oguchi, mau grado o erro aos 30 segundos que poderia ter mudado a história do jogo. 
Duarte Gomes já tinha a jornada ganha, desde o dia anterior, e nem precisou de estar ao seu melhor nível. Se tivesse sido mesmo necessário, Onyewu teria vindo tomar duche ainda antes do minuto de jogo. No entanto, isto são só especulações, tal como poderia estar a conjecturar sobre Bruno Paixão no jogo de Barcelos mas, este campeonato começou a estar inquinado desde a primeira jornada, e contra isso já nada há a fazer. A história deste, como doutros campeonatos, ficará tão só reflectida nos números e não nos intervenientes directos e indirectos.

69


Daqui a pouco joga-se o presente do Sporting. O passado pode ser mais ...ou menos saboroso, mas não se pode viver à custa de recordações. O futuro, esse, é uma verdadeira incógnita.
Dos 55 confrontos com o Beira-Mar, o Sporting tem um historial de 69% de vitórias, mas estes números são indiferentes para os intervenientes do jogo. Já tratámos, por diversas vezes, de contrariar as estatísticas, e nos tempos mais recentes concedemos primeiras vezes a alguns e recordes verdadeiramente históricos a outros, mas já que falamos em 69, está na altura de inverter. Sim, inverter o ciclo negativo que nos atormenta, e que também figurará nos manuais se insistirem em manter a postura e desacerto.
Insúa escreveu hoje no Twitter que "No final, ninguém se vai lembrar de quantas vezes caíste, mas sim das vezes que te levantaste'." mas eu desconfio que estará registado, para a posteridade, cada vez que o Sporting caiu, sem possibilidade de ser apagado ou alterado, como as memórias de outros.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Mudar de sexo? Era preferível!


Quando o mercado de transferências está aberto, o sportinguista tem quase sempre um sentimento de esperança e angústia. A expectativa reside na chegada de reforços de qualidade que congreguem os anseios de todos, mas por outro lado o adepto leonino sente alguma depressão com os reforços adversários. Nem todos vivem com um constante olhar sobre o quintal do vizinho mas, acredito que a maioria vive em demasia o dia-a-dia dos rivais.
A rivalidade explica esta relação de inimizade, mas o constante alimentar do voraz apetite pelos nossos ex-atletas trazem sempre algum desconforto. Se Fernando Mendes, Simão, Carlos Martins, Cadete, Nuno Assis, para citar alguns, só começaram a estacionar um pouco mais à frente, já Peixe, Varela, Costinha, Nuno Valente, Futre, Moutinho, Quaresma, Inácio, entre muitos outros, tiveram que aprender outras regras a Norte.
Claro está que quando acolhemos Rui Jorge, Bino, Derlei, João Pinto, Sousa, Pacheco, Sousa ou Jaime Pacheco ou Jardel já a alegria invade a alma de cada sportinguista, mas são casos cada vez mais raros e ameaçam tornar-se em miragens.
Nestes tempos mais recentes tivemos de novo a oportunidade de sentir o reverso da medalha, quando Djaló e Liedson apareceram nas notícias mais recentes, como alvos para azuis-vermelhos. Qualquer que seja o desfecho deste namoro, haverá sempre opiniões para todos os gostos, mas eu continuo a preferir que vão para qualquer parte do mundo menos para os rivais. Prefiro nem imaginar os discursos de ambos, caso optem por dar mais uma facadinha no orgulho leonino, mas o normal é exaltarem os feitos e grandiosidade dos clubes que os acolherem. 
Estas possibilidades (até ver não passam disso) fazem-me  recordar que o cada vez mais raro amor ao clube tem menos seguidores em quem se diz sportinguista, do que noutros intervenientes.
Ontem pude ler a entrevista de Nelinho, o «Expresso da Luz», na antevisão ao Sporting-Beira Mar de Domingo, onde recorda o golo que ditou na única vitória do Beira-Mar em Alvalade, na longínqua época de 1971-72. Pois, se Nelinho era sportinguista, depois de ser contratado pelo Benfica mudou de opinião e hoje figura no topo das suas preferências clubistas, seguidas de Beira-Mar e Braga. O sportinguismo esvaiu-se, por artes mágicas. Já em variadas ocasiões tive que tentar compreender que vírus atinge determinados atletas, que renegam as suas origens para se render a outros amores. 
Simão, por exemplo, saiu de Alvalade para chegar a desejar a derrota do Sporting no campeonato, mesmo que a outra hipótese fosse o Boavista. 
Coentrão nunca vestiu a nossa camisola, mas de ter o quarto ornamentado com peluches de leões e posters do Sporting nas paredes passou rapidamente a dizer que... "devia estar ceguinho", quando confrontado com a sua anterior opção clubista.
Curioso é que não conheço de nenhum caso (e corrijam-me se estiver errado) de algum jogador que se tenha convertido aos nossos ideais, principalmente se o tiverem feito já com a personalidade formada. Haverá muito atleta convertido, nos milhares de jogadores dos escalões de formação que os grandes albergam, mas até aí o Facebook tem sido veículo de atletas melancia, verdes por fora mas vermelhos por dentro. Somos realmente um clube sui generis.
Quando um famoso escritor sul-americano disse qualquer coisa como "pode-se mudar de mulher, de casa, de carro...(eu até diria, de sexo) mas nunca de clube" não deve ter tido em consideração a realidade portuguesa, e a personagens que vendem a alma a qualquer preço ou... com preços a combinar.
 
 
 
 

O tractor


Nesta época quase irremediavelmente perdida, muitas...demasiadas foram as condicionantes que nos colocaram numa posição que tem tanto de ingrata como de anormal, face ao investimento e qualidade do plantel. Nunca saberemos o que teria acontecido se o início da época não tivesse sido marcado por arbitragens que inclinaram os campos dos três históricos candidatos ao título, em inversa proporcionalidade. Não foram só os pontos espoliados ao Sporting, porque o trabalho cedo foi feito para elevar os índices a quem se arrastava em campo e tentar afundar quem melhor futebol praticava. Basta procurar as crónicas dos primeiros jogos da época e fazer contas, ou pedir ao Eng. Guterres para as fazer.
Não bastava esta contingência, já de si tão pesada e com evidente efeitos nefastos na classificação, quando a mala-pata decidiu entrar em acção. Não me ocorre nenhum jogo nesta época onde tivéssemos o plantel todo disponível, e quando o comboio circulava em velocidade de cruzeiro e encarrilado, mesmo com algumas ausências pontuais, uma autêntica praga se abateu sobre os nossos jogadores. Têm caído que nem moscas, com uma cadência assustadora.   
A lesão de Rinaudo, longa e nas vésperas de um ciclo (com)prometedor, cedo revelou uma dependência que teria consequências devastadoras. O futebol leonino nunca recuperou da sua ausência, e raros foram os titulares que não passaram pelo departamento médico, para compor o pesadelo.
Não se fazem omeletes sem ovos, e os que nos restaram, eram de codorniz.
Os regressos dos lesionados têm sido a conta-gotas...muitos deles quase a fazer a pré-época, mas rapidamente outros vão ocupar a marquesa que vagou, e assim tem sido muito complicado para Domingos gerir e trabalhar a contento de todos.
Hoje, a notícia  que tanto ansiámos e que tanto tardava, finalmente chegou. Rinaudo (e Izmailov) voltaram a treinar-se com o grupo, e deste modo ilumina-se um pouco o horizonte, com uns raios de sol a clarear estes meses de obscurantismo.
Ainda estaremos a algum tempo do regresso em pleno, mas já são indicadores positivos, apesar de acreditar que em mais este ciclo decisivo para as curtas aspirações de minimizar os danos da época, ainda teremos a equipa ao pé-coxinho. 
Seja como for, o nosso tractor está de volta!!