sábado, 10 de janeiro de 2015

Golpe de rins


Longe parecem ir os tempos em que se ridicularizaram as cláusulas de rescisão dos jogadores do Sporting pela comunicação social, bem como pela generalidade dos adeptos.
Talvez por haver mais matérias com que gozar, no presente.

Apesar do Sporting ainda viver com o drama de não ter sabido precaver o futuro de alguns jogadores, pareceu mais oportuno (e talvez oportunista) colocar em causa valores que, sabemos nós, visam apenas restringir o apetite de alguns.
Raras vezes foram colocadas em causa as cláusulas de jogadores de outros clubes portugueses.
Nem sequer quando apenas pontualmente tenham saído pelos valores contratualizados.

Cardozo chegou a ter uma cláusula de 60 milhões, mas acabou por sair por 5,5 milhões.
O fabuloso Hulk atingiu uma cláusula de 100 milhões, mas saiu por menos de metade desse valor.
David Luiz tinha uma cláusula de 50 milhões mas saiu por metade desse valor.
Mas o que de facto incomoda os media e os adeptos, sejam eles sportinguistas ou dos rivais, é a cláusula fixada aos nossos jogadores, supostamente por serem drasticamente desproporcionais ao seu valor de mercado.

Mas os jornais e alguns adeptos estão sempre a tempo de dar a mão à palmatória.
O Rascoff de hoje dedica uma página a André Gomes, a quem apelida de “O miúdo 150 milhões”, e concede-lhe a medalha de prata no habitual quadro de mérito.
Pelos vistos, assim num abrir e fechar de olhos, o médio (que apenas fez um total de 14 jogos no nosso campeonato em duas épocas) verá o seu valor de mercado disparar e ficar proporcional ao seu valor desportivo
Sim, porque o rapaz valerá mesmo esse dinheiro todo.
Se tivermos em conta que Ronaldo foi contratado por menos de 100 milhões, compreendemos que é um valor justíssimo.

Além disso, os jornais deixam cair a hipotética desproporção que em tempos  apontaram.
Estamos perante mais um golpe de rins jornalístico, que só credibiliza os seus autores.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Frente e verso

Tal como esperado e desejado, o Sporting fez a sua obrigação e carimbou a passagem para as meias-finais da Taça de Portugal.

Finalmente um jogo em Alvalade para esta competição, onde nos últimos três anos só tinha jogado com o Alba.
Os sócios e adeptos é que não se mostraram muito sensibilizados com este detalhe, e pouco mais de dez mil sportinguistas marcaram presença. Diz que foi pelo frio.
Na Alemanha ou Inglaterra, onde os estádios estão sempre com a lotação esgotada, o frio também inibe muitos portugueses de ir ver um ou outro jogo.
Muitos dos que terão desistido de apoiar a equipa talvez tivessem mudado de ideias se soubessem que também ia haver nevoeiro. Por um preço simbólico podiam ter imaginado encontrar-se no Estádio da Choupana. Uma viagem à Madeira é sempre bem-vinda.
Outros tantos também teriam dado o tempo por bem empregue se adivinhassem o golo de Carrillo.

O Sporting venceu por 4-0, sem sobressaltos ou contratempos.
Poupou alguns titulares para o complicado e decisivo jogo em Braga, não perdeu por lesão nenhum dos jogadores base da equipa, nem sequer viu algum cartão que pudesse condicionar estratégias futuras.
Tudo correu bem, portanto.
Ou quase tudo.

É que uma ou outra exibição não atingiu os patamares exigíveis e foram muitos os que não se compadeceram com questões como a idade ou momentos de forma.  
Os assobios mostraram-se afinados, mesmo num jogo onde quase tudo seria perdoável.
Quem mais se destacou, pela negativa, foi obviamente Carlos Mané.
Reconheço que foi exasperante a quantidade de más decisões que tomou. Diria mesmo que foram quase todas. No entanto, não me recordo de um único jogador a quem o assobio dos próprios adeptos lhe tenha servido de incentivo.
Ainda há dias Leonardo Jardim recordou o seu lançamento na equipa principal, e prognosticou-lhe um futuro brilhante.
Eu gostava de ser tão optimista quanto o nosso ex-treinador mas…quem sou eu?

No entanto, também tenho a minha opinião de leigo.

Já tivemos jogadores em quem muito se apostava mas que o tempo se encarregou de resumir à condição de eternas promessas.
Na mesma linha de Mané recordo-me, por exemplo, de Lourenço…ou até Tijoló.
Jogadores que, dadas as suas características, têm alguma dificuldade em ver definida qual a posição onde melhor podem ajudar a equipa. 

Lourenço e Tijoló não tinham atributos de extremo, nem de ponta-de-lança…e o percurso de ambos foi eloquente.

Mané tem características diferentes, mas reconheço-lhe mais qualidade que os supracitados.
No entanto, até ao estatuto de estrela…penso que pode haver um longo e difícil caminho a percorrer.
No polo oposto encontra-se Carrillo.
Quase todas as suas decisões foram as correctas, e continua a manter um estado de forma invejável.
Se na época passada havia William e mais 10, este ano andamos mais perto de Carrillo e mais uns quantos.
No entanto, também o peruano passou por momentos complicados em Alvalade e onde se respirasse Sporting.

Mané não tem a velocidade nem os atributos técnicos de Carrillo, mas nele reside mais um exemplo de que, quando há qualidade, a paciência pode ser uma boa conselheira.




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Tangível

O Sporting joga hoje com o Famalicão para os 1/4 final da Taça de Portugal.
Este encontro poderá manter vivas as esperanças no objectivo mais tangível da época.

Todos somos conscientes que, apesar do campeonato ainda não ter chegado a meio, este é um objectivo praticamente impossível de alcançar. 

Não estamos propriamente em Inglaterra, onde o Manchester United se assumiu como candidato com os tais 10 pontos de diferença do líder, números que, por cá, todos julgam(os) inultrapassáveis.
Na Premier League até os poderosos e ricos plantéis de Chelsea ou City parecem estar ao alcance de qualquer adversário.
Já na pobre Liga portuguesa qualquer adversário sabe com que linhas se cosem as competições…ou em que tachos se cozem as vitórias.
Por esse motivo é que o Chelsea levou recentemente 5 passas do Tottenham, depois de já ter perdido pontos com os medianos Newcastle, Sunderland ou Southampton.  
Por cá, com um plantel a roçar a mediocridade, a lampionagem perdeu pontos apenas com Sporting e Braga, praticamente no fecho da primeira volta.

Quase tão complicado quanto o campeonato apresenta-se, a meu ver, a Liga Europa.
Numa competição de mata-mata tudo é possível, mas a qualidade do vice-líder do campeonato alemão e da panóplia de boas equipas ainda presentes na competição antevêem uma tarefa demasiado complicada para a qualidade e extensão do nosso plantel.
Se poucos são os que (cautelosamente) dão a conquista da Taça de Portugal como garantida, tendo Famalicão, Marítimo ou Nacional e, possivelmente, o Braga no nosso caminho, não entendo como se pode afirmar (como tenho lido com frequência) que somos sérios candidatos a vencer a competição europeia quando nela encontramos nomes como Nápoles, Zenit, Roma, Valência, Sevilha, Tottenham, Fiorentina, Inter ou Liverpool, entre tantos outros.

Noutro nível de comprometimento encontramos a Taça da Carica.
A estrutura leonina parece não a encarar com a seriedade de outros anos e, deste modo, não deverá ser vista como um objectivo para a época em curso.

É com este cenário que chegamos ao jogo de hoje que, pelos motivos explanados, confere-lhe um interesse redobrado.
No entanto, Marco Silva poderá esbarrar em diversas incógnitas.
Logo à partida, a quantidade de jogos que terá que efectuar nos próximos dois meses, praticamente sem direito a folgas.
Serão 15 (ou 16) jogos em 2 meses, onde se incluem jogos com Braga, porto, benfica e wolfsburgo, entre muitos outros de maior ou menor dificuldade.
Apesar de podermos realizar mais 4 ou 5 jogos neste período do que os principais adversários para o campeonato, o Sporting terá os jogos da Taça da Carica para fazer descansar os jogadores mais utilizados, mas é fácil constatar que não há muito por onde espremer o plantel.
Em sentido contrário encontra-se uma outra encruzilhada. É que mesmo que o título seja uma miragem, a presença na Champions afigura-se como uma prioridade e uma obrigação para o clube.
Por isso, provavelmente, o Sporting jogará hoje com o Famalicão um jogo fundamental mas com Braga no pensamento, outro jogo onde não se poderá falhar.
Foi necessário um “golpe de asa” para ter Nani disponível para esse jogo, mas hoje não se pode correr o risco de perder Carrillo, William, Jefferson ou qualquer outro dos titulares indiscutíveis.
O Sporting terá a obrigação de, mesmo com metade dos titulares de fora, vencer a equipa famalicense sem passar pelo sofrimento da última eliminatória.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Mini-dérbi

Hoje há mini-dérbi.
O Sporting B recebe os mini lampiões a partir das 15 horas, na Academia Aurélio Pereira.
Será uma boa oportunidade para voltar a medir a força da formação de ambos os emblemas. Cada vez mais, esta tem servido como arma de arremesso entre os adeptos dos dois clubes ou, curiosamente, entre adeptos do próprio clube.
Depois de uma fase de resultados negativos, e mergulhada numa reestruturação que parecia não ter colhido os frutos pretendidos, a equipa B leonina parece navegar em águas mais tranquilas e mais abrigada das duras críticas a que foi sujeita.
Do outro lado, uma equipa que parece imune às críticas, aos maus resultados ou ao mau futebol.
A verdade é que se os mini leões vencerem os mini lampiões, as equipas ficam empatadas na tabela classificativa, e poderão afastar de vez o espectro de projecto falhado.
Tudo se precipitará caso não aconteça o resultado pretendido.
Tudo voltará a ser posto em causa, desde as contratações de BdC ao treinador, passando por todo o trabalho desenvolvido na Academia.

Ao ver o quadro com as equipas prováveis, salta à evidência a falta dos mais promissores jogadores do plantel e criativos do nosso meio campo.
Gauld e Wallison estão castigados, como que a dar sequência ao que tem sido a época desta equipa. Expulsões atrás de expulsões, amarelos atrás de amarelos.
Do outro lado…NADA A REGISTAR.

Convém não esquecer que também este campeonato tem sido marcado por arbitragens lamentáveis. Não só os atletas leoninos têm sido duramente penalizados, talvez pela cor da sua camisola ou da barba do seu presidente, como as arbitragens nos jogos dos encarnados têm motivado queixas sucessivas dos clubes adversários.

Esperemos que Jorge Ferreira não confirme nem a tendência nem a desconfiança que nos assalta.


domingo, 4 de janeiro de 2015

A galinha da vizinha

A galinha da vizinha é sempre melhor que a minha.

Não sendo um consumidor compulsivo de futebol, vou vendo um ou outro jogo por semana.
Não sendo um consumidor compulsivo de opiniões sobre futebol, vou lendo um ou outro comentário por semana.

Ontem, enquanto assistia ao Sporting-Estoril, dei por mim a recordar-me de muito do que foi sendo escrito acerca de alguns jogadores.
Mesmo que o futebol não seja uma ciência exacta e que os jogadores estejam sujeitos a imensos factores que alteram o seu rendimento, foi curioso verificar a performance de alguns jogadores que ontem evoluíram em Alvalade.
Foi curioso verificar o tormento por que passou Emídio Rafael, cada vez que Carrillo lhe aparecia pela frente. Formado no Sporting, um ou outro bom jogo levaram muitos a considerar que foi mais um bom jogador que o clube não soube aproveitar.
No lado oposto, Jefferson chegou na presente época a ser apelidado de gordo, e que o Sporting teria ido pescado ao Estoril o peixe mais pequeno, tendo ficado os nossos rivais com o peixe graúdo.
Penso que se estariam a referir a Steven Vitória, a Carlos Eduardo, a Evandro ou a Licá…todos com carreiras de sucesso, como se sabe.
Quem também ontem borrou a pintura foi Diogo Amado. É verdade que já actuou a muito bom nível, principalmente na época passada, mas o ex-júnior leonino por que muitos sportinguistas suspiraram pelo seu regresso há uns meses atrás voltou a exibir-se a um nível muito abaixo do exigível.
Já Anderson Esiti nunca jogou no Sporting, mas durante meses foi associado ao nosso clube, quando ainda jogava no Leixões, apontado como possível substituto de William Carvalho.
Pois pelo que se pôde ver ontem, jogou incomparavelmente melhor William ao pé-coxinho do que o esforçado nigeriano.
Também segui atentamente as correrias desenfreadas de Kléber, por quem os sportinguistas choraram baba e ranho. O brasileiro foi mais um dos que nos fugiu por entre os dedos, indo parar às malhas apertadas de um clube lá do Norte. Nunca terá sido aplaudido em Alvalade, como aconteceu a Rúben Micael, mas talvez porque nunca se tenha proporcionado essa possibilidade.
No banco esteve sentado Afonso Taira, outro ex-leão.
Com apenas 14 minutos jogados neste campeonato, seria difícil fazê-lo ontem, mas também ele me fez recordar o que li sobre a sua dispensa, considerada por muitos como incompreensível. 
Aos 22 anos ainda vai a tempo de uma carreira interessante, principalmente se alguém reparar nele. Sem jogar vai ser mais complicado.


Na derrota caseira com o Estoril de Marco Silva, no último jogo da temporada passada, muitos foram os que disseram que o jovem treinador assentaria que nem uma luva no nosso clube.
O futebol de posse de bola, descomplexado e alegre desse e outros jogos contrastava com o estilo muito mais pragmático e acanhado de Leonardo Jardim.
Foi feita a vontade a muitos, mas rapidamente se voltou a preferir a galinha do Mónaco, com o seu futebol de 1-0, e pouco dado a cativar os adeptos. Sempre seria preferível ao Sporting de Marco Silva que se apresentou em Guimarães e onde sofreu a única derrota do campeonato.
Nesse infeliz dia, qualquer Anderson Esiti ou Kléber voltaria a ser uma apetecível galinha.