terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Nem tanto ao mar...

O não apuramento da nossa equipa de sub17 para a fase seguinte do campeonato da categoria deixou muitos sportinguistas em estado de choque.
Este aparente definhar da formação tem também na equipa júnior outro sinal de alerta, precisamente quando a Academia volta a ser falada depois de mais uma Bola de Ouro entregue a Ronaldo.
Quem comigo priva quase diariamente sabe que não minto quando digo que há alguns anos que anuncio este desfecho.
Não quer dizer que não haja retorno.
Basta olhar à volta e verificar qual era, há pouco tempo atrás, o estado da formação do rival que agora se inveja . No entanto, não deixa de ser preocupante que não tenha havido a visão estratégica que esteve na base dos créditos e títulos conquistados.

Contudo, por vezes sou tentado a olhar para lá dos números que sustentam este adormecimento...ou estado comatoso da nossa formação.
É verdade que as taças são a materialização do trabalho efectuado, mas um clube que se orgulha na sua formação tem que saber relativizar alguns insucessos que possam acontecer. 
Se o Sporting ganhou 13 títulos nos primeiros 8 anos de Academia, nos últimos 4 anos só venceu 2 campeonatos.
A época 20010/11 foi a primeira onde o Sporting não conseguiu nenhum troféu (desde que se mudou para a Academia), e achei interessante comparar a geração sub19 dessa época com a anterior, campeã nacional de juniores.
Apesar dos repetentes William, Zezinho e Luís Ribeiro, a verdade é que a geração que não foi campeã na referida época apresenta um nível global e valores individuais muito superiores.
Nomes como João Mário, Iuri, Betinho, Esgaio, Agostinho Cá, Chaby, João Carlos, Mica ou Ilori contrastam com um grupo de jogadores dos quais só William e Cédric estão no plantel principal, enquanto L.Ribeiro e N.Reis na equipa B e Zezinho e Kikas, no estrangeiro, fermentam à espera de uma última oportunidade.

É verdade que, na época seguinte, esse mesmo grupo de jogadores venceria o título nacional de juniores (época 2011/12)…mas ninguém nos garante que a equipa que actualmente é criticada e se arrasta pelo campeonato da categoria não possa, na próxima época, inverter a tendência.
Mas se o Sporting campeão júnior de 2009/10 só aproveitou, até ver, dois jogadores para o seu plantel principal, o segundo classificado (benfica) não aproveitou nenhum. O contingente de 11 brasileiros, 2 angolanos, 1 senegalês, 1 georgiano e 1 guineense (para lá de uns quantos portugueses) praticamente desapareceu do mapa futebolístico, um pouco à imagem da maioria dos nossos referidos campeões.

Garantidamente, não reside na nossa Academia nenhum futuro Bola de Ouro, mas já ficaria satisfeito se pudesse antever que os nossos escalões continuarão a alimentar o plantel principal com a qualidade que nos habituou...mas podem ir ganhando um campeonato ou outro que nenhum de nós fica chateado.

Plantel campeão 2009/10

Verde e cinzento

O mundo que nós conhecemos sempre esteve partido em dois.
Praticamente desde que Portugal e Espanha celebraram o Tratado de Tordesilhas e dividiram o mundo em duas metades, há 521 anos atrás.
Os tempos mudaram mas a bipolarização tem acompanhado a evolução. Nunca pareceu haver lugar a zonas cinzentas.
Ou se era simpatizante do Bloco Ocidental ou do Bloco de Leste, durante a Guerra Fria.
Ou se gosta de PS ou PSD, Democratas ou Republicanos, Pespi ou Coca-Cola, Super Bock ou Sagres.
Quase sempre a duas cores.
O próprio Maradona disse que para ele só há preto e branco. Não há cinzento.
No desporto também é um pouco assim.
Real ou Barça, Sporting ou lampionagem, Ronaldo ou Messi.
De todos estes exemplos só me revejo no Sporting, apesar de haver um movimento que pretenda afastar o clube leonino desta dicotomia e passar a existir apenas a rivalidade porto-benfica.
Apenas por uma vez fui tentado a escolher o que havia disponível nos pratos da balança e tornei-me, deste modo, verde e cinzento.

Apesar do verde toldar-me por vezes a razão, o cinzento permite que me consiga abstrair das demais matérias em discussão.
É por isso que observei a escolha de Ronaldo como vencedor da Bola de Ouro com uma saudável equidistância.
Claro está que o jogador madeirense, tal como em tempos Figo…representa a formação do Sporting e ambos são um tremendo porta-estandarte do clube, mas não é essa “coincidência” que me ofusca as ideias.
A escolha de um jogador não é uma matéria pacífica. Nunca o será.
Se já é difícil escolher entre Montero e Slimani ou entre Sarr e Maurício, mais complicado se torna determinar quem foi o melhor num determinado período, em equipas diferentes, e com todas as nuances que um longo ano civil comporta. Apesar de tudo, não tenho pudor ou preconceito em reconhecer quando Messi ou qualquer outro é melhor que o português.
Já a maior parte dos adeptos fica amarrado ao seu objecto de culto, à sua religião.
Fica amarrado ao jogador, mas essencialmente ao clube que ele representa no momento, mesmo com uma ou outra saudável excepção.
Sim, porque Ronaldo/Messi é o prolongamento do Real/Barça.
Basta ler metade dos milhares de comentários do diário Marca para nos apercebermos que 99% dos adeptos do Real não encontram mérito em Messi, e vice-versa.
Qual seria a opinião de muitos dos sportinguistas-madridistas se CR7 jogasse no Barça?
Provavelmente gostariam tanto dele quanto os adeptos sportinguistas-culés gostam dele actualmente. 

Até o mediatismo mundial do evento foi ganhando peso pela tonelagem dos dois gigantes espanhóis.
Não acredito que houvesse esta obsessão com a escolha se os intervenientes tivessem outra origem. Aliás, como aconteceu num passado recente, até que há oito anos atrás estes dois extra-terrestres se tornaram na imagem do próprio futebol.
Há dez anos atrás não esteve este circo montado quando se escolheu entre Ronaldinho, Henry e Schevchenko.
A escolha era mais pacífica e menos sujeita a política e propaganda.

Muitos sportinguistas também se deixam guiar pela emoção e levam muito a peito esta escolha.
Chegam até a ofender ou a colocar em causa o sportinguismo alheio caso não apreciem as qualidades de Ronaldo.
Tem que se gostar de CR7 por ser sportinguista, mesmo que muitos sportinguistas andem constantemente numa luta fratricida por todo e qualquer motivo, onde só não vale é tirar olhos.

Mas este dilema entre Ronaldo e Messi, Real e Barça não tardará muito a acabar…(e os sportinguistas continuarão a digladiar-se por todo e qualquer motivo).
Ronaldo terá mais três ou quatro épocas para se manter no pódio dos melhores do mundo, enquanto Messi poderá optar por outros desafios, e ficaremos então a saber se alguns dos seus fãs continuarão a tê-lo como referência.

Ronaldo arrecadou a sua 3ª Bola de Ouro (ou Bota de Ouro, conforme Nuno Gomes teima em apelidá-la) e pareceu-me uma escolha justa.
Apesar dos números também estratosféricos de Messi, as conquistas e regularidade de Ronaldo desequilibraram nitidamente a balança.
Mas a verdade é que apesar desta minha cinzenta opinião, há quem veja as coisas de outro modo, como o jornalista Luís Avelãs.
Para ele, seria coerente escolher um alemão.
Só faltou dizer que podia ser um qualquer, desde que fosse alemão.
Assim do tipo… Grosskreutz ou  Weidenfeller…desde que tivesse estado presente no Mundial do Brasil.
O Mundial aparece agora, para alguns, como a batuta que deve marcar o compasso desejado.
Pelos vistos, uma prova com 30 dias de duração deverá reger o que é produzido pelos atletas durante 365 dias. Talvez para voltar a escolher um qualquer Cannavaro, campeão mundial com a sua selecção e vencedor "surpresa" da Bola de Ouro em 2006.
Curioso que o próprio Messi venceu este mesmo galardão em 2010, apesar da Argentina ter caído estrondosamente nos 1/4 de final do Mundial desse ano.

Independentemente das análises que se continuem a fazer, sustentadas em vários dogmas ou preconceitos, continuo a acreditar que estamos perante dois dos melhores jogadores da história. História que verá ampliada a discussão de quem foi o melhor de sempre.
Pelé, Maradona…Ronaldo e Messi!!

Certezas de quem é ou foi o melhor, não!!



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

ROC e Pumba

Não tenho por hábito ver aqueles programas televisivos de debate com representantes dos três maiores clubes portugueses.
Nem sei bem como se chamam, e sempre confundo quem faz parte de qual.
Ontem, no entanto, tive curiosidade em rever o golo de Tanaka e os melhores momentos do jogo e acabei por fazer um zapping pelos programas do dia.

No entanto, o que me chamou a atenção foi que dois destes programas faziam a mesma pergunta aos seus fiéis telespectadores.
“Quem tem sido mais beneficiado pelas arbitragens?”

O programa da TVI abriu as linhas telefónicas e, aparentemente, o bom-senso parecia prevalecer.
Nos primeiros minutos de votação a lampionagem liderava com larga vantagem sobre o outro clube habituado a ser levado ao colo.
80% achava que o benfica tem sido o mais beneficiado, seguido do porto com 13% e do Sporting com 7%.
No entanto, com o decorrer do tempo a tendência foi mudando. Os lampiões uniram os seus esforços e trataram de digitar o número de telefone de quem lhe faz frente no campeonato.
Fariam o mesmo se o Penafiel fosse em segundo lugar.
Convém afastar de si os holofotes da desconfiança.
No final, 50% dos telespectadores desse canal acharam que o porto tem sido o mais beneficiado, contra 43% que acham que tem sido o benfica, e 7% o Sporting.

Na RTP, à mesma hora, acontecia votação idêntica.
Aqui os resultados foram mais desnivelados, e 71% considerou que o porto tem sido o clube mais beneficiado, contra 25% que considerou o benfica e 4% de lampiões alucinados, ainda presos à rivalidade histórica, que consideram que o Sporting tem sido beneficiado pelas arbitragens.

As reacções a estes números também se fizeram sentir.
Na TVI, quando foram anunciados os resultados, ouviu-se uma sonora gargalhada de todos os presentes, salvo (penso eu) do representante do clube do colo.
Já a RTP não nos permitiu ouvir, mas o moderador de serviço fez questão de referir que Gobern rematou a votação com a expressão…”PUMBA !!”.

Não sei o que o nosso Timon achou da votação, mas o Pumba parece ter ficado satisfeito.


Diagnóstico veloz

É bom ter jogadores rápidos.
Dá jeito nas mais diversas situações.

Ontem pudemos comprovar, na celebração do golo, que até William é mais rápido do que apregoam.

No entanto, um dos que atravessou o campo com maior velocidade terá sido o médico Frederico Varandas.



Terá feito perto de 14 segundos nos 50 metros planos em fato e gravata, o que o deverá colocar no top 3 dos médicos mais rápidos do campeonato.


domingo, 11 de janeiro de 2015

André Tanaka Cruz

Braga 0 Sporting 1

O Sporting conseguiu a sua 6ª vitória consecutiva, e fez o 5º jogo seguido sem sofrer golos.
Depois de vencer por 1-0, 2-0, 3-0 e 4-0, estava convencido que hoje o resultado seria 5-0, para manter alguma coerência…mas não pôde ser.
Assim sendo, penso que não se podia pedir mais.
Vencer sem sofrer golos no terreno de um complicado adversário, marcando no último lance do jogo foi o melhor que nos podia ter acontecido.
Bem, melhor só se a bola tivesse batido na barra e ressaltasse na boca de Hugo Miguel antes de entrar na baliza. Esse talvez fosse um cenário idílico.

O jogo correspondeu às expectativas.
Duelos individuais intensos, muita luta, períodos de superioridade alternados e muita simulação…na tentativa de castigar disciplinarmente o Sporting.
Apesar de ter dado um verdadeiro recital de apito, nesse aspecto o árbitro designado soube resistir à inegável qualidade da arte circense que os jogadores bracarenses demonstraram.

Como é normal após a maior parte dos jogos, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e é normal ouvirmos considerar que o resultado foi justo ou injusto, consoante o técnico ou jogador de serviço.
Não fossem os meus olhos estar a enganar-me, quis ouvir o que dizia o treinador-adjunto bracarense.
Ao considerar que o resultado mais justo talvez fosse o empate, tive como garantido que a vitória assenta-nos como uma luva. 
Convém não esquecer que o Braga detinha, a seguir à lampionagem, o melhor saldo caseiro, apenas com um empate consentido e dois golos sofridos em 7 jogos. Foi inclusivamente na Pedreira que os líderes do campeonato sofreram a sua única derrota, pelo que esta vitória arrancada a ferros ainda tem mais significado.

Apesar de um ou outro jogador ter estado a um nível superior, quem tatuou o seu nome na história do jogo foi André Tanaka Cruz.
Aquela pedrada ao ângulo fez recordar um central de boas memórias e terá servido para alguns dos indefectíveis críticos de jogadores menos utilizados pelo Sporting engolirem um sapo em cru, tipo sushi.

Mas quem (diabos) é Tanaka, perguntavam uns italianos há uns meses atrás??
Está apresentado.