quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Questão central

Nunca acompanhei atentamente o futebol italiano, talvez por ter ficado demasiadas vezes entediado com o famoso catenaccio, a aborrecida táctica pragmática e ultra-defensiva que foi imagem de marca do futebol transalpino.
Por esse motivo até perco o rasto a alguns ex-jogadores leoninos que se mudaram para o (em tempos) aliciante "Calccio"...onde nem todos calçam.
Quase nem me recordava de Pedro Mendes, o central formado em Alvalade e que assinou pelo Parma enquanto o Sporting renegociava o seu contrato, ficando a chuchar no dedo relativamente a compensações financeiras pela mudança.
O jogador era dos mais admirados pela (por vezes) pouco exigente massa crítica leonina, que viam nele, em Nuno Reis, Tobias, Dier, Rúben Semedo ou Ilori o futuro do Sporting e da selecção nacional.
Uns, mais que outros, têm o futuro nas suas mãos. Outros, mais que uns, têm uma boa conta bancária.

Pedro Mendes, na época passada actuou 11 vezes como titular, num total de 15 nos 38 jogos do campeonato, e a equipa só venceu 5 desses jogos.
Na presente época o central foi 9 vezes titular e a equipa perdeu 8 desses jogos.
Apesar de ainda faltarem 18 jogos para o final da Série A, o Parma (e Pedro Mendes) está com um pé na Série B italiana.
Quem por lá anda é o Catania, de Rinaudo.
O que em tempos foi a estrela da companhia leonina também parece ter perdido parte da sua aura, e a sua equipa também luta por se manter no segundo escalão, estando neste momento em zona de play-off de despromoção.
Mas a Fito ninguém tem nada a apontar, e apenas as lesões e algumas lacunas técnico-tácticas o impediram de ser mais feliz de leão ao peito.
De Pereirinha também tenho sabido pouco, mas a época da Lazio está a correr dentro das expectativas.
Quinto lugar actual, para o qual o ex-médio leonino contribuiu com pouco mais de 90 minutos de jogo.
A acreditar nas notícias que chegam de Itália, Maurício pode juntar-se hoje à equipa azul de Roma.
Mais um para perder o rasto?

p.s. Entretanto o Sporting confirmou a cedência de Maurício, que irá render 2.65 M€ no final da época. Estará por certo para chegar o central que tem vindo a ser falado nas últimas semanas, para desgosto de muitos.

Ganhar uns cobres

É praticamente garantido. O Paços de Ferreira vai continuar com 23 pontos no final da jornada 18.
Bruno Paixão foi o árbitro designado para apitar o líder no complicado campo da Capital do Móvel.
Já foi assim noutro campo com as mesmas características, no passado mês de Novembro.
Não houve expulsões.
Não houve penáltis.
No 1-2 da lampionagem o auxiliar não teve dúvidas.
No lance que daria (por certo) o empate ao Nacional também não.
Vá, toca a ir a um site de apostas e tentar ganhar uns cobres.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Molhar a sopa

Héldon e Slimani já molharam a sopa na CAN.
É sempre agradável ver os nossos jogadores a ter sucesso nas suas selecções, mesmo que isso possa ser visto como um pau de dois bicos.
Por um lado as suas exibições vêem o nome do Sporting associado, enchem os adeptos de orgulho e aumentam a sua cotação para uma futura transacção.
No pólo oposto os jogadores podem ficar mais reivindicativos, mais sujeitos à gula de equipas com alguma bagagem negocial e, por fim, podemos ficar privados dos jogadores por mais tempo, caso as suas boas exibições configurem vitórias.
Ontem, quando Slimani marcou o 3º golo da Argélia, foi possível ver nas bancadas um homem com uma bandeira portuguesa, um cartaz com o símbolo do Sporting ostentado por uma rapariga com uma camisola às riscas verdes, e pelo menos mais uma pessoa com a camisola listada e com o leão ao peito.
Já eu não estava assim tão feliz, porque prefiro que o argelino venha o mais rápido possível.
E já agora Héldon, que acho que ainda pode dar algo ao clube.
Se Slimani não fez uma exibição de encher o olho, já o cabo-verdiano foi considerado o homem do jogo no empate com a Tunísia, e até a BBC questionou porque é tão pouco utilizado no Sporting.
É difícil encontrar respostas, mas para muitos observadores mais ou menos leigos esta opção prende-se com a falta de qualidade para envergar a nossa camisola. O último jogo que fez pelo clube foi na vitória em Guimarães, para a Taça da Liga, e o golo marcado não disfarçou uma exibição condizente com a da retalhada equipa leonina. Esforçada mas pouco vistosa. Seria difícil pedir mais a uma equipa B.
No entanto, parece-me evidente que Héldon tem sido vítima da forma e qualidade evidenciada por Nani e Carrillo. Mané, por questões de vária ordem, tem aparecido como 3ª opção, e só não compreendo como o inconsequente Capel empurrou Héldon para o último lugar da hierarquia.
Fala-se que ambos estarão no mercado, mas eu não me importaria que se desse mais algumas oportunidades a Nhuck. O sportinguismo não faz de ninguém um bom jogador, mas pode ser um bom tónico para ter sucesso no clube do coração quando se tem qualidade nas pernas.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Olhó tremoçoooo!!

O futuro-ex-treinador Manuel José afirmou hoje que "A Paulo Fonseca deram tremoços e a Lopetegui lagosta".
Considera também que "com este plantel, Paulo Fonseca era capaz de estar a liderar o campeonato".
Calculo que as alusões gastronómicas de Manuel José se devam às inúmeras patuscadas no Manel d'Água, em Castro Marim, mas uma dúvida me assalta.
Se a Paulo Fonseca deram tremoços, o que é que Leonardo Jardim tinha no pires?
Cascas?
Ou isso, ou a Paulo Fonseca deram tremoço ao preço da trufa.



Querido diário. Hoje sentei Dani Alves.

A Academia do Sporting tem estado no olho do furacão na sequência de resultados desportivos que não se coadunam com a sua curta história.
Além disso, também pelo facto de não se perspectivar qualidade desportiva em muitos dos jovens atletas que vestem as nossas cores.
Como não bastassem todos os problemas que o clube foi coleccionando, o fungo que tomou conta da Academia foi quase a gota de água que faria qualquer copo transbordar.
Claro está que muitas são as atenuantes que poderiam amainar algumas das críticas, quase todas elas já faladas aqui e ali.
Pouco interessa se o Barcelona B e a consagrada La Masia, uma das grandes escolas do Mundo, é a última das equipas B representadas nos campeonatos profissionais espanhóis, e quase em zona de descida. O que interessa realmente é que a lampionagem está à nossa frente na II Liga.
A própria filosofia da Academia catalã poderia ajudar a explicar que, por muita exigência e qualidade possam existir nos processos, a maioria talvez não chegue lá, como se pode inferir pelas palavras de Folguera:

“Este centro formativo dedica-se fundamentalmente à construção humana e pedagógica. Aqui formamos homens e não atletas. Queremos que estejam cientes que é difícil chegar à elite e, caso o desporto não os ajude, possam ir para casa e dizer: ‘O Barcelona cuidou de mim, estudei e agora tenho um curso universitário”.

Pouco interessa se, contra muitas expectativas e contrariando o enorme ruído de fundo, continuam a ser lançados jogadores da equipa B no plantel principal. O que realmente interessa são todos os outros que ainda não atingiram nem nunca atingirão esse patamar.
Já para não falar da equipa de Sub 17 que falhou estrepitosamente o acesso à fase final do campeonato. A equipa com o melhor ataque e a melhor defesa acabou por ficar a um golo ou um ponto de afastar o fantasma que continua a pairar sobre Alcochete.
A mais recente convocatória para um estágio de observação de sub19 pode ajudar a confirmar que mudou o paradigma na formação. Nove atletas da lampionagem, contra apenas 3 do sporting podem ser os novos ares ou, apenas, uma má geração leonina.
A juntar-se aos preocupados adeptos leoninos estão alguns insuspeitos e sempre coerentes jornalistas.
Se antes elevavam à categoria de pepita de ouro qualquer calhau que fosse desenterrado nos terrenos da Academia, agora fazem o mesmo com os calhaus do Seixal.
Temos podido assistir ao interminável desfilar de nomes que poderão dominar o futebol mundial nas próximas décadas, onde o denominador comum é o centro de treinos ali a caminho da Arrentela.
Hoje, por exemplo, ao vasculhar notícias nas páginas da internet, fiquei estarrecido ao saber que Ivan Cavaleiro tinha sentado Dani Alves e Piqué, no recente confronto entre o Deportivo e o Barcelona.
A notícia adianta que o prodígio humilhou o defesa brasileiro, e que estava a ser o melhor da equipa ao ser substituído, o que valeu uma enorme assobiadela por parte dos exigentes adeptos da Corunha.
Tinha que tirar isto a limpo.
Fui ver o vídeo. É de facto uma jogada que poderá ficar não só nos anais da competição, como inclusivamente do futebol mundial. Foi pena que não tivesse dado golo…nem sequer que se tivesse aproximado da área, mas Ivan deverá ter anotado o evento no seu diário para mais tarde contar aos netos. A goleada caseira é um facto de somenos importância, perante jogada tão sublime.
Também fui ver o que dizia o diário Marca relativamente ao jogo.
Cavaleiro levou nota 5, a pior dos que pisaram o relvado de Riazor, apenas igualado por mais um par de colegas de equipa.
Estes jornalistas espanhóis não percebem nada do assunto.




Com quatro letrinhas apenas se escreve a palavra golo


Dizem que as vitórias sofridas são as mais saborosas.Compreendo essa visão dramática, com um pouco de romance à mistura, mas poupem-me a sofrimentos, se faz favor.Apesar da boa réplica dos vilacondenses, o Sporting produziu o suficiente para ter prevenido uma síncope aos seus adeptos.
Mesmo com uma primeira parte a baixo ritmo, a fazer recordar jogos de má memória onde perdemos pontos fundamentais em Alvalade, o jogo apresentava-se ligado e com potencialidade para marcar a qualquer instante.No entanto, apenas uma penalidade muito protestada pelo adversário nos colocaria na frente do marcador.
O lance, do qual não precisei de repetições para confirmar o que tinha visto em tempo real, pode ser analisado de vários prismas. Primeiro, pela ingenuidade de Montero, ao não se deixar cair perante o agarrão que o impediu de controlar a bola. É que com uma aparatosa queda ninguém teria dúvidas que o lance é, de facto, falta. Como ninguém teria dúvidas se a falta ocorresse a meio campo. Mas com um lance destes ocorrido na grande área outros jogadores, de outros clubes, a esta hora ainda estariam a rebolar-se na relva, e ninguém poria em causa a ilegalidade cometida.
Mas a visão dos vilacondenses é diferente, de tal modo que o árbitro até foi abalroado por um par de jogadores, mas passaram sem a punição adequada que seria, obviamente, a expulsão.
Apesar do Sporting se ter colocado justamente em vantagem esta não durou muito, e a ausência de Adrien pode ajudar a explicar alguma falta de gestão de ritmos e momentos que a equipa demonstrou.
Sofrer um golo na sequência de um pontapé de canto a nosso favor era uma imagem de marca das equipas de Paulo Bento, e hoje voltámos a cometer um erro capital porque faltou quem matasse a jogada na origem.
Mas a segunda parte trouxe um Sporting com um ritmo diabólico, e nos primeiros 20 minutos poderia ter construído um resultado a salvo de qualquer reacção adversária.
Só por este motivo considero que nem sequer foi pelo sub-rendimento de André Martins que a equipa teve dificuldade, quase até à estocada final de Tanaka.
Ainda o resultado estava em 1-1 e já eu suspirava pela entrada do pequeno Gauld, para o lugar do pequeno Martins.
O 2-1 surge ainda antes da entrada do escocês, e o 3-1 já teve participação do jovem que poderá calar muitos dos que contestaram a contratação de um miúdo de 19 anos a quem foi cuspido e colado um rótulo inadequado.
Também Tobias se estreou no campeonato, fazendo o gosto a quem pretendia que um ou outro reforço viesse da equipa B. A sua exibição pautou-se por altos e baixos, mas o jogador ainda está a salvo dos assobios que poderiam eclodir caso Maurício tomasse as mesmas opções. Na retina fica-me um passe de ruptura quando o jogador corria na sua direcção para a recepção, e logo Alvalade brindou a falha com uma enorme ovação.
Era bom que fosse assim com todos os jogadores, tal como preconizo.
Quem não apresentou altos e baixos foi Jefferson, que continua numa forma imaculada.
O seu sprint final, já com mais de 90 minutos jogados e bastantes quilómetros nas pernas, demonstra que a presença de Jonathan no banco teve o efeito pretendido.
Já William também pareceu um interruptor.
Umas vezes para cima, outras para baixo. Da sua recuperação de bola e passe nasceu o alívio final, mas foram várias as vezes que colocou a equipa em sobressalto, e outras tantas as que ocupou deficientemente os espaços defensivos, proporcionando uma ou outra jogada de muito perigo para a nossa baliza.
No entanto, o que se deve realçar é a boa exibição e a vitória, que amplia para oito o número de vitórias consecutivas.
Voltámos a sofrer golos, depois de 6 jogos com a baliza imaculada mas, sinceramente, prefiro vencer por 4-2 do que por 2-0. Com quatro letrinhas apenas se escreve a palavra golo, e golo é emoção.


Apesar do equilíbrio defensivo ser fundamental e todos preferirmos não sofrer golos, a verdade é que é preferível gritar golo 4 vezes.
Como mero exemplo, para quem me quiser contrariar, recordo que as vitórias por 2-0 perante a lampionagem são saborosas, mas do 5-3 da Taça ninguém se esquece e ganhou um brilho suplementar.
Com tudo isto viramos o campeonato no 3º lugar, ainda a impossíveis 10 pontos da liderança e a complicados 4 pontos do 2º lugar.
Apesar da prova ter mais 4 jogos que o campeonato passado, é curioso constatar que os rivais têm uma pontuação muito superior à época 2013/14, e o Sporting apenas tem menos 2 pontos que à 17ª jornada sob orientação de Leonardo Jardim.
De repente parece que deixou de ser importante esta comparação.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

De costa a costa

As notícias de hoje continuam a colocar o central Ricardo Costa no radar do Sporting.
O próprio jogador já confirmou que houve abordagens com os seus representantes, pelo que podemos estar perante uma possibilidade e não um mero boato.
Seja qual for o desfecho deste interesse, Ricardo Costa nunca será consensual.
Para uns será um central experiente, com passagens por alguns campeonatos competitivos.
Para outros será um central velho, que andou por equipas medianas.
Para uns será um jogador com raça e entrega.
Para outros será um jogador sem a velocidade de outros tempos.
Para uns será um defesa que poderá dotar a defesa de mais agilidade de processos.
Para outros será um defesa baixo, que poderá trazer mais problemas nas bolas paradas.
Para uns será um jogador com 14 títulos no seu currículo.
Para outros será um jogador que só venceu um título, desde que saiu dos corruptos.
Para uns será mais um sportinguista a vestir finalmente a camisola leonina.
Para outros será mais um ex-jogador do porto.

Numa altura em que a equipa e a defesa leonina passam pelo seu melhor momento, o nome de Ricardo Costa será encarado como uma solução de recurso.
Se tivesse sido há um mês atrás, quando Talocha fez o jogo da sua vida, Ricardo Costa seria aceite sem pestanejar.

No entanto, a história mais recente indicia que só teremos novidades no final do fecho do mercado. Enquanto as outras equipas já começaram a remendar os erros diagnosticados, o Sporting tem por hábito esticar o período de transferências até à última badalada.
Ontem, por exemplo, ficámos a saber que Iuri e Fokobo foram cedidos ao Arouca, mas neste caso (como ontem tive oportunidade de referir) teria sido preferível adiar o empréstimo até à data de encerramento do mercado.
É que o Sporting desloca-se a Arouca no primeiro dia de Fevereiro e, dado que o clube não tem por hábito recorrer a estratagemas utilizados por outros para impedir que os seus atletas defrontem a casa-mãe, teria sido coerente dificultar a utilização dos referidos jogadores contra o nosso clube.
Também os rivais vão fazendo os seus ajustamentos, mas a torneira de onde saía dinheiro com abundância parece estar apenas a pingar.
Por isso também estes estão muito mais comedidos e a olhar para a prata-dourada que possuem no seu cofre, mas que passa perfeitamente por ouro aos olhos dos leigos, desatentos ou optimistas.
Parte deste optimismo assenta na ideia de que Jesus continua a ter o toque de Midas, e transforma tudo o que toca em ouro.
Coentrão continua a liderar este verdadeiro mito, mesmo que o próprio Jesus já não tenha feito mais que transformar em calhaus os seguintes 20 laterais esquerdos que lhe passaram pelas mãos, após a saída do caxineiro.
Hoje mesmo pude ler o central José Fonte referir que “Jesus vai fazer de Rui Fonte o melhor avançado de Portugal”.
Obviamente seria muito bom para a selecção nacional, porque Portugal não tem nenhum ponta-de-lança. Entre 0 e 1, seria óptima a segunda hipótese, mas como sportinguista não ficaria satisfeito, porque ia contra os nossos interesses.
No entanto, há não muito tempo o próprio Jesus terá dito “Faço de Djaló grande jogador”…com os resultados que se conhecem.
Depois de lhe ter falhado a magia com os laterais esquerdos, parece que com alguns avançados o seu toque é um toque de Mirdas, porque Nélson Oliveira, Ivan Cavaleiro ou Bebé também não beneficiaram das suas artes mágicas.
Parece que, de vez em quando, o toque de Midas parece mais um toque rectal.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ver o Sporting vencer...sempre.


Sportinguista que se preze gosta sempre de ver a sua equipa ganhar.
Seja no andebol, hóquei ou futsal, equipa A, equipa B ou juniores, campeonato, Taça de Honra, Taça da Carica ou Torneio do Guadiana.
Era esse o interesse de hoje.
Ver de novo o Sporting vencer, mesmo que se apresentasse com a equipa B numa competição desprezada pela estrutura leonina.

O jogo teve poucos motivos de interesse e foram raros os momentos de perigo junto à baliza boavisteira.
Ainda assim, os jovens leões ainda conseguiram meia dúzia de bonitos lances de entendimento e duas ou três ocasiões para resolver o jogo com mais antecedência.
De qualquer modo não se podem tirar grandes ilações do jogo porque o grupo de jogadores às ordens de Petit é das piores equipas que me recordo de ver jogar numa primeira divisão.
Na manobra ofensiva, então, é um deserto de ideias tão grande que bem podiam candidatar-se a realizar o próximo Dakar.
Apesar de não me considerar um modelo em termos de optimismo, durante o jogo fui prognosticando que, mesmo com 10, acabaríamos por vencer o jogo…e que a bola apenas entraria na nossa baliza através de um auto-golo.
Dá a ideia que Petit deve ter faltado às aulas de organização ofensiva, e já enquanto jogador também ficava com os fusíveis queimados cada vez que tinha que passar da linha de meio campo.
Mas aquela gente não faltou às aulas de confundir a opinião pública.
Deste modo, foi com desbragada naturalidade que consideraram que o resultado mais justo seria o empate, que durante a primeira parte estiveram por cima do Sporting, que a grande penalidade que favoreceu o Sporting não existiu, e que ficou por marcar um penálti a favorecer a sua equipa.
A minha única dúvida é se eles acreditam em fadas e, também, naquilo que dizem.

Quanto à equipa leonina, Boeck  apenas recebeu alguns atrasos e saiu a soco a um cruzamento. Não teve que fazer uma única defesa. Se a noite estivesse mais fria talvez tivesse preferido ficar em casa, à lareira.
Quanto aos laterais, Miguel Lopes sempre muito mais afoito no ataque, mas o dia não lhe correu bem. Muitos passes falhados, mas a entrega de sempre.
Geraldes cometeu menos erros mas também foi mais comedido nas suas incursões pela ala.
A dupla de centrais teve pouco trabalho, mas desta vez Sarr esteve mais seguro que Tobias.
Rosell fez circular a bola com fluidez, e quase fez circular o tornozelo do Cech. Viu o vermelho aos 60 minutos mas se tivesse visto três minutos antes não escandalizaria.
Escandalizaria, sim, que o árbitro tivesse o mesmo critério noutras entradas mais ríspidas dos jogadores axadrezados. Aliás, uma equipa de Petit fazer só 8 faltas durante o jogo deverá dar entrada no Livro dos Recordes.
Slavchev esteve ao seu nível, apesar de já ter conseguido ligar 3 ou 4 passes com os colegas.
Gauld continua a aguçar-me o apetite de como poderá integrar-se numa equipa com outros valores individuais e mais letal no ataque.
Esgaio esteve um pouco mais activo e eficiente que Podence, que deu quase sempre um toque a mais na bola.
Tanaka voltou a decidir o jogo, e entregou-se de corpo e alma os 90 minutos.
Sacko jogou 25 minutos mas praticamente só o vimos ocupar espaço.
Wallyson rendeu Slavchev e o meio campo não ganhou mais clarividência porque a equipa B já jogava com 10.
Rabia entrou perto do minuto 90 e passados 3 minutos estava no duche. Digo eu. Às tantas nem tomou banho.

Com esta vitória, o Sporting alcança a sua 7ª vitória consecutiva, o 6º jogo sem sofrer golos e mesmo com segundas e terceiras linhas, o Sporting estará perto das meias-finais da competição.
Claro está que, caso tal aconteça, a equipa terá o seu destino traçado pois teria que jogar no Estádio da Lã…pelo que é ir aproveitando estes momentos de competição para fazer crescer os miúdos. 


Eixo do mal

O programa “Tempo Extra”, com Rui Santos à viola, abordou ontem alguns dos temas da actualidade, com destaque para as queixas dos corruptos relativamente à arbitragem.
Após a jornada do fim-de-semana foi amplamente divulgada a tarja que os S.D. exibiram, com uma caricatura onde se satiriza o momento actual do futebol nacional.
(Numa semana em que tanto se falou em liberdade de expressão, levaram a brincadeira demasiado a peito).

Apesar de compreender a sua intervenção, acho inacreditável a leviandade com que se tratam estes assuntos.
Como é possível, depois de três décadas de despudorada corrupção/tráfico de influências, continuarmos a ouvir falar em ajudas, favorecimento e mudanças de paradigma.
Como é possível falar-se abertamente do problema que continua a consumir o nosso futebol, mas colocando os corruptos como a vítima nessa alteração de padrão.
Na sequência das queixas dos azuis, que reclamam duas penalidades por assinalar a seu favor, Rui Santos acrescenta:

 “Admito que o árbitro e até o fiscal de linha não tenham visto…mas estas circunstâncias, na dúvida, no passado… estes lances era imediatamente assinalados. Há uns tempos a esta parte, e penso que começou o ano passado, as coisas estão um pouco diferentes. Eu acho que há uma alteração do eixo de influência…”

(Penso que Rui Santos talvez quisesse dizer que há uma alteração do eixo do mal.)

“Também admito que o árbitro não tenha visto a falta sobre Óliver…mas antes, na dúvida, beneficiava-se o porto, agora, na dúvida, não se beneficia o porto. Acho isto interessante porque é uma mudança de comportamento, uma mudança de paradigma.
…agora, na dúvida, nesta nova correlação de forças , tem havido um conjunto de lances em que os árbitros têm beneficiado o benfica. Isto está de alguma forma traduzido na classificação.”

Rui Santos também apresenta a sua Liga Real que, como sabemos, peca por defeito, e onde é perceptível que o Sporting é o clube mais prejudicado.
No entanto, o realce do jornalista prende-se com o medo que deixou de haver no Dragão, com os lances que na dúvida deixaram de beneficiar o porto e com o conjunto de lances de que o benfica tem beneficiado.
Penso que não lhe teriam caído os parentes na lama se tivesse acrescentado que, entre o domínio de um e de outro, em caso de dúvida ou em caso de certeza, o Sporting nunca foi beneficiado. E, já agora, muitos dos que se calam para cair nas boas graças dos seus superiores.
Diria até que com a pouca-vergonha que continua instalada no futebol nacional, dar realce ao facto de terem colocado Inzébio empoleirado no andor que carrega a comitiva lampiónica rumo ao título é dar trunfos a quem tenta, a todo o custo, afastar de si a desconfiança de mais um campeonato ferido de morte.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Nem tanto ao mar...

O não apuramento da nossa equipa de sub17 para a fase seguinte do campeonato da categoria deixou muitos sportinguistas em estado de choque.
Este aparente definhar da formação tem também na equipa júnior outro sinal de alerta, precisamente quando a Academia volta a ser falada depois de mais uma Bola de Ouro entregue a Ronaldo.
Quem comigo priva quase diariamente sabe que não minto quando digo que há alguns anos que anuncio este desfecho.
Não quer dizer que não haja retorno.
Basta olhar à volta e verificar qual era, há pouco tempo atrás, o estado da formação do rival que agora se inveja . No entanto, não deixa de ser preocupante que não tenha havido a visão estratégica que esteve na base dos créditos e títulos conquistados.

Contudo, por vezes sou tentado a olhar para lá dos números que sustentam este adormecimento...ou estado comatoso da nossa formação.
É verdade que as taças são a materialização do trabalho efectuado, mas um clube que se orgulha na sua formação tem que saber relativizar alguns insucessos que possam acontecer. 
Se o Sporting ganhou 13 títulos nos primeiros 8 anos de Academia, nos últimos 4 anos só venceu 2 campeonatos.
A época 20010/11 foi a primeira onde o Sporting não conseguiu nenhum troféu (desde que se mudou para a Academia), e achei interessante comparar a geração sub19 dessa época com a anterior, campeã nacional de juniores.
Apesar dos repetentes William, Zezinho e Luís Ribeiro, a verdade é que a geração que não foi campeã na referida época apresenta um nível global e valores individuais muito superiores.
Nomes como João Mário, Iuri, Betinho, Esgaio, Agostinho Cá, Chaby, João Carlos, Mica ou Ilori contrastam com um grupo de jogadores dos quais só William e Cédric estão no plantel principal, enquanto L.Ribeiro e N.Reis na equipa B e Zezinho e Kikas, no estrangeiro, fermentam à espera de uma última oportunidade.

É verdade que, na época seguinte, esse mesmo grupo de jogadores venceria o título nacional de juniores (época 2011/12)…mas ninguém nos garante que a equipa que actualmente é criticada e se arrasta pelo campeonato da categoria não possa, na próxima época, inverter a tendência.
Mas se o Sporting campeão júnior de 2009/10 só aproveitou, até ver, dois jogadores para o seu plantel principal, o segundo classificado (benfica) não aproveitou nenhum. O contingente de 11 brasileiros, 2 angolanos, 1 senegalês, 1 georgiano e 1 guineense (para lá de uns quantos portugueses) praticamente desapareceu do mapa futebolístico, um pouco à imagem da maioria dos nossos referidos campeões.

Garantidamente, não reside na nossa Academia nenhum futuro Bola de Ouro, mas já ficaria satisfeito se pudesse antever que os nossos escalões continuarão a alimentar o plantel principal com a qualidade que nos habituou...mas podem ir ganhando um campeonato ou outro que nenhum de nós fica chateado.

Plantel campeão 2009/10

Verde e cinzento

O mundo que nós conhecemos sempre esteve partido em dois.
Praticamente desde que Portugal e Espanha celebraram o Tratado de Tordesilhas e dividiram o mundo em duas metades, há 521 anos atrás.
Os tempos mudaram mas a bipolarização tem acompanhado a evolução. Nunca pareceu haver lugar a zonas cinzentas.
Ou se era simpatizante do Bloco Ocidental ou do Bloco de Leste, durante a Guerra Fria.
Ou se gosta de PS ou PSD, Democratas ou Republicanos, Pespi ou Coca-Cola, Super Bock ou Sagres.
Quase sempre a duas cores.
O próprio Maradona disse que para ele só há preto e branco. Não há cinzento.
No desporto também é um pouco assim.
Real ou Barça, Sporting ou lampionagem, Ronaldo ou Messi.
De todos estes exemplos só me revejo no Sporting, apesar de haver um movimento que pretenda afastar o clube leonino desta dicotomia e passar a existir apenas a rivalidade porto-benfica.
Apenas por uma vez fui tentado a escolher o que havia disponível nos pratos da balança e tornei-me, deste modo, verde e cinzento.

Apesar do verde toldar-me por vezes a razão, o cinzento permite que me consiga abstrair das demais matérias em discussão.
É por isso que observei a escolha de Ronaldo como vencedor da Bola de Ouro com uma saudável equidistância.
Claro está que o jogador madeirense, tal como em tempos Figo…representa a formação do Sporting e ambos são um tremendo porta-estandarte do clube, mas não é essa “coincidência” que me ofusca as ideias.
A escolha de um jogador não é uma matéria pacífica. Nunca o será.
Se já é difícil escolher entre Montero e Slimani ou entre Sarr e Maurício, mais complicado se torna determinar quem foi o melhor num determinado período, em equipas diferentes, e com todas as nuances que um longo ano civil comporta. Apesar de tudo, não tenho pudor ou preconceito em reconhecer quando Messi ou qualquer outro é melhor que o português.
Já a maior parte dos adeptos fica amarrado ao seu objecto de culto, à sua religião.
Fica amarrado ao jogador, mas essencialmente ao clube que ele representa no momento, mesmo com uma ou outra saudável excepção.
Sim, porque Ronaldo/Messi é o prolongamento do Real/Barça.
Basta ler metade dos milhares de comentários do diário Marca para nos apercebermos que 99% dos adeptos do Real não encontram mérito em Messi, e vice-versa.
Qual seria a opinião de muitos dos sportinguistas-madridistas se CR7 jogasse no Barça?
Provavelmente gostariam tanto dele quanto os adeptos sportinguistas-culés gostam dele actualmente. 

Até o mediatismo mundial do evento foi ganhando peso pela tonelagem dos dois gigantes espanhóis.
Não acredito que houvesse esta obsessão com a escolha se os intervenientes tivessem outra origem. Aliás, como aconteceu num passado recente, até que há oito anos atrás estes dois extra-terrestres se tornaram na imagem do próprio futebol.
Há dez anos atrás não esteve este circo montado quando se escolheu entre Ronaldinho, Henry e Schevchenko.
A escolha era mais pacífica e menos sujeita a política e propaganda.

Muitos sportinguistas também se deixam guiar pela emoção e levam muito a peito esta escolha.
Chegam até a ofender ou a colocar em causa o sportinguismo alheio caso não apreciem as qualidades de Ronaldo.
Tem que se gostar de CR7 por ser sportinguista, mesmo que muitos sportinguistas andem constantemente numa luta fratricida por todo e qualquer motivo, onde só não vale é tirar olhos.

Mas este dilema entre Ronaldo e Messi, Real e Barça não tardará muito a acabar…(e os sportinguistas continuarão a digladiar-se por todo e qualquer motivo).
Ronaldo terá mais três ou quatro épocas para se manter no pódio dos melhores do mundo, enquanto Messi poderá optar por outros desafios, e ficaremos então a saber se alguns dos seus fãs continuarão a tê-lo como referência.

Ronaldo arrecadou a sua 3ª Bola de Ouro (ou Bota de Ouro, conforme Nuno Gomes teima em apelidá-la) e pareceu-me uma escolha justa.
Apesar dos números também estratosféricos de Messi, as conquistas e regularidade de Ronaldo desequilibraram nitidamente a balança.
Mas a verdade é que apesar desta minha cinzenta opinião, há quem veja as coisas de outro modo, como o jornalista Luís Avelãs.
Para ele, seria coerente escolher um alemão.
Só faltou dizer que podia ser um qualquer, desde que fosse alemão.
Assim do tipo… Grosskreutz ou  Weidenfeller…desde que tivesse estado presente no Mundial do Brasil.
O Mundial aparece agora, para alguns, como a batuta que deve marcar o compasso desejado.
Pelos vistos, uma prova com 30 dias de duração deverá reger o que é produzido pelos atletas durante 365 dias. Talvez para voltar a escolher um qualquer Cannavaro, campeão mundial com a sua selecção e vencedor "surpresa" da Bola de Ouro em 2006.
Curioso que o próprio Messi venceu este mesmo galardão em 2010, apesar da Argentina ter caído estrondosamente nos 1/4 de final do Mundial desse ano.

Independentemente das análises que se continuem a fazer, sustentadas em vários dogmas ou preconceitos, continuo a acreditar que estamos perante dois dos melhores jogadores da história. História que verá ampliada a discussão de quem foi o melhor de sempre.
Pelé, Maradona…Ronaldo e Messi!!

Certezas de quem é ou foi o melhor, não!!



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

ROC e Pumba

Não tenho por hábito ver aqueles programas televisivos de debate com representantes dos três maiores clubes portugueses.
Nem sei bem como se chamam, e sempre confundo quem faz parte de qual.
Ontem, no entanto, tive curiosidade em rever o golo de Tanaka e os melhores momentos do jogo e acabei por fazer um zapping pelos programas do dia.

No entanto, o que me chamou a atenção foi que dois destes programas faziam a mesma pergunta aos seus fiéis telespectadores.
“Quem tem sido mais beneficiado pelas arbitragens?”

O programa da TVI abriu as linhas telefónicas e, aparentemente, o bom-senso parecia prevalecer.
Nos primeiros minutos de votação a lampionagem liderava com larga vantagem sobre o outro clube habituado a ser levado ao colo.
80% achava que o benfica tem sido o mais beneficiado, seguido do porto com 13% e do Sporting com 7%.
No entanto, com o decorrer do tempo a tendência foi mudando. Os lampiões uniram os seus esforços e trataram de digitar o número de telefone de quem lhe faz frente no campeonato.
Fariam o mesmo se o Penafiel fosse em segundo lugar.
Convém afastar de si os holofotes da desconfiança.
No final, 50% dos telespectadores desse canal acharam que o porto tem sido o mais beneficiado, contra 43% que acham que tem sido o benfica, e 7% o Sporting.

Na RTP, à mesma hora, acontecia votação idêntica.
Aqui os resultados foram mais desnivelados, e 71% considerou que o porto tem sido o clube mais beneficiado, contra 25% que considerou o benfica e 4% de lampiões alucinados, ainda presos à rivalidade histórica, que consideram que o Sporting tem sido beneficiado pelas arbitragens.

As reacções a estes números também se fizeram sentir.
Na TVI, quando foram anunciados os resultados, ouviu-se uma sonora gargalhada de todos os presentes, salvo (penso eu) do representante do clube do colo.
Já a RTP não nos permitiu ouvir, mas o moderador de serviço fez questão de referir que Gobern rematou a votação com a expressão…”PUMBA !!”.

Não sei o que o nosso Timon achou da votação, mas o Pumba parece ter ficado satisfeito.


Diagnóstico veloz

É bom ter jogadores rápidos.
Dá jeito nas mais diversas situações.

Ontem pudemos comprovar, na celebração do golo, que até William é mais rápido do que apregoam.

No entanto, um dos que atravessou o campo com maior velocidade terá sido o médico Frederico Varandas.



Terá feito perto de 14 segundos nos 50 metros planos em fato e gravata, o que o deverá colocar no top 3 dos médicos mais rápidos do campeonato.


domingo, 11 de janeiro de 2015

André Tanaka Cruz

Braga 0 Sporting 1

O Sporting conseguiu a sua 6ª vitória consecutiva, e fez o 5º jogo seguido sem sofrer golos.
Depois de vencer por 1-0, 2-0, 3-0 e 4-0, estava convencido que hoje o resultado seria 5-0, para manter alguma coerência…mas não pôde ser.
Assim sendo, penso que não se podia pedir mais.
Vencer sem sofrer golos no terreno de um complicado adversário, marcando no último lance do jogo foi o melhor que nos podia ter acontecido.
Bem, melhor só se a bola tivesse batido na barra e ressaltasse na boca de Hugo Miguel antes de entrar na baliza. Esse talvez fosse um cenário idílico.

O jogo correspondeu às expectativas.
Duelos individuais intensos, muita luta, períodos de superioridade alternados e muita simulação…na tentativa de castigar disciplinarmente o Sporting.
Apesar de ter dado um verdadeiro recital de apito, nesse aspecto o árbitro designado soube resistir à inegável qualidade da arte circense que os jogadores bracarenses demonstraram.

Como é normal após a maior parte dos jogos, cada um puxa a brasa à sua sardinha, e é normal ouvirmos considerar que o resultado foi justo ou injusto, consoante o técnico ou jogador de serviço.
Não fossem os meus olhos estar a enganar-me, quis ouvir o que dizia o treinador-adjunto bracarense.
Ao considerar que o resultado mais justo talvez fosse o empate, tive como garantido que a vitória assenta-nos como uma luva. 
Convém não esquecer que o Braga detinha, a seguir à lampionagem, o melhor saldo caseiro, apenas com um empate consentido e dois golos sofridos em 7 jogos. Foi inclusivamente na Pedreira que os líderes do campeonato sofreram a sua única derrota, pelo que esta vitória arrancada a ferros ainda tem mais significado.

Apesar de um ou outro jogador ter estado a um nível superior, quem tatuou o seu nome na história do jogo foi André Tanaka Cruz.
Aquela pedrada ao ângulo fez recordar um central de boas memórias e terá servido para alguns dos indefectíveis críticos de jogadores menos utilizados pelo Sporting engolirem um sapo em cru, tipo sushi.

Mas quem (diabos) é Tanaka, perguntavam uns italianos há uns meses atrás??
Está apresentado.





Os uns e os outros

O Sporting é, historicamente, a maior potência desportiva nacional.
No actual momento não, nem sequer estamos perto de o ser.
Mas não vem mal nenhum ao mundo (nem sequer é uma inverdade) mencionar o estatuto que granjeámos durante décadas a fio, mesmo que o eco desses tempos já se tenha apagado há muito.
Os grandes clubes têm momentos de obscurantismo, de má política desportiva, sem que isso lhes retire o mérito nem o palmarés.
A lampionagem, por exemplo, apesar de ter passado por um jejum que lhe colou a barriga às costas, não deixou de se autoproclamar como o maior clube português, mesmo que os corruptos dominassem o panorama desportivo nacional nesse período.

Apesar de ainda dominarmos algumas modalidades menos mediáticas, a verdade é que aquelas que recolhem a preferência e atenção dos adeptos e media estão longe…muito longe de saciar a ambição dos sportinguistas.
Muitos deles que, apesar de nem serem grandes entusiastas das “amadoras”, acabavam por se refugiar nelas para branquearem a histórica e quase eterna subalternização no futebol.
O andebol leonino há muito que não saboreia o título e, inclusivamente, perdeu a que chegou a ser uma folgada hegemonia no quadro de títulos nacionais.
O hóquei cruzou o deserto e recupera lentamente dessa longa travessia.
O basquetebol também renasce das cinzas, a um ritmo ainda mais lento, mas ansioso por outra atenção por parte do clube.
O ténis-de-mesa apenas venceu um campeonato nas últimas 5 épocas e também está longe dos passeios triunfais de outros tempos.
O atletismo está em desinvestimento galopante e apenas a pista feminina vai contrariando o vazio de títulos que está em fermentação.
Depois temos o futsal, que contraria toda esta tendência, bem como a natação, judo e outras modalidades de combate que vão dando alegrias aos menos distraídos.

O panorama não é nada animador, é certo, mas o horizonte fica ainda mais sombrio porque o visível definhar é acompanhado pelo crescimento exponencial da lampionagem.
É que o histórico estatuto de maior potência desportiva nacional foi sempre acompanhado pela histórica rivalidade, que entorpece ainda mais a visão.
Assim, o compreensível estado depressivo dos que seguem as modalidades está umbilicalmente associado ao facto dos rivais nos terem empurrado do lugar a que nos habituámos a ocupar.
Poucos se mostrariam preocupados com o lento regresso do basquetebol se este continuasse dominado pelo Estrelas das Avenidas ou pelo Queluz.
Ou se o ABC tivesse mantido a sua supremacia no andebol, talvez as taças que a secção tem arrecadado tivessem outro sabor.
Se as provas de estrada em atletismo tivessem ainda a Conforlimpa ou o Maratona a ditar a lei do mais forte, a "não vitória" de hoje seria encarada com menos sofrimento.
Na época passada a vitória do Valongo no campeonato de hóquei em patins alegrou quase tantos sportinguistas quanto a nossa permanência na primeira divisão.
A actual secundarização no ténis-de-mesa ainda vai sendo encarada com naturalidade. Os orçamentos açorianos não permitem sonhar muito mais além, mas se a lampionagem decidir apostar a sério nesta modalidade estará o caldo entornado.

Para piorar o cenário ainda eclode o mau momento da aclamada e reconhecida academia leonina.
Apesar da evidente falta de qualidade na globalidade de um ou outro escalão, o “resultadismo” parece ter tomado conta do espírito de alguns adeptos, tendo-se esquecido momentaneamente do principal objectivo.
Formar jogadores.
Formar vencendo seria o ideal…mas não o essencial.
A equipa de juvenis do Sporting ficou fora da fase final da competição, onde também o Braga…actual campeão nacional de juniores, não figurará. Em seu lugar irá o Palmeiras, equipa satélite que jogou com os juvenis de primeiro ano, enquanto os bracarenses jogaram com os de segundo.
Distraíram-se.


Mas, a quem interessa o Braga, os seus sucessos ou os seus erros? 
Já os outros...!!!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Golpe de rins


Longe parecem ir os tempos em que se ridicularizaram as cláusulas de rescisão dos jogadores do Sporting pela comunicação social, bem como pela generalidade dos adeptos.
Talvez por haver mais matérias com que gozar, no presente.

Apesar do Sporting ainda viver com o drama de não ter sabido precaver o futuro de alguns jogadores, pareceu mais oportuno (e talvez oportunista) colocar em causa valores que, sabemos nós, visam apenas restringir o apetite de alguns.
Raras vezes foram colocadas em causa as cláusulas de jogadores de outros clubes portugueses.
Nem sequer quando apenas pontualmente tenham saído pelos valores contratualizados.

Cardozo chegou a ter uma cláusula de 60 milhões, mas acabou por sair por 5,5 milhões.
O fabuloso Hulk atingiu uma cláusula de 100 milhões, mas saiu por menos de metade desse valor.
David Luiz tinha uma cláusula de 50 milhões mas saiu por metade desse valor.
Mas o que de facto incomoda os media e os adeptos, sejam eles sportinguistas ou dos rivais, é a cláusula fixada aos nossos jogadores, supostamente por serem drasticamente desproporcionais ao seu valor de mercado.

Mas os jornais e alguns adeptos estão sempre a tempo de dar a mão à palmatória.
O Rascoff de hoje dedica uma página a André Gomes, a quem apelida de “O miúdo 150 milhões”, e concede-lhe a medalha de prata no habitual quadro de mérito.
Pelos vistos, assim num abrir e fechar de olhos, o médio (que apenas fez um total de 14 jogos no nosso campeonato em duas épocas) verá o seu valor de mercado disparar e ficar proporcional ao seu valor desportivo
Sim, porque o rapaz valerá mesmo esse dinheiro todo.
Se tivermos em conta que Ronaldo foi contratado por menos de 100 milhões, compreendemos que é um valor justíssimo.

Além disso, os jornais deixam cair a hipotética desproporção que em tempos  apontaram.
Estamos perante mais um golpe de rins jornalístico, que só credibiliza os seus autores.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Frente e verso

Tal como esperado e desejado, o Sporting fez a sua obrigação e carimbou a passagem para as meias-finais da Taça de Portugal.

Finalmente um jogo em Alvalade para esta competição, onde nos últimos três anos só tinha jogado com o Alba.
Os sócios e adeptos é que não se mostraram muito sensibilizados com este detalhe, e pouco mais de dez mil sportinguistas marcaram presença. Diz que foi pelo frio.
Na Alemanha ou Inglaterra, onde os estádios estão sempre com a lotação esgotada, o frio também inibe muitos portugueses de ir ver um ou outro jogo.
Muitos dos que terão desistido de apoiar a equipa talvez tivessem mudado de ideias se soubessem que também ia haver nevoeiro. Por um preço simbólico podiam ter imaginado encontrar-se no Estádio da Choupana. Uma viagem à Madeira é sempre bem-vinda.
Outros tantos também teriam dado o tempo por bem empregue se adivinhassem o golo de Carrillo.

O Sporting venceu por 4-0, sem sobressaltos ou contratempos.
Poupou alguns titulares para o complicado e decisivo jogo em Braga, não perdeu por lesão nenhum dos jogadores base da equipa, nem sequer viu algum cartão que pudesse condicionar estratégias futuras.
Tudo correu bem, portanto.
Ou quase tudo.

É que uma ou outra exibição não atingiu os patamares exigíveis e foram muitos os que não se compadeceram com questões como a idade ou momentos de forma.  
Os assobios mostraram-se afinados, mesmo num jogo onde quase tudo seria perdoável.
Quem mais se destacou, pela negativa, foi obviamente Carlos Mané.
Reconheço que foi exasperante a quantidade de más decisões que tomou. Diria mesmo que foram quase todas. No entanto, não me recordo de um único jogador a quem o assobio dos próprios adeptos lhe tenha servido de incentivo.
Ainda há dias Leonardo Jardim recordou o seu lançamento na equipa principal, e prognosticou-lhe um futuro brilhante.
Eu gostava de ser tão optimista quanto o nosso ex-treinador mas…quem sou eu?

No entanto, também tenho a minha opinião de leigo.

Já tivemos jogadores em quem muito se apostava mas que o tempo se encarregou de resumir à condição de eternas promessas.
Na mesma linha de Mané recordo-me, por exemplo, de Lourenço…ou até Tijoló.
Jogadores que, dadas as suas características, têm alguma dificuldade em ver definida qual a posição onde melhor podem ajudar a equipa. 

Lourenço e Tijoló não tinham atributos de extremo, nem de ponta-de-lança…e o percurso de ambos foi eloquente.

Mané tem características diferentes, mas reconheço-lhe mais qualidade que os supracitados.
No entanto, até ao estatuto de estrela…penso que pode haver um longo e difícil caminho a percorrer.
No polo oposto encontra-se Carrillo.
Quase todas as suas decisões foram as correctas, e continua a manter um estado de forma invejável.
Se na época passada havia William e mais 10, este ano andamos mais perto de Carrillo e mais uns quantos.
No entanto, também o peruano passou por momentos complicados em Alvalade e onde se respirasse Sporting.

Mané não tem a velocidade nem os atributos técnicos de Carrillo, mas nele reside mais um exemplo de que, quando há qualidade, a paciência pode ser uma boa conselheira.