quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Questão central

Nunca acompanhei atentamente o futebol italiano, talvez por ter ficado demasiadas vezes entediado com o famoso catenaccio, a aborrecida táctica pragmática e ultra-defensiva que foi imagem de marca do futebol transalpino.
Por esse motivo até perco o rasto a alguns ex-jogadores leoninos que se mudaram para o (em tempos) aliciante "Calccio"...onde nem todos calçam.
Quase nem me recordava de Pedro Mendes, o central formado em Alvalade e que assinou pelo Parma enquanto o Sporting renegociava o seu contrato, ficando a chuchar no dedo relativamente a compensações financeiras pela mudança.
O jogador era dos mais admirados pela (por vezes) pouco exigente massa crítica leonina, que viam nele, em Nuno Reis, Tobias, Dier, Rúben Semedo ou Ilori o futuro do Sporting e da selecção nacional.
Uns, mais que outros, têm o futuro nas suas mãos. Outros, mais que uns, têm uma boa conta bancária.

Pedro Mendes, na época passada actuou 11 vezes como titular, num total de 15 nos 38 jogos do campeonato, e a equipa só venceu 5 desses jogos.
Na presente época o central foi 9 vezes titular e a equipa perdeu 8 desses jogos.
Apesar de ainda faltarem 18 jogos para o final da Série A, o Parma (e Pedro Mendes) está com um pé na Série B italiana.
Quem por lá anda é o Catania, de Rinaudo.
O que em tempos foi a estrela da companhia leonina também parece ter perdido parte da sua aura, e a sua equipa também luta por se manter no segundo escalão, estando neste momento em zona de play-off de despromoção.
Mas a Fito ninguém tem nada a apontar, e apenas as lesões e algumas lacunas técnico-tácticas o impediram de ser mais feliz de leão ao peito.
De Pereirinha também tenho sabido pouco, mas a época da Lazio está a correr dentro das expectativas.
Quinto lugar actual, para o qual o ex-médio leonino contribuiu com pouco mais de 90 minutos de jogo.
A acreditar nas notícias que chegam de Itália, Maurício pode juntar-se hoje à equipa azul de Roma.
Mais um para perder o rasto?

p.s. Entretanto o Sporting confirmou a cedência de Maurício, que irá render 2.65 M€ no final da época. Estará por certo para chegar o central que tem vindo a ser falado nas últimas semanas, para desgosto de muitos.

Ganhar uns cobres

É praticamente garantido. O Paços de Ferreira vai continuar com 23 pontos no final da jornada 18.
Bruno Paixão foi o árbitro designado para apitar o líder no complicado campo da Capital do Móvel.
Já foi assim noutro campo com as mesmas características, no passado mês de Novembro.
Não houve expulsões.
Não houve penáltis.
No 1-2 da lampionagem o auxiliar não teve dúvidas.
No lance que daria (por certo) o empate ao Nacional também não.
Vá, toca a ir a um site de apostas e tentar ganhar uns cobres.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Molhar a sopa

Héldon e Slimani já molharam a sopa na CAN.
É sempre agradável ver os nossos jogadores a ter sucesso nas suas selecções, mesmo que isso possa ser visto como um pau de dois bicos.
Por um lado as suas exibições vêem o nome do Sporting associado, enchem os adeptos de orgulho e aumentam a sua cotação para uma futura transacção.
No pólo oposto os jogadores podem ficar mais reivindicativos, mais sujeitos à gula de equipas com alguma bagagem negocial e, por fim, podemos ficar privados dos jogadores por mais tempo, caso as suas boas exibições configurem vitórias.
Ontem, quando Slimani marcou o 3º golo da Argélia, foi possível ver nas bancadas um homem com uma bandeira portuguesa, um cartaz com o símbolo do Sporting ostentado por uma rapariga com uma camisola às riscas verdes, e pelo menos mais uma pessoa com a camisola listada e com o leão ao peito.
Já eu não estava assim tão feliz, porque prefiro que o argelino venha o mais rápido possível.
E já agora Héldon, que acho que ainda pode dar algo ao clube.
Se Slimani não fez uma exibição de encher o olho, já o cabo-verdiano foi considerado o homem do jogo no empate com a Tunísia, e até a BBC questionou porque é tão pouco utilizado no Sporting.
É difícil encontrar respostas, mas para muitos observadores mais ou menos leigos esta opção prende-se com a falta de qualidade para envergar a nossa camisola. O último jogo que fez pelo clube foi na vitória em Guimarães, para a Taça da Liga, e o golo marcado não disfarçou uma exibição condizente com a da retalhada equipa leonina. Esforçada mas pouco vistosa. Seria difícil pedir mais a uma equipa B.
No entanto, parece-me evidente que Héldon tem sido vítima da forma e qualidade evidenciada por Nani e Carrillo. Mané, por questões de vária ordem, tem aparecido como 3ª opção, e só não compreendo como o inconsequente Capel empurrou Héldon para o último lugar da hierarquia.
Fala-se que ambos estarão no mercado, mas eu não me importaria que se desse mais algumas oportunidades a Nhuck. O sportinguismo não faz de ninguém um bom jogador, mas pode ser um bom tónico para ter sucesso no clube do coração quando se tem qualidade nas pernas.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Olhó tremoçoooo!!

O futuro-ex-treinador Manuel José afirmou hoje que "A Paulo Fonseca deram tremoços e a Lopetegui lagosta".
Considera também que "com este plantel, Paulo Fonseca era capaz de estar a liderar o campeonato".
Calculo que as alusões gastronómicas de Manuel José se devam às inúmeras patuscadas no Manel d'Água, em Castro Marim, mas uma dúvida me assalta.
Se a Paulo Fonseca deram tremoços, o que é que Leonardo Jardim tinha no pires?
Cascas?
Ou isso, ou a Paulo Fonseca deram tremoço ao preço da trufa.



Querido diário. Hoje sentei Dani Alves.

A Academia do Sporting tem estado no olho do furacão na sequência de resultados desportivos que não se coadunam com a sua curta história.
Além disso, também pelo facto de não se perspectivar qualidade desportiva em muitos dos jovens atletas que vestem as nossas cores.
Como não bastassem todos os problemas que o clube foi coleccionando, o fungo que tomou conta da Academia foi quase a gota de água que faria qualquer copo transbordar.
Claro está que muitas são as atenuantes que poderiam amainar algumas das críticas, quase todas elas já faladas aqui e ali.
Pouco interessa se o Barcelona B e a consagrada La Masia, uma das grandes escolas do Mundo, é a última das equipas B representadas nos campeonatos profissionais espanhóis, e quase em zona de descida. O que interessa realmente é que a lampionagem está à nossa frente na II Liga.
A própria filosofia da Academia catalã poderia ajudar a explicar que, por muita exigência e qualidade possam existir nos processos, a maioria talvez não chegue lá, como se pode inferir pelas palavras de Folguera:

“Este centro formativo dedica-se fundamentalmente à construção humana e pedagógica. Aqui formamos homens e não atletas. Queremos que estejam cientes que é difícil chegar à elite e, caso o desporto não os ajude, possam ir para casa e dizer: ‘O Barcelona cuidou de mim, estudei e agora tenho um curso universitário”.

Pouco interessa se, contra muitas expectativas e contrariando o enorme ruído de fundo, continuam a ser lançados jogadores da equipa B no plantel principal. O que realmente interessa são todos os outros que ainda não atingiram nem nunca atingirão esse patamar.
Já para não falar da equipa de Sub 17 que falhou estrepitosamente o acesso à fase final do campeonato. A equipa com o melhor ataque e a melhor defesa acabou por ficar a um golo ou um ponto de afastar o fantasma que continua a pairar sobre Alcochete.
A mais recente convocatória para um estágio de observação de sub19 pode ajudar a confirmar que mudou o paradigma na formação. Nove atletas da lampionagem, contra apenas 3 do sporting podem ser os novos ares ou, apenas, uma má geração leonina.
A juntar-se aos preocupados adeptos leoninos estão alguns insuspeitos e sempre coerentes jornalistas.
Se antes elevavam à categoria de pepita de ouro qualquer calhau que fosse desenterrado nos terrenos da Academia, agora fazem o mesmo com os calhaus do Seixal.
Temos podido assistir ao interminável desfilar de nomes que poderão dominar o futebol mundial nas próximas décadas, onde o denominador comum é o centro de treinos ali a caminho da Arrentela.
Hoje, por exemplo, ao vasculhar notícias nas páginas da internet, fiquei estarrecido ao saber que Ivan Cavaleiro tinha sentado Dani Alves e Piqué, no recente confronto entre o Deportivo e o Barcelona.
A notícia adianta que o prodígio humilhou o defesa brasileiro, e que estava a ser o melhor da equipa ao ser substituído, o que valeu uma enorme assobiadela por parte dos exigentes adeptos da Corunha.
Tinha que tirar isto a limpo.
Fui ver o vídeo. É de facto uma jogada que poderá ficar não só nos anais da competição, como inclusivamente do futebol mundial. Foi pena que não tivesse dado golo…nem sequer que se tivesse aproximado da área, mas Ivan deverá ter anotado o evento no seu diário para mais tarde contar aos netos. A goleada caseira é um facto de somenos importância, perante jogada tão sublime.
Também fui ver o que dizia o diário Marca relativamente ao jogo.
Cavaleiro levou nota 5, a pior dos que pisaram o relvado de Riazor, apenas igualado por mais um par de colegas de equipa.
Estes jornalistas espanhóis não percebem nada do assunto.