quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Mal posso dormir


Esta noite mal pude dormir.
Dei voltas e mais voltas na cama, mas não me saía da cabeça o corte de relações institucionais entre Sporting e lampiões que o nosso clube, unilateralmente, decretou.
Todos sabemos que, independentemente de termos mães, pais, amigos(as), namorados(as), maridos, mulheres, filhos(as), tios(as), avôs, avós, patrões ou, até, algum animal de estimação que seja sócio ou adepto do clube rival, e que tenhamos por alguns deles um intenso amor por força das circunstâncias, nada será como antes se não mantivermos relações institucionais com o clube da roda da bicicleta.
É verdade que nunca morremos de amores pela generalidade dos seus adeptos (e vice-versa).
É verdade que nunca morremos de amores pela arrogância que por vezes demonstram.
É verdade que nunca morremos de amores por terem alterado a data de fundação.
Apesar de todas estas e outras verdades e de todas as diferenças que sempre nos distinguiram, talvez fosse mais bonito manter as aparências e, tal como numa relação condenada ao divórcio, os responsáveis pelas instituições mantivessem o sorriso de circunstância e, talvez, até fossem vistos juntos em iniciativas públicas a trocar apertos de mão.
Seria mesmo bonito que tudo pudesse continuar como até aqui.
Os rivais podiam, até, continuar a aliciar telefonicamente atletas de uma modalidade do Sporting para mudar para o outro lado, desde que esta prática não beliscasse as aparências.
Ou, quem sabe, convencer atletas de uma outra modalidade para fazerem um ano como individuais para no ano seguinte aparecem com a roda de bicicleta ao peito, passando por cima de acordos estabelecidos.
Nenhuma destas e de tantas outras práticas que podem corroer a confiança justificam medidas drásticas e que lesam a boa imagem do clube.
Não me conformo com o corte de relações e aposto que hoje terei mais uma noite mal dormida.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Je suis Leoninamente

Diz-se que o futebol da actualidade move milhões mas, muito antes desta vertente economicista, começou por alimentar e incendiar paixões. Foi assim no início e assim se mantém, apesar da evolução quase natural de algum clubismo exacerbado, fruto de uma sociedade cada vez mais mediatizada e que promove este tipo de exibições.
Se recuarmos algumas décadas no tempo, ou visionarmos dérbis do século passado, é possível constatar que, apesar de toda a rivalidade já existente quase desde a fundação dos clubes, era possível coexistirem nas bancadas adeptos de cores diferentes.
No presente, como se já não bastasse assistirmos à selvajaria que grassa pelo mundo às mãos de gente sem qualquer civismo ou humanidade, vimos que o futebol fora das quatro linhas também é, cada vez mais, palco de violência e intolerância.
Claro está que a maioria não se revê ou condena actos que envergonham o desporto, mas os sinais de um indesejado radicalismo parecem cada vez mais evidentes.
Apesar da intensa rivalidade e do natural arremesso de adjectivos e argumentos de um lado e do outro, cada vez mais potenciados pelas redes sociais, há limites que são constantemente ultrapassados, também no esgrimir de argumentos e de defesa dos ideiais.
O dérbi, que também aconteceu no futsal no passado fim-de-semana, voltou a exumar lamentáveis acontecimentos através da exibição de uma tarja com a inscrição “Very Light 96”, e culminou com o lançamento de tochas e petardos na direcção dos adeptos sportinguistas presentes em Alvalade, como que a lembrar que esse incidente que vitimou um adepto do Sporting pode não se esgotar num lamentável cartaz mas que pode, sim, repetir-se a qualquer momento.
As manifestações de repúdio e de branqueamento, de um lado e do outro, foram a consequência natural, mas o ego inchado, a prepotência e a intolerância de quem se julga maior do que o próprio país parece não dar tréguas.
Hoje, ao visitar o blog “Leoninamente”, cujo autor defende afincadamente o Sporting mas sempre com uma postura digna e educada (própria da idade e da geração do autor) deparei-me com um comentário a uma pertinente publicação sobre um jogador uruguaio recentemente contratado pela lampionagem.
Até podia não ser pertinente, mas a apregoada liberdade de expressão a que temos direito, desde que exercida dentro dos cânones estabelecidos, é um direito individual e inalienável.
A ameaça a que o autor foi sujeito, relembrando precisamente o crime de 96, é lamentável e retrata o quão fundo se pode descer pelo alegado amor a uma causa.

A barbárie cometida por radicais no Charlie Hebdo há tão pouco tempo, e condenada por quase todo o mundo civilizado, parece não ter tido eco nalgumas cabeças mais arejadas.

O mais preocupante é que estes são episódios cada vez menos isolados, a tendência para propagar-se é bem superior ao actualmente contido Ébola, e não se vislumbra que esteja qualquer vacina em testes para erradicar de vez este praga.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Ice Bucket

Desalento…frustração…desânimo...prostração…desencanto…desilusão…decepção…raiva
O que aconteceu em Alvalade foi futebol que, tal como a vida, é pródigo em injustiças mas isso não impede que me invadam este tipo de sentimentos.
São já demasiados os anos a ver que a fava toca sempre aos mesmos, que a vaca sai para pastar vezes demais e que tenhamos invariavelmente que contribuir, nem que seja com umas migalhas, para a fortuna dos outros.
Talvez por ser conhecedor profundo destas variáveis tivesse prognosticado, a pedido de um amigo (que sabe o meu feeling para estas coisas) este mesmo resultado, embora desejasse profundamente ter-me enganado.
O Sporting não fez um jogo perfeito, mas fez o suficiente para vencer sem sobressaltos um adversário que pareceu, na maior parte do tempo, uma daquelas equipas pequenas que vem a Alvalade jogar para o pontinho.
Tal como Jesus tinha dito no pós-jogo de Paços de Ferreira, “se não ganharmos não podemos perder”, e o objectivo de não perder foi corporizado desde o apito inicial.
A equipa dos milhões entrincheirou-se no seu meio campo e esperou, pacientemente e com boa dose de organização defensiva, que o relógio corresse rápido.
A equipa dos miúdos vestiu a pele de equipa experiente, dominou o jogo durante perto de 94 minutos e demonstrou, uma vez mais, que a classificação actual encerra uma enorme dose de falsidade.
Este Sporting é, sem dúvida, melhor que o líder do campeonato…mas cometeu um pecado no último lance do jogo, em que foi demasiado brando para mandar uma bola para as malvas.
Ou então, como qualquer equipa minimamente experiente, teríamos visto o nosso guarda-redes com uma pertinente lesão nos instantes finais do jogo, tal como as cãibras de Artur durante quase toda a segunda parte, enquanto o resultado lhes era favorável, tal como já tinha feito num recente jogo na ETAR.
Ou então, como qualquer clube com outro ADN, teríamos visto os nossos apanha-bolas desaparecer misteriosamente ou atacados por uma sonolência repentina.
Com aquele golo que mais parecia um Ice Bucket Challenge feito em simultâneo a 50 mil almas fui até levado a lembrar-me que Paulo Bento teria tirado um avançado por troca com um central e um extremo por um trinco, para abordar os últimos lances do jogo, mas Marco Silva não merce tal comparação.
Joga para ganhar, sempre, e também ele foi vítima de um lance fortuito que podia ter acontecido em qualquer outra altura.
Agora as contas são simples.
O título é matematicamente possível, mas objectivamente devemos pensar em agarrar-nos ao terceiro lugar e, enquanto for possível, com o segundo lugar ainda em mente.

Apesar de tudo, acho que devemos ter muito orgulho nesta equipa, mesmo que tenhamos ainda as roupas e a alma geladas.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Curiosidades do dérbi

A capa de hoje do jornal A Bolha dedica grande parte do espaço disponível ao dérbi Sporting-Lampionagem.
Ficamos a saber que Gaitán não estará apto para Alvalade e que no seu lugar deverá avançar Ola John.
Ficamos a saber que Vieira estará na tribuna de honra e, não menos importante, que Paulo Oliveira vai usar caneleiras XPTO.
É de facto um detalhe com uma enorme importância, nem que seja pelo facto de Maxi Pereira estar à solta em campo sem açaime.
Mas desengane-se quem pensa que os assuntos sobre o Sporting se esgotam nas caneleiras do nosso central.
Também Tobias Figueiredo é colocado em destaque, num frente-a-frente com Luisão.

Deste modo, o pasquim realça o facto de que Tobias tinha apenas 8 anos quando Luisão se estreou nos lamps, ou que quando Tobias nasceu Luisão já tinha 13 anos.
Muito interessante.
Mas, se esgravatarmos na nossa memória também recordamos que quando Luisão agrediu um árbitro num jogo-treino na Alemanha, Tobias ainda jogava na equipa júnior.
Quando Luisão foi sodomizado por Liedson no 3º golo do Sporting no estádio do rival, Tobias ainda jogava futebol de 7, nos sub12.
Quando Luisão atropelou Ricardo no jogo que nos retirou o título, Paraty era uma pessoa feliz e Tobias jogava nos sub11 do Penalva do Castelo. Foi no mesmo ano em que Paíto virou as cuecas de Luisão do avesso, num jogo da Taça de Portugal.
Quando Luisão tinha cabelo Tobias ainda era careca.

Também sabemos que, apesar de ter apenas 26 anos, quando Patrício se estreou no Sporting... Artur Moraes, 8 anos mais velho, ainda iria jogar pelo Coritiba, Siena, Cesena, Roma e Braga, antes de bater com o costado na lampionagem.

Um dérbi conserva, de facto, curiosidades dignas de registo.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jogar ao som do Bolton


Disse Slavchev, na sua apresentação no clube inglês que milita na segunda divisão: 

" Quando era miúdo e jogava consola escolhia sempre o Bolton".

Fiquei sensibilizado ao saber que o médio búlgaro jogava consola ao som de uma soporífera balada do conhecido músico.