quarta-feira, 2 de julho de 2014

Gold

Não gosto nada de comparações, mas isso sou eu que sou um bicho-de-mato.
As pessoas, por norma, gostam de ver chegar o novo-Futre, o novo-Baresi ou o novo-Rijkaard. 
No futebol prevalece a mania de encontrar modelos para determinar ou promover a classe de um jogador.
No entanto, se nos maus jogadores é fácil encontrar um sósia, já os de excelência dificilmente são repetíveis.
Messi, por exemplo, era o novo-Maradona, mas a sua identidade própria e qualidade falaram mais alto e tornou-se, por mérito próprio, no objecto a clonar.
William Carvalho já foi apelidado como o novo-Patrick Vieira, mas tenho esperança que o nosso jogador também se torne irrepetível.
Ainda temos no plantel Capel, que foi comparado a Futre, mas as parecenças começam e acabam no facto de ambos serem canhotos. Já se Capel fosse aliciado por Bimbo da Costa e saísse para o clube da fruta ficaria muito mais parecido.
Na longínqua década de 90 Sousa Cintra chegou ao aeroporto e disse "Temos aqui Careca, que é meio Eusébio e meio Pelé."
Provavelmente gostava de tremoços e cachaça.
Desde ontem ficámos a saber que existe um mini-Messi na Escócia, mas vai passar a mostrar a sua valia com a camisola do Sporting.
Eu, que passadas estas linhas sou o mesmo bicho-de-mato, preferia que Ryan Gauld ficasse conhecido por ter o toque de Midas, e que transformasse em "Gold" tudo o que tocasse.