terça-feira, 13 de maio de 2014

O novo Messias


Ponto final no campeonato.
Apesar do Sporting ainda ter muitos objectivos por concretizar, seja nos escalões de formação, no andebol, futsal, hóquei ou ténis-de-mesa, a verdade é que a maioria dos nossos adeptos deu a época por encerrada no último fim-de-semana.
O adeus ao campeonato foi infeliz em todos os sentidos.
A derrota perante o Estoril ocorreu num jogo onde os adeptos voltaram a comparecer em bom número para despedir a equipa, e agradecer o regresso da confiança no nosso futebol.

Só a equipa é que não compareceu.

Mas foram outros os insucessos nesse jogo. Perdeu-se a possibilidade de terminar o campeonato com o mesmo número de derrotas do clube da APAF, perdeu-se a invencibilidade em casa e voltou a perder-se Carrillo, apesar de muitos acharem que ele, na realidade, nunca soube o caminho.
Perdeu-se também, na última jornada, a liderança na taxa de ocupação do estádio, mas a décima que separou o Sporting (67,3%) do clube da APAF (67,4%), campeão com várias jornadas de festa, não deixa de constituir uma pequena surpresa.
Apesar da euforia dos vencedores, o Sporting foi quem levou mais gente aos estádios na condição de visitante.
Mas se a tarde foi triste e enfadonha, nada parece justificar algum desespero que tomou conta dos espíritos mais fragilizados.
Nem foi preciso ouvir-se o apito final do árbitro para ler e ouvir declarações de adeptos leoninos indignados, e um ou outro a “exigir” uma (nova) limpeza de balneário.
Parece evidente que o plantel foi relativamente curto, e que a qualidade não era transversal a toda a equipa, mas foram esses mesmos, os bons e os menos bons, que nos fizeram acreditar.
Nem Leonardo Jardim ficou imune, pois os críticos oportunistas saltaram das suas trincheiras insufláveis e alegaram que o técnico não soube motivar a equipa…que deveria ter convocado Wilson…que deveria ter dado minutos a Dramé e Esgaio…que deveria ter posto Dier, num rol de queixas sem precedentes nos últimos meses.
Ou seja, um mau jogo parece ser mais que suficiente para fazer murchar um Jardim.

Sabemos que no futebol tudo é demasiado fugaz.
A aura de um jogador, treinador ou presidente é comprada na loja dos chineses, e de qualidade duvidosa.
Pode perder a cor e a intensidade da sua luminosidade após poucas utilizações.
Basta que o vento sopre mais forte.

No caso do ainda treinador leonino a opinião foi unânime em relação ao pequeno milagre que conseguiu. Recuperar as sobras de um plantel traumatizado por uma época cinzenta, valorizá-lo e levá-lo à Champions não estaria ao alcance de muitos.
No entanto, o nosso Jardim também erra…como os melhores, e os seus erros parecem ganhar proporções bíblicas perante alguns adeptos.

No entanto, para os que fazem da crítica o seu modo de vida, ainda serão capazes de desengavetar o nome de Leonardo Jardim quando este já não fizer parte do nosso dia-a-dia, para lhe reconhecer o mérito.
Resta saber o que o futuro reserva ao treinador e ao Sporting.

Os pasquins e alguma imprensa generalista com fortes ligações aos pasquins insistem numa notícia que já fazia eco nas redes sociais.
Sim, porque todos nós conhecemos uma empregada doméstica que foi amiga da prima do papagaio da bisavó de Jardim.
Todos nós temos notícias que o dão com um pé fora de Alvalade e que houve contactos exploratórios com um outro treinador.
Os pasquins vão mais longe, e ontem lançavam as bases do negócio.
Era sempre a subir…ou a descer, conforme a ordem que se olhasse para as primeiras páginas, e a cedência do treinador leonino flutuava entre os 3 e os 5 milhões de euros.
Numa visão puramente mercantilista, diria que era seria um excelente negócio.
Se Jardim valorizou o plantel até 5 vezes mais, também é verdade que se autovalorizou, e a sua saída poderia render mais que Matias Fernández ou João Pereira.
Mas eu aprendi a gostar de futebol quando ainda mal sabia contar escudos, e por vezes quero esquecer-me que o símbolo deste desporto é o cifrão.
Aprendi a reconhecer as referência do clube, aqueles que vestiam a nossa camisola durante praticamente todo o seu percurso desportivo.
Por esse motivo, e porque o trabalho que começou a desenvolver-se há menos de um ano atrás ainda está no início, gostaria de o ver ganhar corpo e forma.
No entanto, não acredito que o projecto se esgote em Leonardo.
Na época passada terei sido dos poucos que esboçou um sorriso com a saída de Jesualdo, quando a maioria julgava ser ele o novo Messias.

Acredito na competência de quem gere os destinos do clube, e que voltará a conseguir que a próxima época seja dotada com as condições necessárias para o Sporting voltar a bater-se pelo título.
Seja ou não com Jardim.
Seguirei com cautela toda a tinta que se irá gastar com esta novela, até porque também existe quem garanta conhecer uma empregada doméstica que foi amante do sobrinho da catatua de um bordel que era frequentado pelo tio do ex-treinador do Estoril, que garante que Marco Silva tem tudo acertado com o clube da lã.

Apesar das limitações, continuarei a acreditar apenas na informação veiculada  pelo Sporting...ou pela CMVM.