terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por terra

Mais uma vez tive que esperar que a noite e o sono fossem bons conselheiros para poder vir escrever.
Se o tivesse feito ontem teria arrasado os responsáveis pelo feito, após a delirante derrota em casa perante mais uma equipa que lutará para não descer de divisão e que fez desta visita a Alvalade a sua primeira vitória no nosso reduto em toda a sua história.
Já nos vamos habituando a estes reinados da última década que se têm pautado pela quebra de recordes históricos, com derrotas dignas do Guinness (como a do Bayern), classificações miseráveis, ciclos sem vencer dignos do mais miserável clube, entre outros.
A nossa história mais recente parece querer dar razão a quem acha que podemos estar perante a benfiquização do Sporting (que ainda vai salvando as épocas com a Taça da Cerveja) ou até mesmo a belenização, pese embora a diferença de grandeza de ambos os clubes não faça vislumbrar, para já, tal descida aos infernos.
O certo é que, um ano mais, à segunda jornada está instalada a crise.
Claro está que podemos agarrar-nos ao Real Madrid para considerar que até os melhores podem arrancar mal um campeonato, e que a distância que nos separa dos líderes até é inferior à dos merengues relativamente ao Barça mas, enquanto José Mourinho deve ter instaurado trabalhos forçados aos seus muchachos, como castigo pela derrota e exibição em Getafe, Sá Pinto continuará a aplaudir as nossas patéticas exibições e a elogiar o empenho dos nossos atletas.
Por falar em Sá e nos jogadores, é difícil estar a separar as águas, no momento de encontrar culpados para o lastimável início de época.
Todos os olhos viram-se inevitavelmente para as falhas ou acertos dos jogadores mas, no meu modesto entender, reside no nosso treinador a maior quota de responsabilidade nesta miserável imagem que se vai deixando.
Este cenário começou a traçar-se há mais de um mês, quando as mesmas maleitas se deixaram antever no triste jogo com o colosso Charlton, da 2ª divisão inglesa.
Com uma ou outra excepção, o redondo zero manteve-se no nosso marcador jogo após jogo, chamassem-se eles Atlético, Belenenses ou Getafe, mas os virtuosos comentadores virtuais logo se lançaram contra os críticos, de garras aguçadas, alardeando que a feijões nada interessa.
Pois bem, a feijoada já acabou e continuamos pacientemente ( uns mais que outros) à espera que o Sporting regresse de férias.
Se for o mesmo que acabou a época contra a Académica, por mim podem continuar de férias.
Já levamos três jogos oficiais, um golo, zero vitórias, todos os embates contra equipas que só serão faladas por fazerem gracinhas contra o Sporting, e continuamos à espera da propalada máquina de empolgar adeptos que alguns dizem ir aparecer.
Eu quero muito que isso aconteça, tanto ou mais que esses apaniguados de Sá Pinto, mas tenho que ser sincero e dizer que cada dia mais duvido que tal seja possível com este treinador, com este modelo de jogo.
Esta barcelonite que contagiou o nosso treinador tem parte do perfume blaugrana. O problema é após a troca de bola entre Patrício e os centrais.
A percentagem de posse de bola continua a encher alguns de orgulho, mas eu e mais alguns trocaríamos metade dela por um golito...de vez em quando, só para nos recordarmos de como é celebrar um golo.
Também não consigo vislumbrar as oportunidades claríssimas que dizem gozarmos, e neste jogo com os vilacondenses, foram mesmo deles as melhores oportunidades para desnivelar ainda mais o marcador.
A posse de bola foi esgotada, em última instância, em inócuos cruzamentos para a área, onde os centrais adversários se sentiram como peixe, nas Caxinas.
Sabemos que o nosso ponta-de-lança é exímio nas grandes penalidades, razoável em bola corrida mas a responder a cruzamentos de cabeça, só por mero acaso é que a bola poderá entrar.
Já os médios, que são preponderantes no tal modelo do Barcelona, têm papel fundamental na criação de desequilíbrios e, inclusivamente, na finalização.
No Sporting, estes são meros figurantes, sempre de olhos postos nas poucas unidades ofensivas, e isto redunda em raríssimas ocasiões claras de golo.
Assim sendo, manter esta estratégia que até agora nada produziu, à espera que algo aconteça, parece-me pouco menos que suicida.
Sá Pinto disse, há um par de semanas, que o Sporting estava preparado para o começo da época.
Enganou-se redondamente.
Tem-se enganado noutras situações, como em opções tomadas e estratégias assumidas.
Vamos ver até onde irá este contínuo erro colossal, ou até quando os responsáveis e adeptos aturarão a sua sucessão.
Ontem ainda podia ouvir-se: "Aperta com eles, Sá Pinto!!".
Veremos, então, até quando dura este cântico.
A minha independência nunca me permitiria cantar isso, porque só o Sporting me encanta mas, espero que esta aparente miopia de alguns adeptos não  ilibe eternamente o treinador.
É que descarregar a ira nos jogadores não facilita a tarefa deles, em campo.
Como diria Paulo Bento..."se quiserem assobiar, façam-no a mim".