sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Procura-se vitória

Ontem, uma vez mais, abdiquei do prazer da escrita para evitar ser precipitado na análise ao decepcionante resultado que o Sporting obteve na Dinamarca.
Decepcionante...porque todos nós desejávamos, como sempre, vencer, e de preferência por margem folgada.
Decepcionante porque o que pudemos comprovar foi a diferença abismal que existe entre as duas equipas, pelo que o empate final  sabe a muito pouco.
O que pude constatar não me apanhou minimamente desprevenido, por diversas razões.
Em primeiro lugar, tal como pude escrever aquando do sorteio, é que a história dos nossos confrontos com estas pêras doces não é amarga mas, nunca nos adoçou a boca com facilidade, mesmo que muitos sportinguistas e blogueiros exigissem a goleada da ordem, perante sorteio tão simpático. 
Já tinha prevenido (basta consultar a respectiva crónica) que antevia um resultado equilibrado, até pela nossa deprimente eficácia ofensiva. 
Desta vez houve algo que mudou o habitual figurino dos nossos jogos, e a vontade de vencer desde o primeiro minuto de jogo veio em contra-ciclo com o que vem sendo hábito, neste e noutros plantéis recentes do Sporting.
Não sei se Sá Pinto despertou de algum marasmo que o tem tolhido ou se foi consequência da assumpção da sua evidente superioridade, mas o certo é que foi agradável ver o Sporting (finalmente) assumir as despesas do jogo logo após o apito inicial, mesmo que essa vontade tenha posteriormente esbarrado na habitual inépcia dos nossos jogadores em conseguir enfiar a redondinha no meio dos três pauzinhos encavalitados.
Todos nós queremos que a equipa ganhe mas, no meio de tantas condicionantes e equações que um jogo de futebol apresenta, convenhamos que é um pouco mais agradável constatar que a equipa cria duas mãos cheias de oportunidades de golo em lugar do deserto de ideias e ocasiões de golo de alguns dos mais recentes jogos.
Claro está que esta superioridade estatística, que não teve repercussão no resultado, pode ser fruto da tal diferença de valores, e só os próximos jogos poderão desvendar se a atitude dominadora é para continuar (esperemos que acompanhada por uma melhor pontaria, e por guarda-redes menos inspirados) ou se se terá esgotado no jogo da Dinamarca, até aparecerem outros coxos.
O universo leonino dividiu-se quase em partes iguais na análise a este jogo, e calculo que os optimistas crónicos tenham visto alguns dos bons minutos com natural excitação, e tenham fechado os olhos a algum desnorte evidenciado que podia ter colocado a eliminatória muito complicada.
Os pessimistas devem ter ficado com as fífias defensivas como ponto de referência, e a obrigação de golear os frágeis nórdicos deve ainda pairar nos seus espíritos nos próximos dias.
Eu, que pertenço à classe dos desconfiados, vou situar-me pacientemente na faixa que separa estas duas classes de sportinguistas, mas esperançoso, como sempre, que os resultados e as exibições melhorem significativamente.
Como sou desconfiado, vou continuar a não acreditar que o Sporting vá golear o Horsens na sua visita a Alvalade, mas mais desconfiado irei estar porque, como disse na mesma crónica que referi umas linhas acima, estes dinamarqueses têm demonstrado ser muito melhores fora de casa, como o comprovam os resultados que têm conseguido neste início de época.
Por tudo isto, e porque cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, convém abordar com o máximo rigor e entrega o importante jogo da segunda mão, de modo a poder defender este ano o estatuto de semi-finalista tão dificilmente conquistado o ano transacto.
Depois de digerido este empate, urge focalizar e incidir todas as energias no jogo do campeonato, por forma a tentar quebrar esta sina que tem martirizado os adeptos sportinguistas.
Os arranques de cada época são acompanhados por uma esperança sempre renovada, mas os resultados têm sido desanimadores.
O ano passado arrancámos a época com 3 empates, perante adversários também de segunda ou terceira águas, e este ano arriscamo-nos a fotocopiar esta triste sina.
A eterna pressão de vencer parece ganhar outros contornos quando se veste a nossa camisola, e nada melhor para libertar essa pressão que começar a ganhar, o quanto antes possível.
Depois do desaparecimento da mascote do rival, também no Sporting procura-se a vitória, com urgência.