segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Miragem ou alucinação

Era eu uma criança quando vi numa enciclopédia a fotografia de uma miragem.
Fiquei algo perplexo porque pensei, na minha santa inocência, que um fenómeno desta estirpe não fosse possível captar com uma máquina fotográfica.
Claro está que eu, como muitos, confundi miragem com alucinação, talvez pelo hábito que tinha de ver desenhos animados onde os personagens lutavam para alcançar maravilhosos oásis no deserto que, chegados lá, não correspondiam à realidade.
Quando tentei explicar que a miragem é um fenómeno óptico, potenciado por determinadas condições atmosféricas, nem sempre fui compreendido, por pessoas com as mais variadas idades e graus académicos.
Existe até um fenómeno que ocorre sazonalmente no meu Algarve, perfeitamente visível nas praias durante o Verão, que foi confundido com uma onda gigante no ano de 1999 e que provocou o pânico generalizado na região, enquanto eu me deliciava nas cálidas e tranquilas águas pois o fenómeno observável era, unicamente, a tal miragem que ocorre todos os anos.
Mas não é só no Algarve que se dão fenómenos ópticos.
Em Arouca, no último Domingo, ocorreu uma miragem que iludiu a maioria dos observadores, e que os levou a considerar que tinha havido uma grande penalidade cometida por Jonathan Silva que não foi assinalada, e que essa infracção ainda lhe valeria o cartão vermelho, por acumulação de amarelos.
Esta miragem não me apanhou de surpresa, habituado que estou a fenómenos análogos.
Logo na primeira repetição vi perfeitamente que o jogador argentino cortou a bola de forma limpa, mas a minha estranheza foi com a repetida ideia dos jornalistas em afirmar que o defesa tinha derrubado o jogador belga do Arouca.
Os comentadores de serviço focaram a sua atenção numa determinada zona da anatomia do defesa sportinguista, e esqueceram-se de tudo o resto.
No entanto, a reincidência em comentários absurdos, que já vem de jogos anteriores, fez-me reduzir drasticamente o volume do canal televisivo e desfrutar das incidências do jogo.
Terminado este, fui saber das opiniões dos entendidos.
Comecei logo por ouvir Costinha, o nosso ex-jogador e ex-director, a afirmar a uma rádio que tinha ficado por marcar uma grande penalidade (e consequente vermelho) para o defesa leonino.
Depois ouvi Pedro Sousa, outro sportinguista convicto, fazer a mesma observação do lance, a um canal de televisão.
Outros houve que repetiram o diagnóstico, a juntar as suas às vozes de todos os adeptos de clubes que têm beneficiado de sucessivos erros arbitrais e que estão desejosos de que o Sporting também veja o seu nome manchado no presente campeonato.
Perante tanta unanimidade pensei que, afinal, o fenómeno que me afectou foi uma alucinação (distorção da percepção da realidade) e não uma simples miragem, que pode confundir qualquer um.
A imagem não me sai da retina, e continuo a ver Jonathan Silva a cortar o lance de forma limpa, apesar do pé que fica para trás acabe por tocar no avançado emprestado pelo porto aos arouquenses.
Parece-me que tenho que consultar um especialista.
A não ser que seja como em 1999. Aquela malta toda a fugir da praia, em histeria colectiva, também toda ela viu o mesmo, e até os meios de comunicação social se juntaram à festa e relataram o acontecimento.












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