domingo, 28 de junho de 2015

William e C&a.

O apuramento da selecção de sub21 para a final do europeu da categoria volta a trazer para a ribalta a excelência da formação do Sporting.
Poderá haver quem fique tentado a delimitar temporalmente os louros desta fornada de jogadores, e não é segredo nem tabu que este lote de futebolistas são o resultado de anos de um trabalho rigoroso e aturado, mas os frutos (bons ou maus) do que se está a fazer no presente só serão visíveis daqui a alguns anos.
Por isso, para mim existe unicamente a formação do Sporting, e é essa que tenho prazer em ver ser reconhecida.

A verdade é que Portugal deu um recital de futebol, mas o 5-0 à Alemanha não espelha a diferença entre as equipas.
Hoje tudo saiu bem, desde um tropeção de Cavaleiro na bola que se transformou numa assistência perfeita para Bernardo Silva, até um remate de João Mário que se tornou certeiro porque hoje a baliza alemã parecia ter um íman que atraía todos os remates.
No entanto, devemos desfrutar do momento e extrair o que de mais positivo foi possível ver…e foi quase tudo.

Apesar do resultado ter deixado meia Europa de boca aberta, a exibição de hoje só terá algum significado se conseguirmos levantar o troféu pela primeira vez, na próxima 3ª feira.
Para isso acontecer, teremos que voltar a ter toda a equipa a um nível elevado pois, como pudemos constatar na fase de grupos, a Suécia tem armas suficientes para nos deixar, uma vez mais, com a vitória moral.

Muito do sucesso poderá passar pelos pés do virtuoso Bernardo Silva, apontado como o candidato a melhor jogador da competição mas, desculpem-me a desfaçatez, continuo a considerar William a placa giratória por onde passa todo o futebol desta selecção (e do Sporting).
O jogador leonino já deixará poucos surpreendidos, mas a lucidez com que aborda cada lance, com que inicia cada ataque, é meio caminho andado para o sucesso.
Claro está que necessita quem dê continuidade, com qualidade acrescida, a todo o seu protagonismo, mas sinceramente não acredito que chegássemos a este patamar (por muito Bernardo S. e Sérgio O.) sem o seu contributo.
É verdade que não tem estado tão assertivo no roubo de bolas, mas considero-o o elemento mais decisivo em toda a manobra da equipa.

Não sei se a UEFA, para lá do melhor jogador do torneio, irá constituir o 11 ideal, mas se tal acontecer não tenho muitas dúvidas que dele farão parte William e Paulo Oliveira, talvez o melhor central da competição.
José Sá e Bernardo Silva poderão compor o ramalhete, e só não entrarão João Mário e Sérgio Oliveira se a UEFA quiser democratizar a escolha.
Esgaio não tem estado a um nível demasiado elevado, principalmente no capítulo ofensivo, mas mesmo assim tem relegado João Quinze Milhões Cancelo para o banco.
Os minutos que Carlos Mané teve neste Europeu foram desaproveitados, mas acredito que Iuri ainda venha a protagonizar algum lance que o possa eternizar.
Já Tobias tem rendido o lesionado Ilori, e o melhor que se pode dizer dele é que ninguém tem dado por falta do jogador que o Sporting vendeu ao Liverpool.
Apesar de todo o conhecimento que os olheiros presentes na competição já têm, há largos anos, de todas as nossas pérolas, espero que o plantel do Sporting possa sobreviver a mais esta importante mostra de carácter internacional.