domingo, 5 de julho de 2015

Os dois lados da razão

O Sporting informou a CMVM sobre a rescisão de contrato, por mútuo acordo, com Marco Silva.
Tive que ler o comunicado 8 vezes para ter a certeza que lera bem.
Mútuo acordo.
Sim, mútuo acordo.

Nas últimas semanas este parecia um cenário impossível para algumas mentes mais retorcidas.
A primeira tentativa de acordo fez alguns rejubilar de gozo, pois consideraram que o Sporting perdia toda a razão por ter alegado justa causa. Afinal, um dossier de 400 páginas nunca poderia redundar num qualquer acordo.
Depois consideraram (mais) uma derrota do Sporting o facto de Marco Silva (ou os seus representantes legais) terem recusado algumas das exigências.
Também eu julguei algumas das cláusulas de difícil consenso, mas pareceu-me normal a tentativa de atirar o barro à parede, para ver se colava. É assim em quase todo o lado.
Sei, isso sim, que a razão raramente está apenas de um dos lados.
Desconheço ainda os termos do acordo, e até onde terá havido cedências para que ambas as partes ficassem satisfeitas, mas agrada-me que não tenha sido necessário esticar demasiado a corda.
Seria nefasto para os dois lados da razão.
No entanto, uns verão neste acordo a derrota final de BdC e seus pares neste processo, apesar de ter lido e ouvido até há pouco tempo atrás que o Sporting poderia ter que pagar os anos restantes de contrato e, ainda, uma indemnização por danos patrimoniais.
Já os que quiserem ir em sentido contrário poderão dizer que, afinal, Marco Silva também poderia ter rabos-de-palha, ao aceitar um acordo onde não são contemplados todos os seus direitos.

Ouvia há dias de um jornalista dizer, em tom jocoso, que o Sporting teria que aumentar o departamento jurídico, pois o clube iria ficar atolado em processos.
Afinal, este demorou menos que um piscar de olhos.
Talvez seja melhor adiar essa ampliação.