segunda-feira, 25 de março de 2013

Juntar um pouco de água e meter no microondas

Enquanto aguardamos que os resultados das eleições se tornem oficiais, já é possível tomar o pulso à opinião de parte do sentimento leonino.
Dando uma volta pelas redes sociais e alguma blogosfera, já é constatável que união será um lema que dificilmente entrará no vocabulário leonino.
Claro está que não se pode generalizar mas, num piscar de olhos, deu para perceber que a onda de contestação às últimas direcções irá continuar, mesmo que com outros protagonistas.
Apesar de nos auto-intitularmos de "diferentes" no universo dos adeptos portugueses, o facto é que estamos cada vez mais parecidos com a maioria.
Se as direcções de Bettencourt ou Godinho Lopes (só para falar das mais recentes) ganharam a pulso...a repulsa da maioria dos adeptos, a mais que provável vencedora, encabeçada por Bruno de Carvalho, vai coleccionando anticorpos ainda antes de estar confirmada.
Enquanto os mais acérrimos defensores gritam a plenos pulmões o corte com o passado, uns quantos parecem conhecer não só a incapacidade do futuro presidente como pormenores mais sórdidos da sua existência.

Pela minha parte, prefiro manter-me em terreno neutro ...e não tem nada a ver com neutralidade institucional.
Tem mais a ver com bom senso.

Nos últimos anos banalizaram-se cânticos por jogadores, treinadores ou dirigentes, mas a  vergonha devia apoderar-se dos seus autores quando os seus ídolos instantâneos passam de bestiais a bestas...quando de repente vestem outra camisola ou quando a incompetência emerge.

São daqueles ídolos recentes, em que basta juntar um pouco de água, meter no microondas durante 2 minutos, e está pronto a consumir.

As referências mais recentes dizem-nos que, por exemplo, Liedson deixou Alvalade em lágrimas mas, passado pouco tempo, já dizia que o seu sonho era vestir a azul e branca.
O "aperta com eles Sá Pinto" passou, em pouco tempo, para "aperta mas é contigo...". 
Os dirigentes também merecem as luzes da ribalta e a paixão assolapada. 
Se me puser a pensar em dirigentes idolatrados, rapidamente chego a um de outro clube que tem lugar reservado no panteão, já que não teve na prisão.
Em nenhum outro país me recordo de andarem com os presidentes em ombros, excepto nos de Terceiro Mundo. 

Mas, claro,  compreendo que a paixão se consiga apoderar de alguns espíritos, e que o desespero faça ver Messias onde eles não existem.
A paixão está umbilicalmente ligada ao desporto. 

aquelas figuras emblemáticas e incontestáveis, praticamente deixaram de existir, principalmente no nosso clube.
Com a ausência de sucesso desportivo, quer-me parecer que tão cedo não irão surgir outras referências.

À falta destas, pode sempre agarrar-se num qualquer, juntar-se um pouco de água e meter no microondas, por 2 minutos.