quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Limpinho

benfica 2 Sporting 0

O sonho desfaz-se, lentamente.
Desfaz-se como tinha acontecido dois dias antes com a cobertura do estádio, talvez de modo premonitório.
Não vi o jogo, por opção.
Tinha este pressentimento, e preferi não ferir o coração.

No entanto, estou em posição de analisar números e expectativas.

Assim, pela 2ª vez na época caímos para o 3º lugar.
Se após o empate caseiro da 5ª jornada com o Rio Ave ficámos a 2 pontos do líder, a derrota de hoje e a queda na classificação podem ser fatais.
De repente, ficámos num limbo...a "6 pontos" do 1º lugar, e a 7 do quarto classificado.
Sim, porque para lá dos 5 pontos de distância para o rival temos a desvantagem do confronto directo, o que em caso de igualdade pontual poderá ser decisivo.
Na redacção do Roscof deve haver festa da grossa.
Para lá do benfica ter vencido e reforçado o 1ºlugar, também têm o seu amado factor de desempate a servir de muleta.

Tinha dito na semana que antecedeu o jogo que a derrota na luz significaria o adeus ao título. A candidatura ao título que muitos quiseram que assumíssemos, mas que cautelosamente sempre evitámos.
Reforço esta velha ideia com alguma preocupação.
Primeiro, porque os nossos jogadores já tinham demonstrado publicamente que o pensamento passava pelo 1º lugar, e nem deveria ser de outro modo. Com este revés, o plantel pode ficar tocado...ou à beira do K.O., com a agravante da pouca experiência não ser boa conselheira.
Segundo, porque a onda verde irá certamente desbotar.
O desânimo dos adeptos é evidente em muitos dos comentários que pude ler.
Pior ainda, é a revolta para com jogadores, equipa técnica e tudo o que mexa.
Lá está, se uma derrota é sempre difícil de digerir, perder com o benfica pode provocar alucinações.
Esta pode ter sido mais uma prova do frágil laço que une a equipa aos seus adeptos, e que muitos se auto-intitulam de melhores do mundo.
Foi precisa uma derrota limpa, a segunda da época, para fazer mais dano na auto-estima de um sportinguista que uma ventania em painéis sandwich com interior em lã de rocha.

Os mesmos que há poucas semanas batiam no peito, de modo confiante, são os mesmos para quem...de novo, tudo está mal e se indignam com a falta de qualidade do plantel.
Talvez os mesmos que exigiam que o Sporting jogasse com dois pontas-de-lança, e agora consideram ter sido um suicídio.
Mas, até na surpresa da táctica arrojada, fomos batidos pelos caprichos do vento.
Mas é claro que há evidências preocupantes, como por exemplo o Sporting continuar num deserto goleador.
Nos últimos 5 jogos para a Liga, uma vitória, três empates e uma derrota...e apenas um golo marcado.
Um singelo golo, em cinco jogos.
A crise goleadora, que vai muito para além da crise de Montero, já começa a ganhar contornos que nos faz recordar a patética época passada, mesmo que a qualidade do futebol praticado não tenha paralelo.
Perante este cenário, estava capaz de voltar a exigir os pontos que nos foram roubados contra o Rio Ave, Nacional, Estoril e Académica.
Ainda seriamos líderes e  com algum conforto para ultrapassar a crise de jogo e resultados, que afectam qualquer equipa.
Preocupante mas esperada, é a dependência da equipa de William Carvalho.
Pelos relatos que pude ler, a ligação defesa/ataque foi inexistente, e estou em crer que parte deste défice se deveu à sua ausência.
Eu sabia que a equipa iria ficar órfã, mas também o sabia Paulo Baptista...e Jejuns.
Perante o que aconteceu, e que Leonardo Jardim também identificou como o grande handicap da equipa, pergunto-me o que acontecerá a esta equipa caso William falhe mais jogos.

Por último, ao saber da vitória dos encarnados, pus-me logo a imaginar a felicidade e os festejos que terão ocorrido em muitos lares onde se sente benfica...como nas casas do talhante Mota, de D. Gomes, de P. Baptista ou de P. Proença.
Ao empurrar o Sporting para baixo com todas as suas forças, as suas carreiras nunca estiveram em risco. 
A nódoa que pode ter ficado nos seus equipamentos, graças aos seus prestimosos serviços...sai com a mesma facilidade que a que ficou na blusa de Monica Lewinsky, ou qualquer outra que use a boca para subir na vida.