sexta-feira, 25 de abril de 2014

A ditadura que perdura

O 25 de Abril de 1974 marcou o fim a um calvário de 48 anos de ditadura.
Passado menos de um mês, o Sporting sagrava-se campeão nacional, o primeiro em democracia.
Em Setembro de 1974 fui ver pela primeira vez o meu clube, ao vivo.
Daí para cá o Sporting voltou a vencer o título nacional por 4 vezes.
Foram as vezes que nos foram permitidas pela ditadura que nunca foi derrubada.
Os vários poderes autocráticos foram-se revezando, em longos e profícuos períodos. 
Em 1982 entra em cena Pinto da Costa e impõe uma das ditaduras mais férreas que há memória. 
Um regime que só permitiu ao Sporting dois títulos em 32  anos.
Tal como em 74, os tempos parecem estar agora a mudar sem uso da força.
Uma mudança de regime que, a confirmar-se, só irá alterar o nome do ditador, porque os métodos para se perpetuar no poder não serão muito diferentes.
Regimes que contam com a indiferença do poder político e, até, com a conivência do poder judicial.

O Sporting continuará a ansiar por novo 25 de Abril, como o ex-presidente Dias da Cunha chegou a referir há uns anos atrás.
Não sei é como se poderá derrubar um poder que conta com um exército de árbitros como aliados, tal como o que nos amordaçou os festejos durante a maioria dos últimos 40 anos de cruel e inflexível vontade.

Talvez Vasco Lourenço, coronel que lidera a Associação 25 de Abril e assumido sportinguista, o saiba.
Se esse dia chegar, passaremos a usar um cravo verde para celebrar a  democracia no desporto português.