sexta-feira, 4 de abril de 2014

Maré tóxica

À primeira vista, a aceitação pela Liga do pedido de alteração do jogo Arouca-benfica  parece um acto de benevolência  para com o pequeno clube.
Parece pouco importar se as regras…ou a coerência, são chutadas para canto, tendo como termo de comparação a intransigência da Liga para com o pedido do Olhanense.


Parece recorrente haver estranhas jogadas de bastidores, se fizermos o paralelismo com o Estoril-benfica de 2005, em que o Sporting também estava em 2º lugar no campeonato...também a 5 jornadas do final.
Nesse ano, um Estoril com a corda na garganta alegou interesses económicos para jogar no Algarve, colocando em causa a sua permanência.
Viria a descer de divisão mas, pelos vistos, com os cofres bem recheados.

António Figueiredo era o presidente da SAD e José Veiga tinha deixado os canarinhos para rumar ao benfica.

Dias da Cunha apelidou o processo de "Promiscuidade de interesses".

O Arouca terá (alegadamente) um conflito com a Câmara, e muito interesse em fazer uma boa receita com este jogo.
Já me referi a este tema e, nas partilhas que os amigos fizeram da minha opinião no Facebook, reparei que alguns adeptos do novo sistema foram lestos a comentar, alegando precisamente a vertente económica do Arouca…para lá da azia, da dor de corno, do limpinho limpinho e outras justificações à sua medida, quando se referem ao Sporting.
Vou por isso aproveitar os números disponibilizados pela Liga e compiladas por um “tasqueiro” , e que podem ajudar a perceber esta mudança de campo.

Os números podem ser sujeitos a algumas interpretações, como por exemplo o momento desportivo das equipas, o clima ou, até…os preços dos bilhetes.
Se fecharmos os olhos a essas condicionantes que podem, até, desnivelar ainda mais a balança, o certo é que o Sporting foi quem mais espectadores  levou aos estádios do país, sempre que se apresentou como visitante.
Sendo o benfica líder há várias jornadas, é curioso verificar como o Sporting ainda contribui mais para as finanças dos pequenos e médios clubes.
À onda verde da primeira metade da época, poderia responder a maré vermelha que, como se sabe, só dá à costa na preia-mar. Esta, costuma ser provocada por micro-algas e pode ser tóxica.

Perante estes dados, espanta-me como nenhum clube se disponibilizou para jogar com o Sporting em campo neutro, por forma a melhorar as suas receitas.
Até me atrevo a dizer que, se algum clube o pretendesse, veria a sua proposta negada…como a intenção do Olhanense jogar no seu próprio estádio.
Claro está que mudarei de opinião se o Paços de Ferreira propuser a alteração do nosso jogo deste fim-de-semana para Guimarães, de modo a reforçar as suas finanças, e a Liga aceder ao pedido.