segunda-feira, 17 de março de 2014

Calimero

Sporting 1 porto 0

Quantos de nós não sonhámos com uma vitória perante um dos ícones da corrupção, com um golo irregular?
De preferência, com um golo do árbitro com a mão, 10 minutos após o termo do tempo regulamentar.
Mas não foi nada disso que aconteceu.
O Sporting venceu o jogo de forma justa, se bem que o golo tenha sido precedido de um fora-de-jogo de André Martins, antes de efectuar o cruzamento para Slimani.
No entanto, ao recordar-me de um dos golos do benfica na recepção ao Marítimo, encaro este lapso do árbitro-auxiliar como perfeitamente normal, dada a velocidade a que o lance se desenrolou.

Lance do golo no benfica-Marítimo (clicar)

Regressando ao jogo de Alvalade, confesso que estava algo apreensivo pelo momento que as equipas atravessavam.
O porto vinha de um apuramento e uma vitória moralizadoras, sustentadas na alteração da equipa técnica e com a ambição de inverter a pálida imagem que tem dado durante toda a época.
O Sporting vinha de um frustrante empate em Setúbal, mesmo que nas condições que todos nós sabemos. O adeus quase definitivo ao título poderia ter fragilizado o espírito positivo que tem norteado a equipa.
Apesar deste cenário, a equipa entrou bem no jogo, mas algumas más definições no último passe impediram que a equipa finalizasse jogadas de grande perigo pelas alas.
Depois apareceu Quaresma, que lançou o pânico na zona de Cédric. Uma boa assistência para Varela e um remate à barra davam a entender que a noite poderia ser aziaga.
A primeira parte terminaria com um falhanço de Jackson, num lance em que as culpas pela ineficácia devem ser atribuídas em 95% ao avançado colombiano.
Os outros 5% à boa iniciativa de Cédric, ao estorvar a acção do avançado.
Contudo, o treinador Luís Castro enfiou a casca dos injustiçados, e atirou-se à arbitragem.
O ex-treinador da equipa B não só se queixou do golo irregular, como deste lance...alegando que deveria ter havido grande penalidade e Cédric ser expulso...talvez com o vermelho directo.
Serei muito rude se lhe disser para meter mais tabaco no que anda a fumar?

A segunda parte começou praticamente com o já falado golo leonino, e passado pouco tempo o jogo ficou marcado pela lesão de Helton.
Se é verdade que já desejei menos sorte a alguns jogadores adversários pelos quais não nutro qualquer simpatia, não menos verdade é que Helton parece ter a capacidade de gerar consensos.
Foi por isso um momento particularmente tocante ver o público de Alvalade, de pé, a aplaudir a saída do guarda-redes adversário...que representa um clube com o qual estamos e estaremos de costas voltadas, durante muitos e bons anos.
Todos os clubes têm bons e maus adeptos, é certo...mas não deverei andar longe da verdade ao considerar que o Sporting tem uma quantidade maior de bons que os outros.
Entre o reconhecimento a Helton e a recepção que Patrício teve no Estádio do Ladrão, existe uma linha que separa mentalidades que nunca se tocarão.

Cartazes mostrados a Rui Patrício no Estádio do Ladrão (clicar)

Como já disse, apesar do Sporting ter sido superior na segunda parte, o facto do resultado ser curto não permitia que os corações sossegassem, e uma vez mais a equipa falhou na definição quando poderia ter matado o jogo uma...duas...três vezes, em contra-ataques em superioridade numérica.
O jogo não terminaria sem a expulsão de Fernando, o que só veio aumentar a queixa dos portistas. 
Ao assisitir ao discurso dos perdedores, e tendo em conta do que somos apelidados cada vez que apresentamos as nossas pertinentes queixas, não ficarão ofendidos se vos chamar...CALIMEROS.


Já agora, queria aproveitar a rara ocasião para comparar alguns dos protagonistas da equipa de tostões com os da equipa de milhões.
Comparações com a equipa de melões ficará para outra oportunidade.
Assim, o presidente Bruno de Carvalho sai vencedor ao conseguir trasladar a casca que teimava em não partir.
Leonardo Jardim fez o mesmo, depois de ter mostrado publicamente o seu desagrado pela arbitragem do jogo de Setúbal, o que lhe valeu logo algumas críticas.
No duelo de argelinos, penso não haver dúvidas. O avançado titular da selecção e que custou 250 mil euros decidiu o clássico, enquanto o suplente da selecção que custou quase 4 milhões por metade do passe entrou perto do fim, para trocar de camisola com o seu compatriota.
No duelo de trincos da selecção parece também não haver dúvidas. O miúdo é o pêndulo do meio-campo, e já tremo de pensar o vazio que poderá vir a deixar, e que muitos milhões não preenchem.
O duelo de colombianos também foi curioso. Nem Jackson nem Montero decidiram, mas só um se ficou a rir, mesmo que tenha jogado só uns minutos...mas ainda a tempo de provocar a expulsão de Fernando.

No entanto, esta é uma vitória parcial. Para a semana haverá mais, num jogo tão ou mais difícil que o de hoje, e não convém relaxar.
Não quero ter de voltar a enfiar a casca.
É tão...mas tão agradável ouvir os queixumes dos outros.