segunda-feira, 31 de março de 2014

A tradição ainda é o que era

O Sporting venceu o Guimarães.
O porto perdeu com o Nacional.
A equipa leonina está mais perto de assegurar o 2º lugar e, deste modo, garantir a entrada directa na "Champignons" da próxima época, o petisco que tem uma importante vertente financeira e  desportiva.
Mesmo sabendo que, na época passada, o Sporting esteve ligado à máquina e foi-lhe administrada a extrema-unção, nada me fará esquecer a presente época, em que tivemos tudo para conquistar um título que teria tanto de surpreendente como de merecido.
Assim o quisessem as forças ocultas.
À equipa leonina (e a todos nós) foi retirado o fruto do árduo trabalho, os pontos que a equipa fez por merecer, fazendo lembrar o modo autista, cego e interesseiro com que alguns governos rapinam os seus concidadãos.
O 2ºlugar é o primeiro dos últimos, mesmo com a pomadinha para o catarro chamado Champions.
Não me saberá melhor nem pior que os 2ºs lugares de Paulo Bento, e respectivo passeio europeu.
Se ainda recordamos e choramos o golo de Ronny com a mão, em 2006, que teria minimizado este jejum de títulos que atravessamos, esta época irá ser recordada pelos penáltis por assinalar, pelos golos legais invalidados ao Sporting, ou pelos ilegais permitidos aos adversários.
O futuro campeão nacional foi-se arrastando de forma patética durante a prova, mas foi colocado no pedestal. Já aí, foi-lhe permitido melhorar a sua qualidade de jogo para, quase de forma unânime, ser considerada a equipa que melhor futebol pratica.
Mesmo que não haja troféus que premeiem essa faceta, também esse rótulo é tão duvidoso quanto o título que irá surripiar, porque a época começa em Agosto e arrasta-se pelo calendário fora.
A última imagem é a que irá perdurar, mas muitos não se irão esquecer do modo displicente com que se exibiram durante 2/3 do campeonato.

Enquanto os adeptos encarnados riem e os do Sporting esboçam um tímido sorriso, os do porto choram, baba e ranho…mesmo que ainda possam conquistar tudo, excepto o campeonato.
É verdade que os seus adeptos estão mal habituados. Mal habituados a não ganhar, e mal habituados a não ser beneficiados.
Foi o que se voltou a ver ontem, na Madeira.
Confesso que me dá um prazer enorme vê-los perder, de preferência com polémica.
Sim, porque se o Sporting pode continuar a ser espoliado e apelidado de Calimero, nada melhor que ver os outros perder e com a choradeira dos injustiçados de bónus.
Já agora, aquele golo invalidado ao Jackson faz com que o de Slimani..também contra o Nacional, valha por dois.
Se Manuel Mota considerou que o argelino empurrou o defesa nacionalista, Jackson deverá ser acusado de homicídio por negligência.
Miguel Guedes, conhecido paineleiro que ontem  tinha olheiras até ao pescoço, ficou escandalizado com o golo invalidado. É para ele ver como elas doem.

Entretanto, os mentecaptos que pululam nas redes sociais e espaço de comentários dos jornais online alegam que Capela estaria a soldo do Sporting, ao prejudicar o porto.
Exacto, o mesmo que nos abarbatou 3 grandes penalidades no Estádio da Lã, num passe de mágica, passou a ser adepto do Sporting.
Mas ter conhecimento destas teorias é culpa minha, que gosto de me entreter a analisar a expectoração que sai, de forma fluída, de alguns corpos e mentes consumidos pela doença.

Também achei engraçado Miguel Guedes não ter querido comentar a correria de Quaresma, na tentativa de agredir um adversário.
Disse o assalariado que a única coisa que conseguia ver era Quaresma a correr.
Pois eu, com o meu espírito independente, acrescentaria que o espectáculo da Choupana terminou com um grupo de danças e cantares local, com os seus lindos trajes típicos para engalanar o idílico cenário.
É gratificante ver e saber que a nossa cultura popular se mantém viva.
Foi reconfortante constatar que, no final do jogo do porto, o relvado serviu de palco para o “Bailinho da Madeira”, numa versão à desgarrada, onde cada um deu largas ao seu talento.
É bom saber que a tradição ainda é o que era.