sexta-feira, 14 de março de 2014

S.O.S.

O campeonato está garantidamente entregue, e foi embrulhado no melhor papel. A prenda foi ornamentada com um grande laço vermelho, cuidadosamente elaborado por diversos assalariados da entidade que se dedica a embrulhar.
Tudo parecia conjugar-se para uma época de sonho da equipa do Sporting, após despertar de um doloroso pesadelo, mas meses de árduo trabalho vão ficar resumidas a um vazio de títulos...graças aos assalariados da entidade que se dedica a embrulhar.
Fomos empurrados da Taça de Liga, fomos atropelados na Taça de Portugal e no campeonato fomos espezinhados...pelos do costume.

Bruno de Carvalho e restante estrutura indignaram-se (uma vez mais) pelo modo vergonhoso como nos despertaram desse sonho, mas desta vez pediram aos sportinguistas  que "digam basta" e que se "mobilizem", pois considera que "não podem resignar-se mais".
No entanto, parece-me que a mobilização tem que ser devidamente ponderada.
Acções e iniciativas descontextualizadas, "organizadas" em cima do joelho e que não tenham impacto podem vir a descredibilizar queixas que, em todos os quadrantes imparciais, são consideradas justas e pertinentes.

Já tinha confidenciado a pessoas do meu círculo de amigos (dada a menor disponibilidade para escrever) que na minha modesta opinião isto não se resolve com manifestações, mesmo que estas possam ter a melhor das intenções.
O país assiste quase diariamente às mais variadas formas de protesto, relativas a causas sociais de relevo, todas elas com elevado grau de adesão.
Convocar ajuntamentos de algumas centenas de pessoas, ou mesmo alguns milhares,  para lá de não obter resultados, poderá contribuir para que este "caso de polícia" possa ser olhado com desdém.
Tinha também comentado a possibilidade do clube começar a mover-se nas instâncias internacionais, face ao autismo e compadrio das entidades portuguesas (mesmo conhecendo a podridão que corrói FIFA e UEFA). 

Foi por isso sem surpresa que li o comunicado hoje difundido:

A Sporting SAD informa que deu instruções aos seus serviços jurídicos para procederem litigiosamente, em sede própria, contra todos os responsáveis pelas arbitragens que conduziram no ano passado a que o Sporting ficasse fora das competições europeias e que este ano são responsáveis pela retirada de, pelo menos, 7 pontos no Campeonato Nacional, o que associado à atribuição indevida de pontos aos adversários do Sporting justifica a actual posição do Clube na tabela classificativa. As Taças de Portugal e da Liga também serão alvo de análise.
Serão intentadas, nos termos da Lei, todas as acções admissíveis exigindo as compensações devidas a todos os organismos com responsabilidades nas situações verificadas, seja por intervenção directa em matéria de arbitragem, seja por omissões de tutela, não se excluindo quem quer que seja, incluindo os próprios árbitros, o Conselho de Arbitragem e a Federação Portuguesa de Futebol.
A Sporting SAD informa ainda que vai actuar junto da UEFA e da FIFA, entidades internacionais que superintendem o futebol, dando conta da actual situação da arbitragem em Portugal, que está na origem da actuação litigiosa iniciada, participando inclusivamente das incorrectas actuações dos Conselhos Disciplinar e de Justiça.
Está igualmente em estudo, a manter-se a falta de bom senso na nomeação dos árbitros, a possibilidade de, nestes casos, solicitar uma intervenção no sentido de a arbitragem passar a ser feita por árbitros estrangeiros.

Perante as sucessivas queixas, os adeptos dos clubes rivais, do alto dos seus fedorentos poleiros, esvaem-se em sonoras gargalhadas.
Uns têm como aliado o velho sistema que, mesmo moribundo, ainda vai dando provas de que é multi-resistente, como a melhor das bactérias.
Os outros têm como aliado o novo sistema, sustentado num quadro arbitral cada vez mais pintado a uma cor.
Aos sportinguistas parece não restar outra esperança que, tal como em países onde a injustiça e a desigualdade corroem o espírito democrático, uma força internacional venha em nosso auxílio.