quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sempre actual


No lançamento do jogo da Taça de Portugal entre porto e Sporting que se realizará no próximo Sábado, estive a ouvir com atenção as memórias de outros clássicos relatados por Fernando Correia.
Uma das histórias é sobejamente conhecida, apesar de não ser relativa a esta competição.
Foi na época de 1975 que o Sporting disputou nas Antas o jogo referente à 7ª jornada do campeonato num dia de intenso nevoeiro.
A equipa leonina esteve a vencer por 0-2 e antes do intervalo permitiu um golo portista.
Ainda com mais de meia hora por jogar Gomes remata ao lado e, enquanto Damas vai buscar a bola para executar o pontapé de baliza, o apanha-bolas mete a bola dentro da baliza…tendo este bizarro acontecimento sido validado pelo árbitro Alder Dante.

Os naturais protestos dos jogadores leoninos ainda valeram uma expulsão, mas de um jogador que sempre jurou a sua inocência, e no final só se escreveu direito por linhas tortas porque, mesmo com 10 jogadores, o Sporting conseguiu fazer o 3º golo e sair das Antes com o triunfo.
Eu cheguei a ver as imagens desse golo fantasma, mas à falta delas podemos sempre assistir uma situação semelhante e aperceber-nos do caricato da situação.



Mas a história do porto-Sporting de 1922 chamou-me mais a atenção, talvez por essa não a ter vivido.
O Campeonato de Portugal disputava-se a duas mãos, e reuniu nessa primeira edição os campeões de Lisboa e do Porto.
No primeiro jogo, disputada no campo da Constituição dos azuis e brancos,  a equipa da casa venceu por 2-1, enquanto no segundo jogo o Sporting venceria por 2-0, num jogo dirigido por um árbitro espanhol.
Como nessa época ainda estava longe a ideia de se decidirem eliminatórias pelo somatório dos resultados, teve que se realizar um jogo de desempate.
O Sporting pretendia que o jogo fosse em campo neutro…e realmente assim aconteceu.
Aconteceu no Campo do Bessa, na cidade do Porto, perante o desagrado dos dirigentes leoninos.
Diz Fernando Correia, de acordo com os relatos da época, que o ambiente criado aos jogadores do Sporting foi inacreditável, antes e durante o decorrer do jogo.
Desde as condições de alojamento, passando pelos objectos arremessados no decorrer do encontro, até à excessiva dureza com que os jogadores do porto actuaram, com a total complacência do árbitro.
O Sporting viria a perder por 3-1, após prolongamento, e parece que foram recebidos como heróis, por terem conseguido sair do porto sãos e salvos.

É curioso como oiço um relato desta natureza e penso como, passados quase 100 anos, continua tudo tão actual.