domingo, 5 de outubro de 2014

Tudo está bem quando acaba bem

Penafiel 0 Sporting 4

Tudo está bem quando acaba bem.
Mas, a 20 minutos do final do jogo, já muito estariam a preparar o funeral a Marco Silva e restante equipa técnica.
É que a perda de mais dois pontos, ainda para mais contra uma equipa que lutará pela permanência, deixaria em muito maus lençóis o treinador e obrigaria a rever, provavelmente, o objectivo para o campeonato.
Os seis pontos que nos separam do líder (sim, a lampionagem irá vencer o Arouca, onde beneficiará de uma grande penalidade e de um jogador expulso) já são um fosso muito difícil de transpor. O alargar desse obstáculo poderá torná-lo numa missão impossível.

Marco Silva disse, durante a semana, que iria ser um jogo complicado, pois é um campo difícil e o Penafiel uma equipa aguerrida.
Isso ficou demonstrado enquanto o teimoso 0-0 foi permanecendo no marcador.
O doping psicológico de bater o pé a uma equipa grande permite uma disponibilidade física extra, e o doping psicológico de saber que um trio de arbitragem lhes está a facilitar a tarefa permite outra dose extra de confiança.
Sim, porque Rui Costa deu um recital de apito bem à moda da família Costa. Não a de Pinto da Costa, António Costa ou Jorge Costa… mas a de seu irmão Paulo Costa, que sempre nutriu um ódio de estimação pelo Sporting.
Curioso que apesar da garra e determinação evidenciadas pela equipa penafidelense, e de o Sporting ter usufruído praticamente de 70% de posse de bola, a equipa rubro-negra apenas viu um amarelo…contra os 4 do Sporting.

Mas a verdade é que ao Sporting seria exigível uma primeira parte com outra qualidade, que permitisse desgastar a equipa adversária mais rapidamente.
A lenta ou inexistente circulação de bola facilitou a tarefa de pressão adversária, e o campo parecia ainda mais pequeno do que já é.
Claro está que estes jogos requerem paciência, mas convém não esquecer que o tempo joga quase sempre contra quem tem a obrigação de vencer o jogo e, por vezes, acaba por tornar-se num inimigo, pois começa a corroer os índices de confiança.

O Sporting esteve perto de entrar em desespero.
Quando vemos o relógio entrar para os últimos 15 minutos contra equipas de menor dimensão, esse tempo passa enquanto se pestaneja duas vezes.
Por “sorte”, Marco Silva mexeu na equipa ainda antes do minuto 60/65, período instituído nos cursos ministrados por Paulo Bento.
É que Montero veio dar outra largura ao ataque leonino, e (principalmente) Adrien veio dar outra clarividência ao meio campo leonino.
Uma vez mais William tinha entrado em versão 2014/15…(lento, complicativo, com uma parca visão de jogo e uma baixíssima fiabilidade de passe) e a troca por Adrien perfumou a zona intermediária.
Coincidência, ou talvez não, é que o Penafiel praticamente não voltou a sair do seu meio campo após estas trocas.
A dinâmica da equipa sofreu uma enorme transformação, e o segundo golo matou o jogo, pois a equipa adversária sucumbiu quando o doping psicológico acabou.
O campo já parecia ter uma dimensão normal, e apercebemo-nos que, afinal, não havia em campo mais camisolas vermelhas do que "verdes".

Tudo está bem quando acaba bem, até quando damos uma parte de avanço…mas convém não abusar da sorte.