sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O barato sai caro

Os minutos, as horas, os dias vão passando e, treinador do Sporting, nem vê-lo.
Os treinadores não se compram em supermercados, onde podemos comparar os preços e características, mete-se no cesto e traz-se para casa. 
Os tempos que correm incitam a consumir marca branca, mas já experimentámos dos baratos e a experiência não aconselha a que se repita a dose.
Também há a marca branca tipo Mourinho, mas esse está comprometido com os "blancos" por mais algum tempo, até regressar à sua reforma dourada inglesa.
A experiência diz que a espera pode ser dolorosa, ou não estivéssemos ainda a aguardar pelo afamado ponta-de-lança, nunca prometido mas necessário e obrigatório.
Nestas últimas épocas (fosse após o adeus de Liedson ou na mais recente janela de transferências) a quantidade de adeptos leoninos ligados ao site da CMVM no último dia do mercado deve ter bloqueado os servidores, mas a espera resultou infrutífera. Acabaram por acordar para a triste realidade e dar por perdido esse tempo.
Com o treinador será diferente, pois Sá Pinto foi dispensado e precisamos, mesmo, do seu substituto.
Sei que contratar um treinador não é tarefa fácil pois são vários os factores a pesar, começando pelo económico até às componentes técnico-tácticas mas, infelizmente, o tempo que medeia entre a derrota no Dragão e a suposta estreia, com o Moreirense, vai-se esgotando.
A troca, apesar de ser sempre sinal de que as coisas não iam bem, não poderia ter ocorrido em melhor altura, mas se o calendário continuar a avançar tão rápido como até agora, dá-me a sensação que Oceano ainda terá que fazer mais uma perninha com a braçadeira de treinador principal. 
Ainda hoje é referido por uma publicação que o Sporting não tem pressas, pois não quer voltar a "errar".
Treinadores, tal como chapéus, há muitos, mas aqueles que cabem nas nossas contas, cabeças e exigências devem ficar reduzidos a meia dúzia.
Parece que, depois de uma primeira lista interminável de nomes, alguns deles sem qualquer crédito, a triagem mediática centrou-se no nome de Valverde, um dos poucos que me fazia olhar para aquela lista sem ter que ser ligado à ventilação assistida.
Depois de termos, nos últimos anos, apostado em treinadores com currículo zero (desde que para a época  2004/2005 fomos contratar o treinador-adjunto do Real Madrid, José Peseiro) ficámos com o estranho hábito de nos conformarmos com a nossa condição , pelo que a hipótese Valverde pode ser encarada com estranheza, porque o homem já ganhou alguns troféus e isso pode colidir com a nossa história mais recente.
É que, depois do referido Peseiro, tivemos direito a Paulo Bento, Carvalhal, Paulo Sérgio, Couceiro, Domingos e Sá Pinto que, todos juntos, pouco mais terão ganho que uma Taça da Cerveja, enquanto treinadores. O herói foi Carvalhal, com um troféu conquistado contra...o Sporting.
Uma das dificuldades em contratar alguém com algum currículo pode...e deve ser o  seu vencimento mas, se pensarmos que estamos a pagar ordenados de treinadores que estão a ver os jogos no sofá, será fácil chegar à conclusão que, por vezes, o "barato" pode sair caro.
Até lá, resta esperar por novidades ou ficar ligado, noite e dia, à CMVM.