sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

De costa a costa

As notícias de hoje continuam a colocar o central Ricardo Costa no radar do Sporting.
O próprio jogador já confirmou que houve abordagens com os seus representantes, pelo que podemos estar perante uma possibilidade e não um mero boato.
Seja qual for o desfecho deste interesse, Ricardo Costa nunca será consensual.
Para uns será um central experiente, com passagens por alguns campeonatos competitivos.
Para outros será um central velho, que andou por equipas medianas.
Para uns será um jogador com raça e entrega.
Para outros será um jogador sem a velocidade de outros tempos.
Para uns será um defesa que poderá dotar a defesa de mais agilidade de processos.
Para outros será um defesa baixo, que poderá trazer mais problemas nas bolas paradas.
Para uns será um jogador com 14 títulos no seu currículo.
Para outros será um jogador que só venceu um título, desde que saiu dos corruptos.
Para uns será mais um sportinguista a vestir finalmente a camisola leonina.
Para outros será mais um ex-jogador do porto.

Numa altura em que a equipa e a defesa leonina passam pelo seu melhor momento, o nome de Ricardo Costa será encarado como uma solução de recurso.
Se tivesse sido há um mês atrás, quando Talocha fez o jogo da sua vida, Ricardo Costa seria aceite sem pestanejar.

No entanto, a história mais recente indicia que só teremos novidades no final do fecho do mercado. Enquanto as outras equipas já começaram a remendar os erros diagnosticados, o Sporting tem por hábito esticar o período de transferências até à última badalada.
Ontem, por exemplo, ficámos a saber que Iuri e Fokobo foram cedidos ao Arouca, mas neste caso (como ontem tive oportunidade de referir) teria sido preferível adiar o empréstimo até à data de encerramento do mercado.
É que o Sporting desloca-se a Arouca no primeiro dia de Fevereiro e, dado que o clube não tem por hábito recorrer a estratagemas utilizados por outros para impedir que os seus atletas defrontem a casa-mãe, teria sido coerente dificultar a utilização dos referidos jogadores contra o nosso clube.
Também os rivais vão fazendo os seus ajustamentos, mas a torneira de onde saía dinheiro com abundância parece estar apenas a pingar.
Por isso também estes estão muito mais comedidos e a olhar para a prata-dourada que possuem no seu cofre, mas que passa perfeitamente por ouro aos olhos dos leigos, desatentos ou optimistas.
Parte deste optimismo assenta na ideia de que Jesus continua a ter o toque de Midas, e transforma tudo o que toca em ouro.
Coentrão continua a liderar este verdadeiro mito, mesmo que o próprio Jesus já não tenha feito mais que transformar em calhaus os seguintes 20 laterais esquerdos que lhe passaram pelas mãos, após a saída do caxineiro.
Hoje mesmo pude ler o central José Fonte referir que “Jesus vai fazer de Rui Fonte o melhor avançado de Portugal”.
Obviamente seria muito bom para a selecção nacional, porque Portugal não tem nenhum ponta-de-lança. Entre 0 e 1, seria óptima a segunda hipótese, mas como sportinguista não ficaria satisfeito, porque ia contra os nossos interesses.
No entanto, há não muito tempo o próprio Jesus terá dito “Faço de Djaló grande jogador”…com os resultados que se conhecem.
Depois de lhe ter falhado a magia com os laterais esquerdos, parece que com alguns avançados o seu toque é um toque de Mirdas, porque Nélson Oliveira, Ivan Cavaleiro ou Bebé também não beneficiaram das suas artes mágicas.
Parece que, de vez em quando, o toque de Midas parece mais um toque rectal.