quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Eixo do mal

O programa “Tempo Extra”, com Rui Santos à viola, abordou ontem alguns dos temas da actualidade, com destaque para as queixas dos corruptos relativamente à arbitragem.
Após a jornada do fim-de-semana foi amplamente divulgada a tarja que os S.D. exibiram, com uma caricatura onde se satiriza o momento actual do futebol nacional.
(Numa semana em que tanto se falou em liberdade de expressão, levaram a brincadeira demasiado a peito).

Apesar de compreender a sua intervenção, acho inacreditável a leviandade com que se tratam estes assuntos.
Como é possível, depois de três décadas de despudorada corrupção/tráfico de influências, continuarmos a ouvir falar em ajudas, favorecimento e mudanças de paradigma.
Como é possível falar-se abertamente do problema que continua a consumir o nosso futebol, mas colocando os corruptos como a vítima nessa alteração de padrão.
Na sequência das queixas dos azuis, que reclamam duas penalidades por assinalar a seu favor, Rui Santos acrescenta:

 “Admito que o árbitro e até o fiscal de linha não tenham visto…mas estas circunstâncias, na dúvida, no passado… estes lances era imediatamente assinalados. Há uns tempos a esta parte, e penso que começou o ano passado, as coisas estão um pouco diferentes. Eu acho que há uma alteração do eixo de influência…”

(Penso que Rui Santos talvez quisesse dizer que há uma alteração do eixo do mal.)

“Também admito que o árbitro não tenha visto a falta sobre Óliver…mas antes, na dúvida, beneficiava-se o porto, agora, na dúvida, não se beneficia o porto. Acho isto interessante porque é uma mudança de comportamento, uma mudança de paradigma.
…agora, na dúvida, nesta nova correlação de forças , tem havido um conjunto de lances em que os árbitros têm beneficiado o benfica. Isto está de alguma forma traduzido na classificação.”

Rui Santos também apresenta a sua Liga Real que, como sabemos, peca por defeito, e onde é perceptível que o Sporting é o clube mais prejudicado.
No entanto, o realce do jornalista prende-se com o medo que deixou de haver no Dragão, com os lances que na dúvida deixaram de beneficiar o porto e com o conjunto de lances de que o benfica tem beneficiado.
Penso que não lhe teriam caído os parentes na lama se tivesse acrescentado que, entre o domínio de um e de outro, em caso de dúvida ou em caso de certeza, o Sporting nunca foi beneficiado. E, já agora, muitos dos que se calam para cair nas boas graças dos seus superiores.
Diria até que com a pouca-vergonha que continua instalada no futebol nacional, dar realce ao facto de terem colocado Inzébio empoleirado no andor que carrega a comitiva lampiónica rumo ao título é dar trunfos a quem tenta, a todo o custo, afastar de si a desconfiança de mais um campeonato ferido de morte.