quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Frente e verso

Tal como esperado e desejado, o Sporting fez a sua obrigação e carimbou a passagem para as meias-finais da Taça de Portugal.

Finalmente um jogo em Alvalade para esta competição, onde nos últimos três anos só tinha jogado com o Alba.
Os sócios e adeptos é que não se mostraram muito sensibilizados com este detalhe, e pouco mais de dez mil sportinguistas marcaram presença. Diz que foi pelo frio.
Na Alemanha ou Inglaterra, onde os estádios estão sempre com a lotação esgotada, o frio também inibe muitos portugueses de ir ver um ou outro jogo.
Muitos dos que terão desistido de apoiar a equipa talvez tivessem mudado de ideias se soubessem que também ia haver nevoeiro. Por um preço simbólico podiam ter imaginado encontrar-se no Estádio da Choupana. Uma viagem à Madeira é sempre bem-vinda.
Outros tantos também teriam dado o tempo por bem empregue se adivinhassem o golo de Carrillo.

O Sporting venceu por 4-0, sem sobressaltos ou contratempos.
Poupou alguns titulares para o complicado e decisivo jogo em Braga, não perdeu por lesão nenhum dos jogadores base da equipa, nem sequer viu algum cartão que pudesse condicionar estratégias futuras.
Tudo correu bem, portanto.
Ou quase tudo.

É que uma ou outra exibição não atingiu os patamares exigíveis e foram muitos os que não se compadeceram com questões como a idade ou momentos de forma.  
Os assobios mostraram-se afinados, mesmo num jogo onde quase tudo seria perdoável.
Quem mais se destacou, pela negativa, foi obviamente Carlos Mané.
Reconheço que foi exasperante a quantidade de más decisões que tomou. Diria mesmo que foram quase todas. No entanto, não me recordo de um único jogador a quem o assobio dos próprios adeptos lhe tenha servido de incentivo.
Ainda há dias Leonardo Jardim recordou o seu lançamento na equipa principal, e prognosticou-lhe um futuro brilhante.
Eu gostava de ser tão optimista quanto o nosso ex-treinador mas…quem sou eu?

No entanto, também tenho a minha opinião de leigo.

Já tivemos jogadores em quem muito se apostava mas que o tempo se encarregou de resumir à condição de eternas promessas.
Na mesma linha de Mané recordo-me, por exemplo, de Lourenço…ou até Tijoló.
Jogadores que, dadas as suas características, têm alguma dificuldade em ver definida qual a posição onde melhor podem ajudar a equipa. 

Lourenço e Tijoló não tinham atributos de extremo, nem de ponta-de-lança…e o percurso de ambos foi eloquente.

Mané tem características diferentes, mas reconheço-lhe mais qualidade que os supracitados.
No entanto, até ao estatuto de estrela…penso que pode haver um longo e difícil caminho a percorrer.
No polo oposto encontra-se Carrillo.
Quase todas as suas decisões foram as correctas, e continua a manter um estado de forma invejável.
Se na época passada havia William e mais 10, este ano andamos mais perto de Carrillo e mais uns quantos.
No entanto, também o peruano passou por momentos complicados em Alvalade e onde se respirasse Sporting.

Mané não tem a velocidade nem os atributos técnicos de Carrillo, mas nele reside mais um exemplo de que, quando há qualidade, a paciência pode ser uma boa conselheira.