quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Tangível

O Sporting joga hoje com o Famalicão para os 1/4 final da Taça de Portugal.
Este encontro poderá manter vivas as esperanças no objectivo mais tangível da época.

Todos somos conscientes que, apesar do campeonato ainda não ter chegado a meio, este é um objectivo praticamente impossível de alcançar. 

Não estamos propriamente em Inglaterra, onde o Manchester United se assumiu como candidato com os tais 10 pontos de diferença do líder, números que, por cá, todos julgam(os) inultrapassáveis.
Na Premier League até os poderosos e ricos plantéis de Chelsea ou City parecem estar ao alcance de qualquer adversário.
Já na pobre Liga portuguesa qualquer adversário sabe com que linhas se cosem as competições…ou em que tachos se cozem as vitórias.
Por esse motivo é que o Chelsea levou recentemente 5 passas do Tottenham, depois de já ter perdido pontos com os medianos Newcastle, Sunderland ou Southampton.  
Por cá, com um plantel a roçar a mediocridade, a lampionagem perdeu pontos apenas com Sporting e Braga, praticamente no fecho da primeira volta.

Quase tão complicado quanto o campeonato apresenta-se, a meu ver, a Liga Europa.
Numa competição de mata-mata tudo é possível, mas a qualidade do vice-líder do campeonato alemão e da panóplia de boas equipas ainda presentes na competição antevêem uma tarefa demasiado complicada para a qualidade e extensão do nosso plantel.
Se poucos são os que (cautelosamente) dão a conquista da Taça de Portugal como garantida, tendo Famalicão, Marítimo ou Nacional e, possivelmente, o Braga no nosso caminho, não entendo como se pode afirmar (como tenho lido com frequência) que somos sérios candidatos a vencer a competição europeia quando nela encontramos nomes como Nápoles, Zenit, Roma, Valência, Sevilha, Tottenham, Fiorentina, Inter ou Liverpool, entre tantos outros.

Noutro nível de comprometimento encontramos a Taça da Carica.
A estrutura leonina parece não a encarar com a seriedade de outros anos e, deste modo, não deverá ser vista como um objectivo para a época em curso.

É com este cenário que chegamos ao jogo de hoje que, pelos motivos explanados, confere-lhe um interesse redobrado.
No entanto, Marco Silva poderá esbarrar em diversas incógnitas.
Logo à partida, a quantidade de jogos que terá que efectuar nos próximos dois meses, praticamente sem direito a folgas.
Serão 15 (ou 16) jogos em 2 meses, onde se incluem jogos com Braga, porto, benfica e wolfsburgo, entre muitos outros de maior ou menor dificuldade.
Apesar de podermos realizar mais 4 ou 5 jogos neste período do que os principais adversários para o campeonato, o Sporting terá os jogos da Taça da Carica para fazer descansar os jogadores mais utilizados, mas é fácil constatar que não há muito por onde espremer o plantel.
Em sentido contrário encontra-se uma outra encruzilhada. É que mesmo que o título seja uma miragem, a presença na Champions afigura-se como uma prioridade e uma obrigação para o clube.
Por isso, provavelmente, o Sporting jogará hoje com o Famalicão um jogo fundamental mas com Braga no pensamento, outro jogo onde não se poderá falhar.
Foi necessário um “golpe de asa” para ter Nani disponível para esse jogo, mas hoje não se pode correr o risco de perder Carrillo, William, Jefferson ou qualquer outro dos titulares indiscutíveis.
O Sporting terá a obrigação de, mesmo com metade dos titulares de fora, vencer a equipa famalicense sem passar pelo sofrimento da última eliminatória.