terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bacalhau corrente

Já deve começar a tornar-se evidente a minha prolongada ausência no blog.
Eu sei que há espaços leoninos que não sobreviveram à crise de resultados ou à crise de predisposição.
No entanto, a escrita disponível tem sido consumida por outras obrigações, e pouco mais que uma mão cheia de nada é o que tem sobrado.
De qualquer modo, por uma questão de compromisso, hoje vim salpicar este espaço com algumas palavras.

Devo dizer que vivi mais uma jornada da Liga Zon com bastante expectativa, e foi com perplexidade que assisti a um erro grosseiro que beneficiou o Sporting.
Diria até que aquele que abriu a porta da quase-goleada foi um penalti "à Benfica" ou, porque não..."à Porto".

A diferença entre a grande penalidade inexistente que nos beneficiou e outras que também só existem em livros de ficção,  é que a esmagadora maioria dos adeptos leoninos reconheceu o erro, em oposição aos obtusos adeptos rivais que, à imagem de alguns dos seus líderes, são incapazes de o reconhecer.
Imagino (porque tenho andado alheado até do deboche intelectual que sucede aos jogos de fim-de-semana) que os adeptos rivais logo se tenham atirado ao famingerado erro, mesmo que o erro seguinte nos tenha sido duplamente prejudicial.
No entanto, não deixa de ser estranho...numa época já por si só atípica, ser apontado como alvo de um qualquer benefício arbitral; mesmo que no lance seguinte o árbitro volte a ser incomodado pelo habitual astigmatismo típico de quem ajuíza um jogo do Sporting.


Essas mesmas vozes que se terão levantado, em coro, perante o erro de que estranhamente beneficiámos, terão ficado caladas...talvez também em coro, perante os erros que beneficiaram porto e benfica, e que deram um golito e três pontinhos, a dividir por quem de direito.

Dois golos em fora-de-jogo que são mais grotescos que uma grande penalidade, passível de ser falhada.
Dois golos em fora-de-jogo mais evidentes que um que apanhou a orelha de Montero, mas que servirá de arma de arremesso durante décadas.
Os pénaltis ""à benfica" ou "à porto" são como o bacalhau corrente. Vêm com frequência à mesa.
O nosso deverá ser um artigo caro e raro, e será recordado para a eternidade, como o do Jardel, na Luz.
As raridades devem ser preservadas.

Parece que a justa vitória, reconhecida até pelo homem que foi buscar a bola 3 vezes ao fundo da baliza, não terá o devido destaque.
Talvez até Rui Santos se lembre de nos retirar pontos, na Liga da Verdade.

No entanto, nos parcos êxitos que temos tido, já me habituei a que desvalorizem os nossos méritos.
No fim dos muitos anos de jejum, só o Acosta é que nos valeu.
Passados dois anos, fomos acusados de termos sido beneficiados com dezenas ou centenas de penaltis e, porque não, de termos usado e abusado de Jardel.
Confesso, apesar de tudo, que prefiro recordar esses campeonatos como o do Acosta ou Jardel, do que pensar que foram dos Calheiros, do Lucílio ou outro qualquer ponta-de-lança.

Este ano, o paradigma mudou e somos acusados de estar a beneficar de um benfica e porto mais fracos. 
Ah, e de ainda não termos tido um teste à nossa capacidade...mesmo que estejamos ao virar da 1ª volta.
Só espero que continuem a desvalorizar-nos, até ao fim.