terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Comichão


Jorge Jejuns não deixa ninguém indiferente.

Se é verdade que o seu visual é motivo de larachas e caricaturas, graças ao seu estilo vintage, com a sua melena de um amarelo mascavado a fazer por vezes lembrar Camilla Parker-Bowles, o certo é que quem viu personagens como Valderrama ou Higuita não pode ficar melindrado com a aparência do treinador.
Mas se as aparências iludem, já a vertente humana e técnica podem e devem ser espiolhadas.
Se não bastasse o facto de Jejuns ser sportinguista e treinador do nosso maior rival, ainda acresce o facto de muitos dos nossos adeptos, até há bem pouco tempo atrás, sonharem com o mestre da táctica a comandar os destinos da nossa equipa.
Desde que deixou de jogar na Playstation, Jejuns parecia destinado a ter um percurso vitorioso, não só pelos atributos que diz possuir, mas também porque encontrou uma estrutura consolidada que está em vias de desmembrar o sistema que, durante décadas, levou o porto a sucessivas vitórias.
Passando a dominar os meandros da arbitragem, e com um iluminado técnico-psicótico-táctico, seria de esperar que o benfica regressasse ao domínio que exerceu nos tempos do regime.
Mas, estranhamente, desde que se travestiu de encarnado até à presente época, a equipa que comanda conquistou apenas um campeonato e três Taças da Cerveja, e em parte graças ao referido regresso ao poder, que lhes ofereceu de bandeja umas canecas limpinhas, limpinhas.
Então, a que se deverá este eclipse parcial de um predestinado.

Fez-se alguma luz sobre a dicotomia azar/incompetência, bem como da genética predisposição para resolver tudo à estalada, graças a uma extensa entrevista.

Parte da resposta à curiosidade de muitos poderá ter sido dada pelo ex-director desportivo do clube, poucos meses após ter sido afastado do cargo, e ao qual deverá terá sido alheio o facto de ter nome de parasita.

António Carraça foi arrancado do seu poiso mas ainda deve provocar enorme comichão, pois fez uma extensa análise, provavelmente ainda corroído pelo factor Rennie, mas acredito que também tenha sido um espectador privilegiado das carências de um treinador que, volto a recordar, muitos queriam ver em Alvalade.