sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Desenterrado

O jornal Roscof, ícone da transparência e isenção, lança hoje na primeira página mais um título sugestivo.

“A quatro semanas do clássico com o porto, Jornal do Sporting desenterra Apito Dourado.”

Parece que, para aquela gente, o problema não é o acto de desenterrar, (adoptando a terminologia provocatória por eles utilizada) mas sim porque se aproxima o clássico com o clube da fruta.
Ou, diria eu, nem uma coisa nem outra.
A preocupação maior do Roscof é promover esta guerra que alimenta diariamente.
Na sua versão online, a publicação diz que:

“O objectivo não é incendiar o jogo com o FC Porto”, assegura a Roscof uma fonte do clube de Alvalade, quando questionada sobre os motivos que levaram o jornal a iniciar ontem a publicação de quatro destacáveis sobre um dos episódios mais marcantes do futebol português: o processo Apito Dourado, que envolve, entre muitos outros protagonistas, altos dirigentes do FC Porto. Uma decisão polémica, no mínimo, já que o último dos quatro destacáveis sairá para as bancas a 26 de Dezembro, ou seja, três dias antes do embate com os dragões, em Alvalade, para a Taça da Liga.

Polémica, (no mínimo), dizem eles.
Não será polémica a classificação adulterada nem as inúmeras mentiras a que este lixo nos habituou nos últimos tempos.
Já é polémica (no mínimo) desenterrar, exumar, desencovar, dessepultar ou dessoterrar a verdade, para refrescar a curta memória de alguns.
A verdade é que desencovar o Apito Dourado obriga-o a regressar à luz do dia, ao contrário do bafiento lugar onde se camuflou.
Mesmo que o caso já esteja em ossada, carcomida pelos bichos, nunca é demais recordar esta pequena página, das muitas que foram escritas mas nunca divulgadas.

A verdade é que o jornal Sporting é do clube e dos sportinguistas, e por esse motivo diz o que quer e quando quer.
A verdade é que o roscof diz-se um jornal de âmbito nacional, mas a coerência e isenção apresentada fará com que, ao contrário do Apito Dourado, seja enterrado aos poucos. Pelo menos para a maioria dos sportinguistas.

Já do jornal Sporting todos sabem a linha de raciocínio.
A linha editorial é a escolhida pelos seus profissionais e/ou pelo clube, e não está sujeito a pressões ou a interesses vindos de outros quadrantes.

Convenhamos que até o título é apropriado, ao desenterrar o célebre programa de discos pedidos, da rádio dos anos 60 e 70.
Era tudo a pedido, e toda a gente saía satisfeita.