segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Depois da tempestade... vem a desconfiança

Dizem os mais entendidos que a noite é boa conselheira.
Depois da semi-desilusão de ontem, pensei que iria acordar completamente recauchutado, com um vigor próprio de outras idades, a virilidade intacta e com vontade redobrada que chegue 5ª feira para nos vingarmos do empate dos Barreiros, vencendo folgadamente o Basileia.
Pois bem, acontece que quando acordei o céu estava mais cinzento que ontem, o que só por si já chega para escurecer o dia que esperava radioso.
Ao ler hoje de manhã que faz hoje 26 anos que o Sporting venceu na Islândia o Akraness por 0-9,  a maior vitória de um clube português a jogar fora nas competições europeias, lembrei-me doutros tempos e das inevitáveis comparações com os actuais dias cinzentos que atravessamos, e que parecem querer antecipar o Outono.
Ontem, também os tons alaranjados dessa estação do ano e das camisolas do Sporting desta época fizeram por merecer melhor sorte durante alguns períodos do jogo, mas acabaram por cair, lentamente, da árvore que julgávamos com folhagem ainda verde e vigorosa.
Acordado para a realidade, lembrei-me que os recordes dos dias de hoje são tristemente negativos. O pior arranque do século XXI, pode ler-se nalgumas publicações, assim como temos lido números que envergonham, na última meia dúzia de anos. 
O Sporting dessa longínqua época de 86/87 tinha nas suas fileiras nomes como Jordão, Manuel Fernandes ou Vítor Damas.
Já tinha começado o consulado do Porto a nível nacional, mas ainda não havia temor pelos poderosos europeus, como actualmente. Na eliminatória seguinte fomos eliminados pelo Barcelona, longe dos tempos de Messis e Iniestas, e demonstrámos ser superiores nos dois jogos. 
Ainda assim, a falta de sorte que parece querer acompanhar-nos já se fazia sentir, e o poder institucional dos catalães traçaram-nos a sorte e fomos afastados pela fórmula de golos fora.
Por essa altura, os azuis e brancos já eram melhores que nós, mas os 10 pontos de diferença no campeonato (onde a vitória valia dois pontos) já tinham a marca do Costa. Ainda assim, éramos capazes de ombrear com o campeão europeu dessa mesma época, e portanto com qualquer equipa europeia.
Ainda estariam para chegar os temores, o pavor, o terror de poder defrontar Barça, ou Real, entre outros, pós pesadelo de Munique.
O problema de agora é de orçamentos, dizem.
O Guimarães, o Rio Ave e o  Marítimo tentaram desmistificar esse argumento, nos tempos mais recentes. 
O Porto, entretanto, tratou de colocar a lógica no seu sítio, depois de empatarmos em Guimarães, goleando a frágil equipa, que se debate com imensos problemas internos.
O Rio Ave também ainda só ganhou ao Sporting.
O Marítimo é, de facto, a equipa mais consistente das referidas, e o resultado pode ser considerado normal e expectável. Fizemos muito melhor que no ano passado, pois perdemos os dois jogos com os insulares, para o campeonato. Na Madeira, Domingos disse mesmo adeus a Alvalade, embora continue umbilicalmente ligado. Continua a receber o seu ordenado, enquanto vai vendo os jogos do filho de azul e branco vestido.
Foi-se o Domingos mas ainda ficou a Paciência.
Apesar de compreender que muitos adeptos vejam luz onde não existe, o certo é que todos nós somos diferentes, mesmo professando a mesma religião.
Não sou fundamentalista, mas o facto é que os números insistem em dar razão aos mais teimosos, quando nos encontramos na encruzilhada entre esperar e...desesperar.
Apesar dos adeptos sportinguistas poderem pedir meças aos melhores do mundo, é de alguma forma pretensioso da parte dos mais tolerantes questionar a paixão de cada um.
Sabemos que nem sempre a razão está do lado de quem mais grita, mas também pode não estar de quem assiste, impávido.
Depois de uma pré-época abaixo das expectativas, alguns fizeram ver à maioria impaciente que os jogos a sério iriam retirar a carga dramática aos seus anseios. O certo é que levamos 5 jogos oficiais, contra equipas de segunda apanha, e temos uma singela vitória, contra uns simpáticos dinamarqueses que são uma das defesas mais batidas do campeonato local.
A goleada na recepção ao Horsens serviu para mascarar as grandes dificuldades que temos em concretizar, mas eu disse no rescaldo desse jogo que a prova dos nove seria no jogo dos Barreiros. Voltámos a falhar, porque essa dos nove já foi há muito tempo.
Foi contra o Akraness, e desses já não se fabricam.
O pior é que a crise é de golos, de resultados e, em certa medida, de exibições. Não se espera que saiam milhares de pessoas à rua a protestar, como pudemos assistir recentemente, mas a paciência dos adeptos, tal como a dos sacrificados portugueses, está-se a esgotar.
O que vale é que os mais pacientes vão voltar a dizer que a recuperação poderá encetar-se nas próximas recepções ao Gil e Estoril. Como se o Porto não fosse jogar com Beira Mar e Rio Ave, e o Benfica com a Académica e o Paços.
Depois, bem, depois vamos ao Dragão, mas os campeonatos só se decidem no final.
É o que dizem...e o que vale!!