quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um zero cada vez mais redondo

Apesar do direito que me (nos) assiste para comentar, criticar ou analisar as prestações do Sporting, vou tentar ser o mais conciso e diplomático possível, pois não quero acrescentar esta às muitas vozes que se irão levantar contra a equipa e, principalmente, contra o seu treinador.
Se neste momento o mais fácil ( e lógico) é fazer uma cruzada contra o principal responsável pelos resultados (obviamente o treinador), creio já ter dito tudo o necessário e indispensável, no que levamos de época, antecipando o que me parecia evidente.
Assim, e sem querer correr riscos desnecessários para, uma vez mais, poderem achar que constatar o óbvio pode confundir-se com anti-sportinguismo, diria que estamos um ano mais a caminhar para bater recordes negativos ou, em última instância, a reforçar o triste hábito de começar as épocas sem chama.
Não sei se me preocupa mais a relativa apatia (quando confrontada com a atitude dos jogadores suíços)...depois de uma entrada em jogo relativamente mais positiva que em encontros anteriores, ou a ridícula apetência pela baliza adversária, materializada em mais um redondo zero (sétimo da época em 15 jogos, contabilizando a pré-época).
Qualquer dia perdemos o patrocínio da SuperBock e passamos a ser patrocinados pela Sagres...Zero!!
Por falar em números, porque em desporto é disso que se trata, mais um jogo oficial sem vencer...e a risível vitória contra os quase amadores do Horsens chega a destoar na nossa estatística.
Claro está que (no entender de Sá Pinto) o Basileia não é uma equipa qualquer, e inclusivamente é campeão suíço e vencedor da Taça. Por esta ordem de ideias, felizmente não fomos à Champions, pois iríamos encontrar uma grande quantidade de campeões, e isso seria contraproducente. 
Apesar de já termos apanhado anteriormente um Basileia campeão, onde não tiveram qualquer chance de se opor à nossa superioridade, quer-me parecer que o campeonato local deve ter evoluído bastante, pelo estatuto que lhe foi outorgado. Contudo (valha-nos isso) continuam sem conseguir marcar-nos um golo, após 5 jogos para as competições europeias. Já o Rio Ave, recentemente, tratou de mandar às malvas essas estatísticas, ao vencer pela primeira vez em Alvalade para o campeonato, mas o Basileia  só quebrou metade da sua maldição.
Se no campeonato já temos de andar a fazer contas pelos dedos...e qualquer dia com a calculadora, na Liga Europa começamos a olhar para cima, ao contrário do que tem sido hábito. Perder pontos em casa pode ser catastrófico, pois num mini-campeonato de 6 jogos o factor casa pode ser determinante.
Por essa razão, o jogo na Hungria, no próximo dia 4 de Outubro, e que antecede a ida ao Dragão, pode revestir-se (já) de carácter decisivo, pois um resultado negativo pode obrigar-nos a ter que ir ganhar aos campos teoricamente mais complicados.
Para finalizar (sem querer propositadamente entrar em análises detalhadas ao jogo), quero também destacar a fraca assistência em Alvalade, quanto a mim fruto da mais recente onda de maus resultados e, por consequência, o galopante divórcio com a "equipa".
É uma pena que se tenha perdido todo o élan de uma época vazia de títulos mas em que se ganhou a empatia dos adeptos.
Um dos mais aplaudidos acabou por ser o (etíope) Gelson, pela entrega que colocou no momento de inferioridade numérica. Demonstrou, se alguém tivesse dúvidas, que é possível a equipa ter outra entrega em campo, ter outra abordagem na recuperação da bola e, por arrastamento, na criação de jogadas de ataque rápido.
Já quanto aos assobios no momento das substituições Sá Pinto não justificou, mas considerou ser uma apreciação do jornalista, na flash interview, que ele não corrobora. Bem, então das duas uma. Ou estavam a corporizar nas substituições o seu desagrado pelo jogo...e pelas próprias trocas ou, pelo que pode ter dado a entender o nosso treinador, podiam estar a assobiar os jogadores, pelas suas prestações.
Acho que mais valia não ter respondido a esta pergunta, a dizer algo semelhante.
Se os adeptos assobiaram Izmailov pela sua prestação, ou estão todos loucos...ou Sá Pinto não se apercebeu da mensagem. É óbvio que, provavelmente, Izma talvez precisasse mesmo de sair, pela disponibilidade que era necessária e pela sua recente longa paragem mas...dizer que os assobios podem não ter sido para as suas opções...!!! O mesmo se aplica a Carrillo, que já não podia com um gato pelo rabo, e na de Elias, mas mais uma vez o povo quis fazer-se ouvir, como nas recentes manifestações populares.
Este empate também pode ter repercussões a curto prazo. É que não só os nossos jogadores vão começar a desacreditar nas suas capacidades ( e é normal que tal aconteça) como  o mais perigoso poderá ser a crença e o ânimo que colocarão nos próximos adversários. Se daqui a quatro dias temos o Gil Vicente, passada uma semana defrontamos o Estoril que, recorde-se, também é campeão. Venceu a Segunda Liga, há menos de quatro meses.