sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Kalid

Quase todos gostamos que gostem de nós.
Em igual medida, apreciamos imenso que os jogadores, ex-jogadores, técnicos, ex-técnicos, mulher da limpeza, apanha-bolas, tratador de relva,ou quem quer esteja relacionado com o fenómeno desportivo, declare o seu respeito ou amiração pelo Sporting.
É quase garantido que um atleta que defende actualmente as nossas cores venha para as páginas de um jornal dizer tudo aquilo que queremos ouvir.
Foi assim no passado, é-o no presente, será assim no futuro...mesmo que esse a Deus pertença (para quem Nele acredita).
O nosso central Kalid Boulharouz deu ontem uma extensa entrevista ao jornal "ABorla" e não fugiu à regra. Certamente irá ganhar ainda mais uns fãs, depois de muitos (diria até, a maioria) terem encarado a sua contratação com um misto de desconfiança e espanto.
O que é certo é que, aos poucos, o holandês tem ganho pontos na tentativa de se impôr como titular na equipa e, também, no respeito e carinho que os adeptos nutrem por alguns dos integrantes do plantel.
No entanto, basta fazer um pequeno flashback e será fácil constatar que os "nossos" ídolos rapidamente chegam ao Olimpo, como quase tão depressa entram num infindável Ocaso.
Já o ano passado pudemos ler uma entrevista nos mesmos moldes de Oguchi Onyewu e, curiosamente, a pessoa que disse há poucos meses que  "Estamos a acordar este gigante"...que, "já sonhou com a conquista de todas as provas" ou até que, "avisa que o leão voltará a rugir", entretanto mudou de ares e em breve estas palavras serão carcomidas pelo tempo.
Dois centrais, ambos com características muito próprias, lutadores e dedicados à causa, com uma prosa cativante mas, devemos aprender a dosear o entusiasmo por tão singelas palavras, pois a época não se compadece com boa vontade.
Infelizmente, é preciso muito mais que isso.
Claro que é tocante ler ou ouvir alguém dizer que "Quero fazer parte da história deste clube, de um futuro brilhante e ganhar títulos."
Kalid, todos nós queremos que faças parte, como também Phil Babb (por exemplo ) fez...até ter apanhado um vôo da Ryanair e ter desaparecido para todo o sempre. 
Também o ano passado desfrutei da entrevista de Schaars, essa nuns moldes mais inovadores e igualmente digna de ser lida.
Esse não precisou de fazer grandes promessas ou de declarar dedicação à causa.
Por isso foi uma entrevista muito peculiar e diferente daquilo a que estamos habituados.
No entanto, os altos e baixos das equipas e dos próprios jogadores também não se compadecem com boas ou más entrevistas.
Schaars ainda cá está, mas parece estar a perder a preponderância que pareceu querer ganhar, mal aterrou em Lisboa.
Não se classificou como líder mas considerou o seu papel como preponderante, nas várias acções da equipa.
O nosso cimento (como se apelidou), que reforçou o meio-campo leonino no ano passado, está lesionado e, também ele, começará a ser esquecido caso a forte concorrência não lhe dê tréguas.
Veremos se o futuro dele, de Kalid...e de todos os outros, será brilhante, simplesmente fluorescente ou ligeiramente fosco.