domingo, 9 de setembro de 2012

Ranking

A Selecção Nacional tem sido, nos tempos mais recentes, motivo de orgulho e de referência para alguns adeptos leoninos, sedentos de algum tipo de vitórias.
O título de clube que formou mais atletas para a equipa de todos nós (mesmo que nada tenham ganho com a nossa camisola) assenta-nos que nem uma luva, apesar de eu trocar de bom grado esse título por todos os outros conseguidos por quem se está a marimbar (repararam que não usei o verbo cagar, para manter um certo nível na crónica) para estes fait divers.
Eu sei que são alguns desses pequenos feitos que fazem de nós um clube de referência mas, sinceramente, já começo a ficar cansado de títulos e vitórias morais.
É que por mim, por exemplo, trocava já o 15º lugar no ranking da Federação Internacional de História e Estatística de Futebol (IFFHS) pela Taça de Portugal e 344º posto da Académica, só para focar uma das mais recentes desilusões.
Quero lá saber se o Porto está em centésimo primeiro lugar, se limpam o campeonato e ainda vão celebrar ao salão de festas da Luz.
Mas, desconfio eu, a larga franja de adeptos que se agarra a alguns destes prémios fazem-no para esquecer todos os outros desapontamentos a que estamos sujeitos.
Títulos à parte, o certo é que ver esta selecção, recheada de jogadores com a marca leonina, dá ares de ver o Sporting jogar, em tempos não muito longínquos.
Aquela primeira parte, contra o Luxemburgo, foi quase o mesmo que ver o Sporting - Lourinhanense (ou Sacavenense, Sertanense ou qualquer outro ense) de outros tempos, em que andamos a passear a nossa classe, os nossos galões e o virtuosismo com a bola, até ao intervalo.
É que os vícios da nossa superioridade técnica (ou caganas, sendo mais simplista) parecem incrustar-se no ADN dos jogadores e, por muitas voltas que o Mundo dê, ou que eles dêem à volta do  Mundo com as suas novas equipas, dificilmente serão extirpados.
Mesmo que, para mim, superioridade técnica não seja dar toques de calcanhar, fazer cuecas, trivelas ou rabonas, mas sim saber fazer passes de 30 metros, receber sem que o pé pareça uma tábua de engomar, saber passar antes que o adversário nos corte a linha de passe ou fazer uma tabela sem que a bola vá parar ao fosso.
Terça-feira a selecção, corporizada por uma miríade de jogadores formados em Alvalade, volta a jogar contra uma equipa de 2ª linha.
Não serão padeiros, contabilistas ou escriturários, como os luxemburgueses, mas andarão ainda longe do profissionalismo e benesses que os nossos jogadores conhecem.
Iremos ver se a génese leonina irá novamente marcar presença em Braga, e desesperaremos por uma equipa com alma, vontade de vencer e de demonstrar a sua superioridade, desde o primeiro minuto de jogo.
Daqui a uma semana será a vez do Sporting, o verdadeiro obreiro e mentor de jogar só meio jogo.
Depois de 90 minutos no campeonato (45 contra o Guimarães e mais 45 contra o Rio Ave) insuficientes para marcar qualquer golo e, por conseguinte, qualquer vitória, urge jogar 90 minutos contra o Marítimo e vincar, com contundência, a superioridade do nosso plantel, do clube, dos seus adeptos e mostrar que esta época podemos ambicionar mais do que um lugar de honra no ranking da IFFHS.