segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Papagaios (episódio 48 - temporada 15)

O presidente do Sporting revelou ontem que o Sporting recusou propostas por cinco jogadores no último defeso, de forma a não hipotecar o projecto desportivo da equipa.
Esta declaração, inserida no acto de apresentação das equipas de formação, teve o valor ou importância que lhe quiserem dar.
Para mim, não teve nenhuma.
Poderia ainda assim servir para especular sobre as ofertas que chegaram, bem como os valores que se poderão ter manejado ou para o facto de não ter chegado nenhuma proposta e o presidente estar a fazer-se...caro, aproveitando para deixar claro que os objectivos deste ano são mais do que a simples consolidação do projecto desportivo.
Pois bem, o mais curioso deste não-facto é que a prolífica e activa massa crítica sportinguista não dorme em serviço.
Hoje já foi possível saber que Dias da Cunha, antigo presidente leonino, apoia a decisão de recusar vender jogadores.
O ex-líder, que celebrizou e desmascarou o célebre sistema (e não falava de nenhum sistema táctico, infelizmente) veio lesto comentar o tema, mas resta saber se foi a pedido do jornal onde aparece a notícia ou se veio comentar, por livre iniciativa.
Gostava de saber a sua opinião, enquanto líder do Sporting, quando as aves de agoiro pairavam na sua cabeça, a cada decisão que teve que tomar ou a cada entrevista que concedeu.
Independentemente dele, desta vez, estar do lado da direcção, o que me conspurca a alma é este comportamento compulsivo de quererem opinar e ser foco de notícia, quando já passou o tempo em que foram mandatados para tal desígnio.
Têm o direito de falar, como todos nós, efectivamente, mas se o amor ao Sporting se sobrepusesse à sua auto-estima, certamente ficariam calados muito mais tempo.

Ainda há dias dizia João Benedito, numa declaração que correu célere pelas redes sociais e comunicação social: " como se não bastassem os ataques dos inimigos, esta vem de quem tem por dever proteger. Enquanto os outros se unem em torno de um ideal, de um clube, ou, se quiserem, do tão apregoado amor, os nossos ex-dirigentes, ex-capitães, ex-jogadores, ex-qualquer coisa, decidem-se sempre pela via da qual advém mais protagonismo...a crítica negativa."
 
Apesar deste comentário de Dias da Cunha não se inserir no extenso rol de comentários depreciativos e ostensivamente lesivos para os nossos interesses, questiono-me qual a necessidade de vir comentar toda e qualquer iniciativa da Direcção eleita e empossada.
 
É claro que também os autores de blogues, sites ou nos inúmeros escritos nas redes sociais também podem estar sob o espectro da crítica, ao comentar diariamente a actualidade leonina mas, poria isto em dois patamares.
Primeiro, concordo que muitos dos locais que podem ser visitados não defendem intransigentemente os ideais leoninos, apesar de terem algumas vezes motivos para discordar ou desmascarar situações que, essas também, podem lesar gravemente a instituição.
Segundo, a falta de mediatismo a que estamos sujeitos coloca-nos no sítio ao qual pertencemos.

Por estas razões, apesar de também nós devermos ter a sensatez para saber usar os meios de difusão que estão ao nosso dispor, a responsabilidade maior está do lado de quem, por motivos óbvios, devia ser referência na defesa dos interesses do clube.