domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bola quadrada


Se os consecutivos desaires são o grande factor de desmotivação do adepto, já o futebol apresentado e o fraco caudal e eficácia ofensiva acabam por afastar, gradualmente, o paciente simpatizante sportinguista.
Se remontarmos à época 2004/05, com José Peseiro à cabeça, o futebol de então não só era ofensivo como denotava uma eficácia prometedora. Desconheço o passado do ex-treinador, enquanto praticante, mas a sua filosofia de jogo era bastante positiva e dava primazia a essa faceta do jogo. 
Os 66 golos marcados nessa época foram o registo mais concretizador do campeonato, com mais 15 golos marcados que o campeão Benfica. 
Veio o legado Paulo Bento, que enquanto jogador tinha um cariz defensivo, e a sua doutrina (prefiro ganhar por 1-0 do que por 3-2) foi-se enraizando no estilo de jogo leonino. Os consecutivos 2ºs lugares davam algum ânimo, mesmo que a capacidade goleadora se fosse esgotando com o transcorrer das épocas que liderou a equipa. 50, 54, 46 e 45 golos foi a eficácia possível, até que decidiu que estava na hora de abandonar o projecto. 
A época 2009/10, que começou ainda com Paulo Bento mas que cedo passou o testemunho para Carvalhal, veio agravar ainda mais a seca que alastra no futebol leonino. 42 golos foram o fraco pecúlio atacante, já a largos 36 golos do melhor ataque do campeonato, e a aparecer somente como 5ª equipa mais concretizadora.
A época passada teve Paulo Sérgio no seu arranque, mas o ex-atacante e ex-forcado foi pouco audaz a pegar a equipa, e com Couceiro, antigo defesa de poucos créditos que ficou encarregue de tentar os serviços mínimos no final da época, redundou num total de 41 golos na Liga.
Como é possível constatar, mesmo que as duas primeiras épocas que referi, o campeonato ainda fosse disputado por 18 equipas, a quebra tem sido evidente e preocupante. 
A presente época com Domingos, ex-atacante de créditos firmados, seria de esperar um caudal ofensivo mais condizente com as responsabilidades do Sporting.
Se os primeiros jogos pareciam fazer reviver os fantasmas da inoperância atacante, a saída de Djaló e Postiga coincidiram com o ressuscitar do Sporting e das ilusões dos seus adeptos. Uma sequência de 8 vitórias e 23 golos, incluindo a derrota na 3ª jornada com o Marítimo, encantaram os seus fiéis seguidores e atemorizaram os adversários. 
O que se passou daí para cá deve ser motivo de análise psiquiátrica ou para os que não acreditam em bruxas, mas "que las hay, hay".   Se nos centrarmos unicamente na Liga, estes últimos 8 jogos , desde a deslocação à Luz, redundaram em 2 vitórias, 3 empates e 3 derrotas e apenas 5 golos marcados, e 3 destes nas duas vitórias alcançadas. O autêntico vazio ofensivo pode explicar a crise que se vive actualmente. É que a inépcia dos nossos atacantes estende-se  até às outras competições, e na Taça da Liga convertemos 2 golos em 3 jogos contra equipas de segunda e terceira linhas.
Com a média destes últimos meses de competição, caminhamos a passos largos para uma das piores médias de golos marcados pelo Sporting, a não ser que algum acaso chamado Gil Vicente se repita (6-1).
p.s. Enquanto escrevo estas linhas, Ronaldo marca mais um hat-trick, e chega aos 27 golos na liga espanhola. Menos dois que o Sporting no campeonato indígena.