sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sanguessugas


Ao ler ontem a entrevista de Marinho Neves, que correu transversalmente os blogues desportivos, não passei a compreender melhor o fenómeno desportivo e, em particular, as questões que indignam todos os que proclamam a verdade desportiva, mas simplesmente voltei a recordar o que julgamos conhecer há décadas.
Já tinha lido passagens do livro do jornalista e esta entrevista julgo não trazer nada de relevante, a não ser a condição de assalariado do Sporting, à época, e as funções que desempenhava. 
O sumo da entrevista, que tanto indignou os leitores de cores clubistas que não o azul, é o mesmo do referido livro, é o mesmo das escutas do Apito Dourado, é o mesmo que se fala desde que algumas sanguessugas se apoderaram dos centros nevrálgicos da sociedade portuguesa, que não só do desporto.
Este tipo de vermes pode ser utilizado em terapia mas, no caso concreto, a presa fica exangue e o parasita engorda a olhos vistos.
Apesar da repulsa que sentimos por saber que o compadrio, a mentira e outros comportamentos pouco éticos imperam no futebol, outras passagens dessa entrevista causam uma miscelânea de sentimentos.
Ler que "...O Porto e o Boavista começaram a sentir-se ameaçados e começaram a minar o Sporting por dentro utilizando alguns elementos que hoje continuam no clube." é, para mim, uma das passagens da entrevista mais preocupantes e que me deixa perplexo. Costuma-se dizer que "O Homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra" mas, no nosso caso, a insistência em andar de olhos vendados ou não aprender com erros passados, mesmo com pessoas que conhecem ou dizem conhecer os meandros do futebol, devem deixar qualquer adepto sportinguista estarrecido.
Não sei se estas afirmações de Marinho Neves estão actualizadas, mas faz com que se passe a desconfiar até da própria sombra. 
Se aliarmos a esta ingerência externa a tendência para a auto-flagelação, então, compreenderemos melhor porque somos, dos 3 grandes, aquele que passa maiores fases de obscurantismo. 
Estive a passar os olhos pelas notícias que hoje pontuam os jornais e, quase sem estranhar, deparo-me com mais um arrufo típico das nossas cores.
Diz Pedro Baltazar, ex-candidato à presidência do Sporting: "Tive conversas cordatas, até sobre a dívida que a Sporting, SGPS tem com a Nova Expressão, e fiz um desafio a Godinho Lopes, uma pessoa de amplos recursos, para que pudesse ter investimento ao nosso nível no Sporting e aí começávamos a demonstrar interesse e a arranjar soluções. Para meu espanto, a resposta foi: 'Eu?! Nem um euro, estou aqui a dar o meu tempo.' Isso diz muito do seu sportinguismo"
A aparente trégua que se seguiu às eleições, só durou enquanto os resultados da equipa de futebol foram consentâneos com a grandeza do clube. 
Os tempos que vivemos actualmente, e que já nos deviam perturbar, face à desastrosa segunda metade da época, ainda são exponenciados  com as lutas fratricidas pelo poder. 
Já nem sei se me deva preocupar mais ao ler que Godinho Lopes não põe nem um euro no Sporting, se me preocupe mais pelas aparições e críticas de Baltazar, Bruno Carvalho, Dias Ferreira, Dias da Cunha...dias a fio...ou se me deva inquietar por não saber quem são os infiltrados que minam o trabalho que se faz (ou talvez não) em Alvalade.
Fico sem saber que outras sanguessugas convivem com o verde das nossas cores.