terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O meu é maior que o teu


No seu habitual artigo de opinião num conhecido diário desportivo, pode ler-se hoje uma afirmação de Miguel Sousa Tavares (MST): "O Sporting perdeu há muito o estatuto de "grande"".
Nem sequer me dou ao trabalho de ler o artigo, primeiro porque como já referi inúmeras vezes, deixei há muito de ler essas publicações e em segundo porque, em termos desportivos, MST destila ódios que não devem ser tidos em consideração.
MST, geralmente, sustenta-se em dados objectivos para tecer considerações, mas a grandeza dos clubes mede-se por parâmetros que simples dados estatísticos ou concretos não comportam.
Mais uma vez digo que não sei em que se baseia para tecer um veredicto tão taxativo mas, convenhamos, essa opinião é partilhada até por adeptos sportinguistas, em momentos de desânimo.
No entanto, o fenómeno que infelizmente atravessamos é não só reincidente como transversal a alguns clubes que, mau grado períodos largos de abstinência, mantiveram a sua aura.
Basta recordar o clube de MST para constatar que, apesar de terem passado 18 anos sem vencer um campeonato ou, se quisermos ser mais concisos, terem vencido 2 campeonatos em 36 anos, reergueram-se da penumbra, quer tenha sido pela graça do espírito santo ou por terem professado outras "religiões".
Isso já passou à história, dirão alguns mas,  o que é a grandeza de um clube senão a sua história? Só me recordo de mais uma coisa. Os seus adeptos! É que apesar de estarmos a perder massa adepta, por força do prolongado jejum, a nossa grandeza é ainda incomparavelmente superior ao Porto.
Como em Portugal só há 3 clubes para podermos comparar os seus períodos áureos ou de menor fulgor, posso socorrer-me de clubes estrangeiros para tentar fazer algum paralelismo, e confirmar que, provavelmente, o prognóstico de MST talvez ainda seja extemporâneo.
Em Espanha, desde inícios dos anos 60 até meados dos anos 70, o Barcelona sobreviveu a 13 anos sem vencer um campeonato ou, sendo ainda mais minucioso, venceu um campeonato em 24 anos.
Em Inglaterra, o Liverpool não vence um campeonato há 21 anos, 22 se contarmos com o actual. Nesse mesmo campeonato, o Manchester United, o colosso por todos reconhecido, só se tornou no actual grande inglês a partir de 1992, pois até essa data só tinha vencido 7 campeonatos. Aliás, teve um jejum de 25 anos, mas penso que tanto Manchester como Liverpool continuam a granjear o estatuto de grandes no país, apesar de alguns períodos de menor fulgor.
Podia também fazer referência ao jejum de 13 anos, ou aos dois títulos do Inter de Milão, em 34 anos, até ao recente ressurgimento da equipa milanesa.
Não pretendo com estes dados fazer qualquer tipo de comparação da nossa realidade com alguns dos clubes referenciados, pois enquanto alguns têm manias de grandeza outros, apesar da grandeza, têm complexo de inferioridade e, além disso, não quero ferir susceptibilidades.
A nossa história, mesmo que doa a alguns, está registada e é incontornável. A nossa massa adepta continua a ser dedicada e única, pois em circunstâncias idênticas, os rivais teriam um muito maior divórcio por parte dos seus apoiantes. A recente euforia de início de época mostrou um Sporting vivo, mas também que o país precisa de um Sporting ao seu melhor nível para dar maior qualidade e credibilidade ao fenómeno desportivo.
Neste momento conturbado é fácil bater no Sporting, na tentativa de o enfraquecer ainda mais. MST e seus mandantes tentarão aproveitar que o nosso clube foi ao tapete, para tentar um knockout e, assim, passar a dividir por dois o que até há algum tempo era a dividir por três. Não é preciso ser muito bom a matemática para ver que as contas são simples e favoráveis aos interessados.
Desconheço se, na referida crónica, MST elevará o Braga ao estatuto de grande para nos menorizar mas, não tardará muito. Apesar do clube bracarense só há 3 anos se intrometer nos lugares cimeiros, parece haver muita gente disposta a elevar-lhe o estatuto. Depois do Boavistão, esperemos para ver se este Braga é mais um fogo-fátuo ou se temos mesmo um projecto e um clube a ganhar o seu espaço no panorama futebolista nacional.