quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tapar o sol com a peneira


A previsão meteorológica para os próximos dias aponta para um acentuado arrefecimento nocturno, graças à vaga de frio polar que se aproxima.
Em Alvalade, não bastava terem arrefecido os ânimos dos adeptos há largas semanas, quando ainda nem se ouvia falar desta previsão, ainda temos que nos confrontar com novas frentes frias.
As nuvens negras adensam-se no horizonte e a neblina começa a turvar a nossa visão.
Se o resultado da auditoria vem confirmar os receios dos mais pessimistas, a verdade é que o Sporting de hoje é o mesmo de ontem, com a diferença que sabemos a grandeza do furacão. No entanto, apesar de ser de fulcral importância para o futuro, o adepto comum está mais preocupado na dicotomia entre a bola que entra e a bola que não entra.
As inclemências meteorológicas fazem parte das estações do ano, mas o Sporting é um clube que passa mais tempo no Inverno que outros da mesma grandeza. Os seus adeptos são por norma precavidos e desconfiam quando temos demasiado tempo de sol, nem que seja porque isso ainda pode danificar mais a relva.
Foi sol de pouca dura, a aura leonina, as vitórias seguidas e até a euforia mediática de alguns notáveis. Os tempos agora são de perturbante normalidade, a culminar resultados desanimadores e entrevistas de conteúdo dúbio.
Domingos, apesar do seu estilo recatado, educado e até lacónico nas suas intervenções, decidiu que era ontem o momento mais adequado para sacudir alguma da água que tem acumulada no capote. Pudera, com o que tem caído para os lados de Alvalade, seria expectável estar encharcado até aos ossos, e agora tratou de dividir a chuva pelas aldeias. Não seria necessário ter lido que as palavras de Domingos causaram algum desconforto em Alvalade, para o ter sentido.
Como no Sporting são todos muito solidários e remam todos para o mesmo lado, Eduardo Barroso tratou de vir (não) comentar a ida de Djaló para o rival, lançando a farpa ao treinador leonino. Nunca uma carapuça assentou tão bem, pois o cirurgião tratou de dizer que não é carpinteiro nem fadista. Agora só falta aparecer o fadista, porque carpinteiros e pedreiros temos de sobra.
Tomara que venha já essa frente fria, para ver se congela algumas línguas ou, quem sabe, para trazer de volta a gripe das aves. É que com tanto papagaio, um surto, por pequeno que fosse, talvez fizesse a selecção natural e necessária.