quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Empate com sabor...a empate


Depois de tantos meses a jogar um futebol incaracterístico, abaixo das capacidades dos jogadores que compõem o plantel e de baixíssimo nível global, seria impensável que na estreia de Sá Pinto ocorresse um milagre e voltássemos a ver futebol de qualidade, com as nossas cores vestidas.
Dois míseros treinos ministrados por Sá Pinto, um relvado sofrível, uma equipa de arbitragem ainda pior  que o relvado e algumas exibições a querer recordar-nos que Domingos era culpado de algumas situações mas foi mais vítima do que réu, foram suficientes para trazer-nos de novo à terra e compreender que o novo treinador não poderá com todas as adversidades.
O primeiro onze de Sá Pinto foi o mais expectável possível, lançando os jogadores de mais qualidade que se encontram disponíveis e reservando um banco de "luxo", recheado dos mais mal-amados pelos adeptos sportinguistas. Quem olhasse para aqueles suplentes e procurasse uma solução caso o jogo não corresse de feição, seria mais difícil que procurar um tremoço num milheiral. 
Pereirinha, Evaldo, Carriço, André Santos...Xandão e Ribas eram as pérolas que estavam no nosso cofre-forte, e foi precisamente do banco que, contra todas as expectativas, saiu a resolução de um encontro que esteve quase sempre a cair para o lado polaco.
Se os primeiros 15/20 minutos de jogo pareciam indiciar um Sporting já algo diferente, a querer ter a bola, a mandar e a impor os ritmos de jogo, um pouco à imagem dos juniores até agora treinados por SP, a partir de meio da primeira parte perdemos de vez essa que parecia a premissa imposta pelo técnico e o Legia passou a dominar todos os parâmetros do jogo. 
Apesar de estarem há 2 meses sem competição, os jogadores polacos souberam impor o futebol físico e pressionante que caracteriza o seu futebol. Um parente pobre do futebol alemão mas com algumas características semelhantes. 
Além disto, adaptaram-se muito melhor ao relvado ainda impróprio para equipas mais dotadas tecnicamente, e quando temos jogadores que não se apercebem que devem adaptar o seu estilo de jogo às condições existentes, a tarefa complica-se. Complicou Polga, complicou J.Pereira...enfim, nem vale a pena estar a mencionar os jogadores e as vezes que demorámos a passar a bola ou a deixá-la jogável. 
O apito para o final da primeira parte soou-me a um concerto de música clássica. Se o jovem árbitro esloveno tivesse apitado meia hora mais cedo teria sido uma benção...bem como se tivesse assinalado uma grande penalidade indiscutível, por mão de um defesa do Legia, numa jogada de Carrillo.
Pensei eu, pensaram muitos, provavelmente, que Sá Pinto iria ter ao intervalo uma conversa de homens, mas quem viu o reinício da partida voltou a aperceber-se que alguns dos défices da equipa são congénitos. Polga é incapaz de cortar um jogada de contra-ataque e Patrício salva o que poderia ser uma machadada nas nossas aspirações....nesta eliminatória.
A entrado de Carriço para o lugar do lesionado Schaars parecia só uma solução de recurso, pois durante largos minutos não justificou a aposta, senão em tarefas defensivas. Como por vezes a sina gosta de contrariar os descrentes, ou de premiar os audazes...foi o ex-defesa-agora-médio que aproveitou uma bola caída dos céus e repôs a igualdade. 
Seguiu-se o melhor período do Sporting, um pouco à imagem dos primeiros minutos de jogo mas com a posse de bola a estender-se por uma maior fatia do campo. 
Com o jogo aparentemente controlado, nada faria prever (apesar de tudo se poder prever quando joga o Sporting) que o 2º golo polaco apareceria por demérito arbitral.
Não bastava a grande penalidade usurpada, um golo em claro fora-de-jogo (aos olhos de um sportinguista), apesar das leis que regem a arbitragem aconselharem que, em caso de dúvida, se dê primazia ao ataque. O problema é que só connosco é que não há dúvidas, e esta época já fomos espoliados diversas vezes.
Os minutos finais foram de algum sofrimento, pois o nosso meio-campo, composto por Rinaudo, Carriço, André Santos e Matias era nitidamente de marcha-atrás, e seria de esperar algum sofrimento adicional para evitar o 3º golo contrário mas, de uma insistência pela direita, surgiu o golo da noite, numa trivela "à la Quaresma", que não veio premiar o bom jogo do Sporting mas sim maquilhar uma arbitragem que, com pequenos-grandes erros nos poderia ter encostado às cordas.
A eliminatória obviamente não está ganha, e para ilustrar isso basta recordar o duelo do ano passado com o Glasgow Rangers. Viemos para a 2ª mão também com a vantagem de poder empatar a zero...mas o treinador escocês sempre disse que sabia que iria marcar em Alvalade.
Com a inconstância defensiva que temos, só a vitória interessa. Resta saber se o Sporting irá aproveitar esta oportunidade que ficou entreaberta.