terça-feira, 9 de abril de 2013

O melhor plantel da década...e arredores

Do alucinado Correio da Manhã saem, pontualmente,  notícias que vêm a confirmar-se.
A maior parte das vezes, pelo menos no que toca ao Sporting, não passam de boatos infundados.
Como o nosso clube continua a gerar notícias vendáveis, hoje pude ler na versão online que o Sporting pediu 80 milhões à banca. No entanto, vou esperar calmamente por novos desenvolvimentos, e não embarcar em comentários e análises precipitadas.
Já a hipótese de empréstimo de Insúa (At.Madrid) ao Benfica é um tema que já não nos diz respeito, mas recordar-me do defesa/médio esquerdo obriga-me a uma análise de alguns dos recentes activos leoninos.
No Sporting, como noutros clubes, a valia de alguns jogadores raramente é consensual.
É fácil constatar que, quando a equipa está bem, quase todos são bons...e vice versa. 
Foi assim com as sonantes contratações, que chegaram a colar o rótulo de melhor plantel da década à equipa que iniciou a época, como também o é com os produtos da "cantera".
Após a profunda remodelação do plantel por motivos estritamente orçamentais, tive a curiosidade de ir acompanhando algumas das pérolas que vimos partir.
Assim, se recuar uma dúzia de linhas até ao nome de Insúa, é curioso verificar que o argentino ainda nem se estreou na equipa espanhola. O banco de suplentes foi a sua casa em 8 jogos, e talvez por isso se fale agora nos encarnados.
Danijel Pranijc teve um pouco mais de utilização (talvez por estar num plantel de muito menor valia) e já realizou 2 jogos completos pelo Celta de Vigo, em 9 possíveis. Noutros dois não saiu do banco e nos restantes fez uns minutos para ajudar o clube a manter o último lugar da classificação.
Gelson Fernandes, a gazela dos Alpes, tem sido titular indiscutível no Sion. Ao menos esse. O problema é que a equipa estava a 5 pontos da liderança e, passados estes 8 jogos, já está a 13 do líder. Não deve ter nada a ver com a sua presença.
Elias não lhe quer ficar atrás. A gazela de Copacabana tem actuado regularmente com o seu Flamengo no Campeonato Carioca e até já marcou um golito na dúzia de jogos com os rubro-negros.
Xandão, a girafa das estepes, ainda não teve muito tempo para justificar epítetos, mas participou nos 3 jogos após a pausa de Inverno do campeonato russo. A equipa do Kuban ainda ocupa lugares europeus mas, veremos como se comporta, quando se começar a sentir o efeito Xandão.
Izmailov é mais fácil de ir seguindo, para quem estiver interessado, claro.
Se os joelhos do russo pareciam ter sido santificados depois de mudar de ares, o certo é que olhando para os números apresentados, não difere muito do futuro que Costinha lhe tinha prognosticado.
A média de 45 minutos que tem até ao momento com a camisola azul não deve surpreender, e aquele golito logo na sua segunda aparição não se voltou a repetir. Fez 2 jogos completos nos 11 jogos de dragão, os mesmos que tinha feito com o leão, em 6 jogos para o campeonato.

Em relação aos produtos da Academia a história repete-se, e são quase tantos os críticos ferozes quantos os cegos defensores de todo e qualquer jogador que tenha feito o percurso desde a formação, até à equipa principal.
Dos que abandonaram o barco recentemente, Pereirinha foi talvez a grande surpresa, por ter sido contratado por um histórico do futebol italiano.
O defesa médio mais mal amado da história recente do Sporting alinhou em 6 jogos do campeonato italiano (3 como titular) e a sua nova equipa perdeu 5 deles. Já nos 3 jogos em que participou na Europa League  a Lázio conseguiu o pleno, com 3 vitórias e a presença nas meias finais da competição.
Daniel Carriço também sempre motivou enormes divergências entre os adeptos mas a sua prestação no Reading, último classificado do campeonato inglês, pode dissipar algumas dúvidas.
Pode dizer-se que Carriço chegou, viu...e parou. Jogou pouco depois de aterrar em Inglaterra, saiu aos 46 minutos, e daí para cá não voltou a calçar. Pior, só mesmo Insúa.

Os mais cépticos também poderão ter curiosidade em saber o que têm feito os que saíram ainda no dealbar da época. Matias Fernandez, por exemplo, tem estado ao nível do que nos habituou no Sporting, em termos de presenças. Participou em 17 dos 31 jogos para o campeonato, sendo que só fez os 90 minutos 2 ocasiões. Foi titular em mais 4 jogos e suplente utilizado noutros 11, com uma utilização média inferior a 40 minutos por jogo.
Onyewu, que fez as malas também no início da época, actuou num único jogo para o campeonato espanhol, que já leva decorridas 30 jornadas. Ainda participou em 3 jogos da Champions e outros tantos da Taça do Rei.
Claro está que esta realidade (nua e crua) pode ser contestada, e quem quiser pode alegar que alguns estão em equipas de segunda linha e, deste modo, não podem demonstrar as suas reais capacidades.
No entanto, quer-me parecer que alguns deles estão onde merecem estar. 

Quanto ao melhor plantel da década, fica para outra ocasião.
O pior é que algumas destas pérolas podem ter que regressar, depois do período de empréstimo.