quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pechinchas

Um pouco à imagem de uma montanha russa, as apreciações a Wolfswinkel lá vão subindo e descendo, semana após semana, conforme as exibições do holandês.
Aliás. partirá sem nunca ter sido consensual.
Depois da cotação do jogador ter descido a pique, decorrente de uma época miserável da equipa, de algumas exibições menos conseguidas e alguns penaltis falhados, o que é certo é que mesmo com alguns fogachos intermitentes, o ponto alto da última 2ª feira faz os adeptos sportinguistas virar de novo agulhas para o nosso ponta de lança.

Se compararmos o Lobo a alguns dos (poucos) concorrentes pelo lugar desde a saída de Liedson, penso que não há dúvidas.
Na época passada, Bojinov, Ribas ou Rubio não chegaram a ensombrar a sua titularidade e só nas muitas fases de desespero (quando a equipa se encontrava a perder) é que entrava algum para aumentar o número de pernas na área adversária.
Claro está que Ricky só chegou a titular depois da saída surpresa de Postiga, pois ninguém acreditaria que o ponta de lança da selecção nacional pudesse ser vendido a alguém no seu perfeito juízo.
Os suspiros de alívio foram quase imediatos, e além disso Ricky saiu do banco directamente para os golos.
O Lobo esteve órfão na frente de ataque mas as pequenas sombras que apareceram para dar descanso ou apoiar o homem eram, isso sim, nódoas.
Os holofotes recaíram sobre ele porque não havia mais ninguém.
Deveria ter direito, como todos os outros, a ter períodos de menor fulgor, só que Ricky teve e tem de jogar sempre.
O certo é que alguns ocasos temporários sempre lhe valeram as críticas da praxe, mas isso é algo por que todos os avançados (e não só) passarão por alguma fase da sua carreira, no Sporting ou no vizinho do lado.
Quem tem a tarefa de marcar (ou defender) estará sempre mais sujeito à crítica feroz.


Já sabíamos (quem se interessou por isso) que Ricky, na sua anterior equipa, era acusado de ser muito irregular. Ora marcava golos de enfiada, ora desaparecia durante um largo período.
Houve quem lhe augurasse um grande futuro, houve quem dissesse que os golos no campeonato holandês "não valiam", pois há pouca competitividade.
Todos esperávamos, no entanto, que a maturidade lhe fosse conferindo mais regularidade mas, ninguém esperaria um Sporting tão fraco como o deste ano.
Para esta realidade, Wolfswinkel foi vítima, mas também réu.
Além disso, à natural quebra de rendimento num qualquer período, pode também acrescentar-se a tal falta de competitividade por aquele lugar.
É dele, ele sabe-o, e isso acaba por reflectir-se em determinados momentos.

Apesar da contagem decrescente para a sua saída estar ligada, uma coisa penso ser líquida.
Goste-se ou não de Wolfswinkel, a venda a retalho promovida por Godinho Lopes foi pouca ética, foi desportivamente imprudente e, a mim, pareceu-me mais um daqueles negócios à Sporting.
Bem,  não foi só a mim.
Robin Sainty, presidente da associação de adeptos do Norwich vem dizer que "Podiam ter pedido mais. Assim foi uma pechincha".
Oh homem, isso já nós sabemos, e não é de agora. Tudo no Sporting é uma pechincha.

Eu sei que não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas, se não pararem de realçar o ridículo, poderemos ainda vir a chorar mais uns tempos, principalmente se lermos ou virmos nas notícias mais uns golitos do holandês ou se, eventualmente, os ingleses ainda vierem a fazer um bom negócio.
Pela nossa parte, é tempo de se começar a formar outro avançado...e esperemos que traga companhia.