domingo, 28 de abril de 2013

Sofrido, como sempre

Sporting 2 Nacional 1
Sofrimento mais que esperado.
A verdade é que se há anos que os adeptos leoninos se debatem com o karma de ver jogos renhidos, tremidos, indecisos até ao último momento, não seria de esperar que um plantel recauchutado, com a pressão de tentar fugir à inédita falha na qualificação europeia, num clube com graves problemas financeiros e em profundo plano de reconversão interna se libertasse, de repente, de todo este entorno e ganhasse os seus jogos de forma clara.
Claro, claro como a água, é que a equipa está muito mais desinibida, com um futebol que já é capaz de chamar gente ao estádio...e começaria por aqui uma breve análise.
É deveras tocante saber que a massa adepta do Sporting é de facto única.
Não será necessário ter uma memória de elefante para recordar, só como exemplo, que no pior Benfica da história, em que acabaram num também inédito 6º lugar, a equipa teve 7 mil espectadores em casa a 4 jornadas do final.
O Sporting, que continua a tentar sobreviver à sua pior classificação de sempre, quando se mantém teimosamente no 8º lugar, consegue chamar mais de 30 mil pessoas a 4 jornadas do final.
Elucidativo.
Quanto ao jogo, não é por se ter jogado às 18 horas que o futebol praticado difere como da noite para o dia.
As melhoras têm sido graduais e evidentes, mas grande parte da transformação está relacionada com os índices de motivação, com a entrega que colocam e, claro, com alterações introduzidas por Jesualdo na estrutra da equipa.
No entanto, dado que é possível constatar que um ou outro atleta continuam a não corresponder aos parâmetros de qualidade que uma equipa como o Sporting exige, é evidente que essas limitações são ultrapassadas com uma grande dose de transpiração e entrega.
Aliás, tal como acontece na esmagadora maioria dos clubes em Portugal.
O Sporting desde há muito que passa dificuldades acrescidas com todo e qualquer clube português porque a maioria perdeu o respeito mas, também, porque correm como se não houvesse amanhã.

Assim, a equipa leonina entrou dominadora, confiante, e rapidamente chegou ao golo.
Ainda tive uma réstea de esperança que não fosse necessário passar por muito sofrimento, mas o entendimento na frente e aquele último passe foram adiando o 2º golo.
Na 2ª parte inverteram-se os papéis, e Patrício passou de um mero espectador para um interveniente activo, na tentativa de evitar males maiores nas aspirações leoninas.
Quando o Sporting voltou a equilibrar o jogo, a meio da 2ª parte, deu-se a entrada de Labyad.
Sem querer particularizar exibições, o facto é que com a entrada do marroquino o Sporting pareceu passar a jogar com 10, quando este substituiu o cansado André Martins.
Quero acreditar que tenha sido mais um mau dia, mas o certo é que foi um jogador à imagem do Sporting que passeou pelos campos desse Portugal fora e que conduziu a equipa à classificação que ainda choramos.
O jogador já teve apontamentos primorosos mas parece-me mais um caso de sub-rendimento por problemas mentais.

Labyad entrou aos 68 minutos, o golo do empate surgiu aos 73, mas a realidade é que a partir desse momento viu-se uma vez mais a alma desta equipa.
Nova cavalgada em direcção à baliza adversária, para a qual também contribiui Jesualdo Ferreira, que não teve complexos em retirar um Miguel Lopes tocado e apostar tudo com a entrada de Viola.
Correu sérios riscos mas o certo é que encostou, imediatamente, o Nacional à sua baliza.
O golo da vitória podia ter acontecido antes, mas se tivesse sido novamente aos 93, tal como contra Braga e Moreirense, teria poupado uns minutos de sofrimento.

Tocante também foi ver como, uma vez mais, a equipa celebrou o 2º golo, com suplentes incluídos num mosh improvisado, à imagem do que já tinha sucedido com o Moreirense.
Dizem, acertadamente, que o golo é climax do jogo mas, em tempos recentes, vi jogadores da nossa equipa que praticamente nem festejavam os golos, o que era quase contra-natura. Parece que a normalidade está de volta, bem como os golos.
Mesmo tendo um saldo de golos negativo e a eficácia ofensiva ainda denotar grandes lacunas, o certo é que deixámos o fundo da tabela em matéria de golos marcados.
Melhor estaríamos se 2 ou 3 penaltis tivessem sido marcados, na semana passada.

Apesar da alegria por este resultado, a verdade é que ainda se afigura muito complicada a luta pelo 5º lugar.
Na próxima semana viajamos ao campo do 3º classificado, e se o Guimarães vencer pode abrir um fosso  (4 pontos) praticamente inalcançável.
Por este motivo, é já tempo de esquecer esta vitória e pensar em vencer em Paços de Ferreira, o único resultado que interessa.