quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mal-Me-Quer, Bem-Me-Quer

Desde há umas semanas a esta parte, é quase impossível auscultar a actualidade leonina sem ter que chocar de frente com a renovação de Jesualdo.
Compreende-se que assim seja, tal como faz parte de outras agendas a continuidade de Vítor Pereira ou Jesus, como mero exemplo.
Pela parte que nos toca, quer-me parecer que o dossier não será pacífico nem consensual, porque Jesualdo também não é consensual.
Quando finalmente está a chegar ao fim esta miserável época, os dedos acusadores apontarão, sem margem de dúvidas, para a anterior direcção encabeçada por Godinho Lopes, para os mentores do plantel (Carlos Freitas e Duque), para os treinadores chicoteados (Sá Pinto, Oceano e Vercauteren) e, claro está, para os jogadores, que foram os trolhas desta obra tão mal engendrada.
Quem parece estar a escapar entre os pingos da chuva é Jesualdo, por razões aparentemente lógicas.
Não foi ele quem escolheu o plantel, apanhou um barco completamente à deriva, a equipa sofria uma depressão profunda, a direcção que o escolheu naufragou, já para não falar do contributo inestimável de algumas arbitragens que foram autênticos tiros no porta-aviões.
Por estes e mais alguns motivos, Jesualdo coleccionou indefectíveis defensores, mesmo junto de quem criticou a sua escolha inicial.
Contudo, há uma minoria que lhe aponta o dedo acusador por não ter conseguido, nas largas jornadas à frente da equipa, uma classificação que não nos enchesse de vergonha.
E também esses não estarão tão errados assim.
Claro está que as atenuantes do (ainda) nosso treinador pesam toneladas, mas os números relativos à miserável época são elucidativos.
Duvido que haja algum sportinguista que não esteja por dentro dessa contabilidade, mas caso haja algum distraído, pode constatar o que foram as 13 primeiras jornadas, sem Jesualdo, e as 16 seguintes, com o veterano técnico no comando.



Claro está que nesta complexa contabilidade não figuram, por exemplo, os pontos que nos foram meticulosamente gamados, e que talvez nos catapultassem para aqueles lugares a que estamos habituados, mesmo que não lutássemos pelo título.
Mas o certo é que, na frieza dos números, é possível constatar que apesar de Jesualdo y sus muchachos terem conseguido arrancar-nos do pesadelo que vivíamos no primeiro terço da época, as contas (quase) finais acabam por não justificar a euforia em redor do treinador.
Com JF à frente, a equipa conseguiu 8 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, números que não me impressionam, para mais se pensarmos que algumas dessas derrotas tiveram como carrasco  Estoril, Paços, Rio Ave ou Marítimo, só para referir os resultados mais negativos.
Não sei qual será o futuro do técnico, mas apesar de saber da importância da continuidade de um trabalho que começou tarde e a más horas, não considerarei uma catástrofe se este não continuar em Alvalade.
É que, para lá da contabilidade, não me conseguirei esquecer de alguns deprimentes espectáculos na época em curso, tenham sido eles antes ou depois de Jesualdo.
Se eventualmente ficar, irei desejar-lhe toda a sorte do mundo, e esperarei que a qualidade e a quantidade (de pontos) estejam ao nível de um clube como o Sporting.