terça-feira, 7 de maio de 2013

Peixe fora de água

Ontem, já ia a noite algo avançada, fiquei a saber que o país tinha entrado em depressão profunda.
Não, não foram mais medidas de Vítor Gaspar, mas sim o empate caseiro da equipa que já tem as faixas encomendadas.
Assim, fiquei curioso em saber o que tinha acontecido para Paulo Batista não ter conseguido levar a sua equipa à vitória, e não falo do pássaro que esvoaça nos céus da Luz.
Apressei-me para "sintonizar" um dos programas desportivos dos canais noticiosos (que há muito deixei de ver) para saciar a minha curiosidade.
Comecei por ver "O dia seguinte", mas os intervenientes que dividem a hegemonia do futebol português estavam entretidos num passatempo deveras curioso.
Enquanto Rui G.da Silva apontava os nomes de Cosme Machado, Jorge Sousa, Soares Dias e mais um par deles que não me recordo como sendo adeptos do Porto, Guilherme Aguiar respondia com os nomes de Duarte Gomes ou Proença (entre outros) como benfiquistas assumidos.
Entretanto, Paulo Andrade estava mudo e quedo, como se não fosse suficiente o rol de árbitros com ligações a um e outro com que se digladiavam, para ter uma intervenção dura e pertinente.
Não tive estômago para ver mais, até porque por essa altura entrava na arena o "moderador" Paulo Garcia para dizer que, por norma, os árbitros assumidos até costumam prejudicar os seus clubes, assim como os jornalistas que se assumem podem ser parciais, pela negativa, com os seus emblemas.
Se já estava com náuseas ao ouvir este chorrilho de baboseiras, o jornalista ainda se deu ao luxo de recordar os nomes de Proença e...Vitor Pereira (Sporting), como árbitros assumidamente de um determinado clube.
É curioso que este sujeito se tenha recordado de alguém que, como costumo dizer, sendo sócio do Sporting não quer dizer que seja sportinguista. Além disso, num quadro de árbitros pintado a duas cores, lembrar-se de mencionar um árbitro que deixou os campos há mais de 10 anos é de uma tremenda má-fé.
Fazendo uma curta pesquisa, podemos constatar que a partir do momento em que Vítor Pereira passou a apitar jogos do "seu" clube, o saldo para o Sporting foi negativo.
Nem me dou ao trabalho de comparar o saldo do Benfica ou Porto com todos os árbitros que, assumidos ou não, fazem um trabalho eficaz e competente para com as suas cores, todos no activo.

Acabei por mudar de canal, farto daqueles 5 minutos de náusea televisiva.

Ainda não tinha conseguido ver o penalti gamado ao Estoril, nem o fora-de-jogo mal assinalado aos canarinhos que daria um golo que daria água pelo Barbas!!

Ainda pensei em desistir quando, no "Prolongamento", me deparo com aquela figura grotesca do Manuel Serrão, sempre lesto a defender cegamente o seu clube. Já o Seara não é tão fundamentalista, mas sabe para o que está ali.
Nisto, surge o representante oficioso do Sporting, nada mais nada menos que Abrantes Mendes, o eterno candidato leonino à presindência do clube.
O homem, nos outros 5/10 minutos que consegui assistir ao programa, foi capaz de não ter certeza se existiu o penalti sobre Volkswinkel, quando até Seara lhe dizia que o painel do jornal O Jogo era unânime no erro do árbitro. Chamou à baila o erro de Proença ao assinalar o atraso que originou o livre indirecto na área pacense. 
Ainda teve a gentileza de recordar com saudade um torneio junior do Benfica, de onde sobressairam Shéu e outras ilustres figuras.
Naquele ninho de víboras, onde cada um tenta sobreviver à sua maneira, o "ratinho" Abrantes Mendes infiltra-se com aquele típico desportivismo bacoco e sem sentido, quando o que está em jogo está, entre outras coisas, é a manipulação da opinião pública e a defesa intransigente do clube.
Como se não bastasse termos ficado arredados (definitivamente, diria eu) dos grandes centros de decisão, onde se cozinham os títulos a cada ano, nos locais onde ainda temos direito à palavra continuamos, por muitas remodelações que existam, representados por pessoas às quais não se lhes pode apontar nada, em termos de integridade, mas que no imundo meio do futebol  são como peixes fora de água.