segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um dia...no Casino

O acordar da triste realidade que ficará registada como a pior época do futebol leonino de sempre, tem tido uns episódios extra, para apimentar ainda mais a triste sina.
Um controverso texto publicado por um sportinguista, que tem tanto direito à sua opinião como eu à minha, tem sido muito bem acolhido numa larga franja dos cerca de 4 milhões de benfiquistas que vivem em Portugal e arredores.
É curioso que os frustrados adeptos rivais (apesar de ainda terem hipóteses em todas as frentes) se lembrem agora de anuir, por uma vez, com uma opinião que, mesmo não sendo isolada, não reflecte o sentimento leonino no seu todo.
Agora agarram-se a um mero "artigo de opinião" e querem fazer dele um ícone.
Claro está que cada um concorda com aquilo que mais jeito lhe dá mas, pela minha parte, não me cansarei de repetir que o sentimento anti-benfiquista que nos é apontado, e que supostamente estará associado a um complexo de inferioridade, é tão intenso como aquele que a esmagadora maioria de benfiquistas sente pelo Sporting, com igual dose de complexo.

A minha infância, adolescência e parte da vida adulta foi passada no Algarve, região onde só se conheciam dois clubes. Quando éramos pequenos, nos longínquos anos 70, perguntava-se ao outro se era do Sporting ou do Benfica.
A rivalidade era natural e tão intensa quanto num qualquer bairro lisboeta.
A diferença é que a maioria dos sportinguistas, tal como está no ADN do clube, raras vezes era prepotente ou arrogante na defesa do seu clube.
Aprendi a viver com esta rivalidade, e com a manifesta superioridade dialéctica dos benfiquistas, alicerçada num passado do qual se orgulham e numa vitoriosa década de 80 e parte da de 90.
Já as vitórias do Sporting sempre foram cinicamente menorizadas ou achincalhadas.
O que era uma Taça das Taças ao lado de duas Taças dos Campeões?
Qual era o valor dos nossos campeonatos, em comparação com os deles?
Que valor tinham as inúmeras taças nacionais ou europeias das modalidades amadoras, para um benfiquista que se preze?
Só quando ganharam uma UEFA Futsal Cup é que passou a haver parâmetro de comparação e as modalidades ganharam súbito relevo.
No entanto, apesar desta rivalidade onde o diálogo é quase sempre de surdos...ou idiotas, reconheço que não exultei aquando das derrotas do Benfica com Milan e PSV, nas mais recentes finais europeias.
Antes pelo contrário.
Tal como fiquei satisfeito com a vitória do Porto perante o Bayern, em 1987.

Só que entretanto vim viver para a zona de Coimbra.

Já vivi cá o crescimento gradual do Porto, a maior parte dele à custa do Sporting.
A maior parte dele à custa de um sistema judicial credível.
Mas houve um momento que marcou a viragem no meu anti-portismo e anti-benfiquismo.
Na célebre eliminatória europeia em que fomos eliminados pelo Casino Salzburgo, quando saí de casa para espairecer, deparei-me em plena Coimbra com largos festejos de adeptos envergando cachecóis vermelhos....e azuis.
Nesse dia reconsiderei toda a minha postura perante os clubes rivais.
Mesmo que não representassem a totalidade dos seus adeptos, esse episódio alterou o modo como sempre encarei a rivalidade. 

Se a verdade é que fomentei este sentimento, o certo é que cada Capelada, cada escuta do Apito Dourado, foi alimentando ainda mais a sensação de injustiça que cada sportinguista deve sentir.
Contudo, há algo que me diferencia de alguns sportinguistas. Desejo acima de tudo a vitória do Sporting.
Em segundo lugar, num plano bem distante, desejo hoje e sempre as derrotas dos rivais, como dolorosamente aprendi que deve ser.
A teoria de dar a outra face não tem muito a ver comigo.

O mais recente episódio nesta rivalidade teve como pano de fundo, portanto, os jogos do fim de semana.
Curiosamente, nos dias que se sucederam à vitória e festejos do Benfica na Madeira, bem como a ida à final de Amsterdão, tive que "aturar" algumas visitas de amigos benfiquistas ao meu Facebook, sempre ávidos para provocar, para proclamar uma vez mais a sua superioridade, ao mesmo tempo que ironizavam com a triste campanha leonina.
Após o jogo do Dragão, se exceptuar alguns que simplesmente se eclipsaram desde esse dia, outros decidiram defender o seu ferido orgulho, atacando o Sporting.
Se isto não é complexo, digam-me o que é, por favor.

Eu sei que o Benfica ainda tudo pode ganhar, e isso seria terrível no já ferido orgulho leonino, de igual modo que uma vitória do Barça afecta um adepto do Real, e vice-versa.
Já que o Sporting não pode ganhar nada, desejarei que o Benfica perca o campeonato, mas o ideal era que o Porto também o perdesse.
Ao invés das finais de Estugarda ou Viena, onde ainda fui adepto português, desejarei a vitória do Chelsea, tal como Kelvin.
A diferença é que, caso os ingleses vençam, não irei para a rua festejar.
Isso é para os complexados.