quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nem saudade nem vontade

Terminou, tal como começou, a deprimente época  do Sporting.
Tenho quase a certeza que muitos encontrarão inúmeros aspectos positivos no empate de ontem (1-1) com uma equipa mediana, na inauguração do Arena de Pernambuco, mas isso talvez se deva ao facto de já se terem desabituado a espectáculos de qualidade e vitórias contundentes.
Aliás, a maioria dos adeptos do Sporting pode enquadrar-se num dos seguintes estágios:
1- Ficava eufórico quando o clube era ganhador, há 40/50 anos atrás.
2- Ficava eufórico quando o clube tinha boas equipas, dava espectáculo e lutava sempre pelo campeonato.
3-Fica eufórico quando os nossos jogadores ganhavam títulos por outros clubes.
4-Fica eufórico só por lançarmos em campo um bando de jogadores saídos da Academia.
Claro que para a tacanhez destes estados de espírito mais recentes, muitas vezes também contribuem aquelas aves que o Sporting parece atrair, seja em Portugal ou fora dele.
Ontem, o homem a quem puseram um apito na boca decidiu também fazer parte da festa, num espectáculo de incompetência ou de verdadeira atitude terceiro-mundista...como a que pautou a inauguração do Estádio do Dragão, onde o Barcelona sucumbiu às apitadelas de Martins dos Santos, um óptimo intérprete para inaugurações e jogos de redobrado interesse.

O jogo até começou com o Sporting a dar excelentes indícios, e numa primeira meia hora com alguns detalhes deliciosos a equipa até se pôs a ganhar, fruto de um auto-golo.
De que outro modo poderia ser, numa equipa que tem anti-corpos com a área e a baliza adversárias?
Nesses primeiros 30 minutos a equipa da casa demonstrou toda a sua mediania, mas após o golo leonino a nossa equipa também demonstrou que aquele golinho caído do céu já lhe era suficiente para justificar o convite, pelo que se retraiu até ao tamanho que demonstrou durante toda a época.
A entrada despropositada de Miguel Lopes que originou uma expulsão rocambolesca ainda vieram acentuar mais a estratégia.
Mais ridículo, só mesmo o (inexistente) "penalti", numa entrada despropositada de Ventura (fruto de um desleixo de João Zinho) que originou mais uma apitadela rocambolesca.
Não menos inverosímil foi mais uma lesão de Boulahrouz. Dá ideia que o fungo que atacou o nosso ex-central Rodriguez ainda está activo e de boa saúde.

Se os tais pormenores da primeira meia hora foram interessantes, outros, no restante período, foram preocupantes.
É que não me parece que Leonardo Jardim vá conseguir limar, sem sequelas, aquelas arestas de jovens jogadores que precisam de errar onde não se lhes aponte o dedo, ou de outros que denotam simplesmente a sua falta de qualidade.
Não sei quem vai ou quem fica no plantel da próxima época, nem sequer vou estar a acusar este ou aquele, mas espero sinceramente que alguns intérpretes tenham ontem efectuado o seu último jogo com a nossa camisola.
Podiam até ter ficado de férias por terras de Vera Cruz.
Quem também parece ter pé-frio é o nosso treinador interino, que nem cruzando o Oceano consegue uma vitória enquanto treinador principal, tal como aconteceu em todos os jogos enquanto esperámos pacientemente por Vercauteren.
Agora é desejar, ao contrário de outros anos, que as férias sejam longas e proveitosas, porque este ano futebolístico não me deixou nem saudade nem vontade.