quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Arroz de pombo

O jogo com o Marítimo já faz parte da história, e todos os olhares viram-se já para o dérbi do fim-de-semana.
No entanto, há momentos de um jogo que podem fazer parte da história do jogo seguinte.
Por exemplo, ficámos a saber que o Conselho de Disciplina da Federação instaurou um processo sumário a Douglas por uma cotovelada a Paulinho que passou impune no jogo com o Gil Vicente. O guarda-redes do Vitória de Guimarães falha, assim, o embate da Taça de Portugal com o porto.
A esta ausência irão certamente juntar-se as de Tiago Ferreira e Abdoulaye, jogadores emprestados pelo porto e que irão sentir uma qualquer indisposição na véspera do jogo.
Mas, centrando-me no sumaríssimo a Douglas, porque as indisposições alheias raramente me afectam, a situação uma vez mais faz-me recordar a falta de equidade ou de justiça que norteia estas medidas. (Norteia está relacionado com norte, verdade?)

Deste modo, se um sumaríssimo é um processo administrativo que visa condenar o infractor, o certo é que este acaba por beneficiar terceiros.

Este processo só se compreende se todos os intervenientes e clubes forem julgados de igual modo, o que só aconteceria se existissem meios televisivos que captassem as incidências de todos os jogos.
Dá-se o caso que só os jogos dos grandes e mais um ou dois, a cada jornada, é que merecem honras e mobilização de meios que permitam visualizar e julgar os infractores, enquanto nos jogos menos mediáticos pode-se continuar a cuspir ou agredir com algum conforto.
Mas, mesmo perante esta aparente inevitabilidade, volta a vir à baila a diferença de tratamento que já esteve presente em casos recentes.
Pensava já não ser necessário voltar a recordar as cuspidelas de Enzo Perez (benfica), Josué (porto) e Insúa (Sporting), castigados com 0, um e dois jogos de suspensão, após cuspidelas com maior ou menor teor de saliva, bem como o tempo que demoraram a ser julgados e as multas que foram aplicadas.
Ao saber que Douglas falhará o jogo da Taça, interroguei-me o que seria feito do sumaríssimo a Rúben Ferreira, jogador do Marítimo que agrediu Capel com uma cotovelada.
Soube entretanto que o jogador foi punido com um jogo de castigo, mas o famoso sumaríssimo parece continuar a funcionar a pedido.
Claro está que a justiça tardia visa unicamente punir o prevaricador mas, a disparidade nas prioridades levam-me a pensar se foi novamente a intensidade do acto que levam o Conselho de Disciplina a agir a duas velocidades.
Talvez os diversos dirigentes não sejam tão lestos quanto pintodacosta, habituado já muito a pedir sumaríssimos que visem beneficiar o seu clube, ou prejudicar os rivais, como se pode constatar nas famosas escutas a pedir a valentimloureiro o sumaríssimo a Liedson.

Não acredito é que ainda se sirvam do telefone para o fazer...poque o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra.
Agora, talvez os pedidos sigam através de pombo-correio, mais difícil de interceptar.
Além disso, podem-se sempre ocultar as provas, preparando um bom arroz de pombo.