quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Liberto de preconceitos

Já devem saber que eu não tenho ídolos, logo, não sou de endeusar ninguém.
No entanto, não sou cego…nem gosto que não se reconheça mérito a quem o tem.
Não é de estranhar que também em Portugal existam as naturais comparações entre os dois melhores futebolistas da actualidade.
Factualmente, considero que tanto Ronaldo como Messi  já mereceram ser reconhecidos como o melhor do Mundo, e considero também que o argentino tem justificado uma ligeira vantagem para este prémio individual.
Já acho pouco criterioso que o argentino tenha vencido 4 edições consecutivas, contra apenas um prémio do avançado formado no Sporting.
Mais estranho é que em Portugal, muitos dos que torcem por Messi, agarrados à rivalidade Real-Barça que tem contagiado os adeptos portugueses, optem por julgar os números estratosféricos do nosso jogador por piolhices transversais ao futebol, como questões de personalidade.
O que diriam se, como fez ontem Ibrahimovic, se auto-apelidasse Deus.
Apesar da grande exibição com a camisola de Portugal, o hat-trick de ontem mais não foi que a confirmação do que tem sido a época de Ronaldo.
Em termos comparativos, o avançado leva 66 golos neste ano 2013, contra 45 de Messi e 19 de Ribéry.
Mas os golos parecem não ser a principal matéria para julgar o rendimento de um jogador, ou Fabio Canavaro nunca teria ganho esta distinção, em 2006.
Apesar de nem sequer ter vencido o título italiano desse ano, a vitória no Campeonato do Mundo terá pesado nessa atribuição.
Isso, e algum lobby existente na época.
Mas, os títulos também nem sempre são o suporte para receber o Ballon d’Or, pois Messi venceu em 2012, ano em que Ronaldo venceu o campeonato.
Ah, esperem, esse foi um ano em que Messi marcou mais golos, e o critério muda ano-sim-ano-não.
Quem poderá beneficiar com a embrulhada em que o carroceiro Blatter se enfiou poderá ser Ribéry, quanto a mim muito inferior aos dois primeiros.
Este ano acenam com os títulos ganhos por Ribéry, precisamente os mesmos ganhos por Bastian Frankesteiger (como diria Inzébio), Neuer, Mario Gomez ou Muller.
Ah, mas este é um prémio individual, dirão os puristas.
Pois, precisamente. Por ser um prémio individual, apesar de se tratar de um jogo colectivo, Ronaldo tem sido o melhor deste ano civil e merece-o.
Em Portugal, como em tantos outros países, cola-se o rótulo e irá acompanhá-lo para o resto da vida.
Quem gosta de Messi irá achá-lo sempre o melhor, e o mesmo em relação a Ronaldo.
Felizmente estou liberto desses preconceitos.
Quem parece defender o jogador à exaustão é um fanático jornalista do Diário As, o jornal A Bola lá do sítio.
Curioso o modo como viveu o jogo de Portugal, um pouco à imagem de como os portugueses vivem o seu clube espanhol.
A mensagem final é uma lição de clubismo, mais do que de patriotismo…porque Ronaldo, esse, é nosso.