sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Zé Bolota

O fim-de-semana já está aí à porta e, com ele, o regresso do campeonato.
O Sporting irá jogar em Guimarães mas ainda sentirá na pele as consequências do último jogo.
É que Marcos Rojo e Wilson Eduardo não poderão jogar, fruto das expulsões no dérbi com o benfica.
No entanto, o central vimaranense Abdoulaye já deverá jogar, depois de nova paragem competitiva, em virtude da sua equipa ter defrontado o clube do papá, também no jogo da Taça.

Por falar nesta competição, hoje foi o sorteio da Taça de Portugal, e o Sporting irá receber o Gil Vicente, equipa perfeitamente ao nosso alcance.
Ah, esqueci-me. 
Duarte Gomes decidiu colocar o seu clube nos 1/8 de final, e o Sporting perdeu assim um dos objectivos a que tinha apontado.

Não é que a interferência de terceiros seja uma novidade, mas incomoda-me muito mais do que perder de forma justa e limpa.
Mas, convenhamos, Portugal sempre foi um paraíso para estratégias subterrâneas.
Antes da Revolução dos Cravos existia o clube do regime, que materializou em títulos muita dessa influência.
O pós 25 de Abril mudou esse paradigma e a ditadura mudou-se para norte, mesmo que haja uma forte tentativa de fazer regressar esses tempos áureos.
É curioso que, por estes dias, enquanto um dos presidentes esteve em convalescença, talvez fruto de muito esforço em prol do clube, fora do horário de expediente, os protagonistas do outro lado da barricada tenham dado muito mais barracada.
Por um lado foi Jorge Jejuns, que parece não ter contestado o castigo de 30 dias, após os tristes incidentes com a polícia, precisamente em Guimarães.
Aliás, ontem realizou-se uma concorrida manifestação das forças policiais em Lisboa, e para manter a ordem bem que poderiam ter enviado o treinador encarnado.
Já não haveria assalto à escadaria, com toda a certeza.
Ainda relativamente ao castigo, diz Rui Santos que a pena terá inclusivamente sido negociada entre o benfica e a Liga.
Claro, está aí à porta o clássico com o porto.
Mas o presidente encarnado também foi notícia esta semana, por motivos extra-futebol.

Dizia o Jornal de Negócios que "O presidente do Benfica e um sócio estão há quatro anos a ser investigados acerca do seu alegado envolvimento num esquema fraudulento que prejudicou o BPN. Mas os prejuízos da operação, avaliados em 17 milhões de euros, já foram transferidos para o Estado (ou seja...nós), que arcará com eles".

Mas, como soi dizer-se quando estas notícias fazem manchete...tudo não passa de uma cabala.
Tendo em conta o triste final dos casos mediáticos envolvendo figuras do desporto e da política, já estou a imaginar que também este terá um final feliz...e talvez com um pedido de indemnização ao Estado, a exemplo do de Pinto da Costa.


Mas Portugal tem bons seguidores das suas práticas.
A diferença é que tudo é feito com mais sigilo, pois a justiça costuma ser menos tolerante.

A classificação da França para o Mundial, com o golo que empatava a eliminatória em escandaloso fora-de-jogo não deve ter tido a unha de Platini, porque o homem forte da UEFA já demonstrou ser uma pessoa íntegra.
A exemplo de Joseph Blatter ou, em português, Zé Bolota...outro ícone da transparência.
Se a sua própria eleição teve contornos pouco claros, e muito se falou da compra de votos para derrotar Lennart Johansson, em 1998, a recente polémica com Ronaldo é um pequeno grão de areia na ampulheta que marca o tempo em que está à frente dos destinos da FIFA.
O Zé Bolota também terá tido a sua influência na atribuição do Mundial 2022 ao Qatar, e até  a revista France Football denunciava que o Qatar gastou 1,5 milhões de dólares para comprar votos, num esquema que envolvia Nicolas Sarkozy, ex-Presidente francês, e Michel Platini, presidente da UEFA.
Ups...o Platini.

O Zé Bolota, como é perceptível, está bem maduro, e será um alívio quando cair da árvore que o suporta mas, lá como cá, a sucessão só irá mudar o nome do fruto, porque de fruto e fruta sabem eles.